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Artículos
Sexualidade
e Ciclo de Vida*
Por Daniela Riva Knauth
Introdução
O cruzamento entre estas duas temáticas - sexualidade e ciclo de vida
– levanta um conjunto de questões que nos remetem às representações da
sexualidade presente na sociedade ocidental moderna e, mais particularmente,
a penetração (maior ou menor) deste ideário nos países latinos (tomando
como referência o caso brasileiro, mas também outros estudos sobre diferentes
países da América Latina).
A obra de Foucault demonstra claramente como a partir do século XIX e
em especial no século XX, a sexualidade é tomada pelas sociedades ocidentais
modernas como o locus privilegiado de busca da verdade e de construção
de si. Contrariando o argumento da hipótese repressiva, o autor apresenta
os diferentes discursos que colocam o sexo em evidência, produzindo tanto
sua incitação quanto a sua normatização. Assim, não restam dúvidas que
a sexualidade aparece como um domínio central da organização das sociedades
modernas e da conformação dos sujeitos à ideologia individualista que
predomina nestas sociedades. Entretanto, como afirma Foucault, os mecanismos
de poder que se exercem sobre esta esfera “não tem a forma da lei nem
os efeitos da interdição: ao contrário, procedem mediante a redução das
sexualidades singulares” (1985:47), que passam a ser classificadas enquanto
perversões. Assim, um dos efeitos destes mecanismos é a constituição de
campos e discursos específicos sobre cada uma destas perversões, como
diz Foucault “nesse avanço dos poderes, fixam-se sexualidade disseminadas,
rotuladas segundo uma idade, um lugar, um gosto, um tipo de prática” (1985:48).
Nesta visão sobre as sexualidade singulares, o recorte etário, ou melhor
de ciclo de vida, é determinante. É sobre esta idéia de que se fundamenta
uma série de práticas características da sociedade moderna, tais como
a separação de grupos etários, a segregação relativa entre meninos e meninas,
entre adultos e crianças, entre outras. Além do recorte etário, outro
elemento central nesta separação parece ser definido pela experiência
e disponibilidade relativas à sexualidade. É a partir destes elementos
que aparecem novas classes de indivíduos que devem ser, se não segregados,
no mínimo supervisionados, tais como as mulheres separadas, as famosas
“mães solteiras”, as mulheres adultas solteiras, os homossexuais, os homens
sozinhos na terceira idade.
Entretanto, se estes dois fatores – idade e fase de vida – funcionam ainda
como definidores de atributos singulares, outros elementos decorrentes
das transformações mais recentes verificadas nas sociedades ocidentais
– ampliação da escolarização, o aumento do número de separações conjugais,
mudanças nas legislações no sentido de uma maior proteção à infância,
desenvolvimento de tecnologia médica, crescente participação da mulher
no mercado de trabalho, etc. - vêem complexificar este ordenamento dos
ciclos de vida.
Em termos de concepção mais geral sobre sexualidade e ciclo de vida, pode-se
observar a idéia que corresponde a uma espécie de “ciclo da sexualidade”,
que tem a “latência” na infância, o desabrochar na juventude, o auge na
idade adulta e, por fim, o serenar na terceira idade. A estes ciclos da
sexualidade correspondem um conjunto de normas e concepções a cerca de
como deve-se lidar com as peculiaridades da sexualidade em cada fase de
vida.
A infância, desde Freud, é concebida de uma forma geral, como um período
em que a sexualidade está presente, embora ainda de forma latente (organização
pré-genital da libido) [1] . Sua presença em potencial justifica
uma série de medidas a fim de evitar sua incitação, tais como a separação
por classe de idade e a evitação do contato direto com o corpo e com
a sexualidade adulta, mesmo quando familiar (separação das crianças do
quarto dos pais). A conjugação entre esta concepção de sexualidade infantil
e a concepção de infância, conferem as possíveis “atividades sexuais”
que aparecem nesta fase da vida um caráter de involuntariedade e ingenuidade.
Já a adolescência é percebida como o momento em que a sexualidade é, naturalmente
(em função do próprio desenvolvimento hormonal), despertada. E, ao contrário
da infância onde a atividade sexual é vista como involuntária, na adolescência
ela, apesar de estimulada pelo biológico, é consciente. Esta espécie de
“excesso” de sexualidade desta fase de vida, conjugada com as concepções
correntes sobre o comportamento dos jovens – como irresponsável, inconseqüente,
etc. – faz com que a sexualidade juvenil seja percebida como fora de controle.
Estas concepções, bastante difundidas pela mídia, apresentam os jovens
como incapazes de gerir a própria vida afetiva e sexual e, portanto, como
inconseqüentes e irresponsáveis em relação a seus comportamentos. A imagem
dominante no discurso midiático e no senso comum é de os jovens “de hoje”
possuem uma vida sexual e afetiva completamente desregrada, na qual predominam
os relacionamentos efêmeros, sem nenhum tipo de vínculo e comprometimento.
Na idade adulta, a sexualidade já estaria, teoricamente, normatizada,
seja pela maior capacidade de controle que os indivíduos possuem sobre
seus próprios instintos, seja pelo fato da sexualidade inscrever-se
no registro da conjugalidade (do casamento). Assim, o elemento perturbador
da sexualidade na adultez é o seu não enquadramento nos modelos da conjugalidade
e da heterossexualidade. A experiência e disponibilidade afetivo-sexual
nesta fase de vida são percebidas como ameaçadoras.
A chamada terceira idade era, até recentemente, tida como o limite da
sexualidade, tanto em função da degradação da capacidade física e psicológica
dos indivíduos, como também em razão da “falta” de parceiro, ou seja,
da viuvez, que atinge especialmente as mulheres visto a diferença de expectativa
de vida entre homens e mulheres. O esperado neste fase de vida era um
crescente, e normal, desinteresse pela sexualidade.
As transformações verificadas especialmente nas últimas décadas do séc.
XX trouxeram uma série de repercussões sobre estas concepções do ciclo
da sexualidade. Segundo Bozon (2002), uma das principais modificações
neste domínio é a ampliação do “calendário da vida sexual”, onde a iniciação
sexual se dá mais precocemente e, ao mesmo tempo, há um prolongamento
da atividade sexual até as idades mais avançadas. Estas mudanças são possibilitadas
por modificações na esfera dos padrões de gênero, relações familiares
e conjugais, entre outras. Somam-se ainda as mudanças de ordem mais geral
que dizem respeito à ampliação da escolarização dos jovens, às dificuldades
de ingresso no mercado profissional, ao próprio desenvolvimento tecnológico,
à epidemia do HIV/Aids e ainda ao impacto da globalização tanto sobre
a esfera formal (por exemplo em termos de legislações) quantos sobre a
esfera dos comportamentos.
Este conjunto de injunções de diferentes ordens e seus efeitos sobre as
concepções de sexualidade e ciclo de vida coloca uma série de questões
em termos da discussão dos direitos sexuais.
Em termos da infância e da adolescência, observa-se um movimento de constituição
das crianças e dos adolescentes enquanto “sujeitos de direitos” mas que,
em função de sua vulnerabilidade, requerem uma intervenção especial no
sentido da proteção destes direitos. No Brasil, este processo é marcado
pela criação, no início da década de 90, do Estatuto da Criança e do Adolescente.
A conjugação desta necessidade de proteção com a idéia de que a sexualidade
neste período da vida é “latente” e involuntária, faz com que se criem
umas séries de dispositivos legais para coibir todas as formas de incitação
da sexualidade infantil, caracterizadas como “abuso sexual”, “estupro”,
“incesto”, “exploração sexual”, ”pornografia infantil” e “pedofilia”.
O pressuposto explícito em todas as legislações e convenções internacionais [2] sobre o tema é o da inocência da criança ou adolescente.
É interessante notar que nestas disposições legais a idade limite é sempre
a maioridade civil, assim os adolescentes vêm sempre junto das crianças.
Por outro lado, como no Brasil a maioridade se dá aos 18 anos, estas regulamentações
dizem respeito a faixa etária que vai dos 0 aos 18 anos, excluindo os
jovens de 19 anos que, a partir da definição da OMS poderiam ser enquadrados
enquanto adolescentes. Outro aspecto que merece discussão em relação ao
recorte etário diz respeito ao direito a confidencialidade e privacidade
no que concerne à saúde e, em particular, à sexualidade. A inclusão de
crianças e adolescentes na mesma norma cria alguns possíveis dilemas aos
profissionais de saúde como, por exemplo, quando comunicar os pais, responsáveis
ou mesmo as instâncias de proteção a respeito da atividade sexual do adolescente
se esta se estabelecer com um(a) parceiro(a) de outra faixa etária.
É possível ter um relacionamento afetivo-sexual entre um adolescente e
um adulto sem que isto seja caracterizado enquanto pedofilia, abuso sexual
ou estupro? Qual é a diferença etária aceitável nos relacionamentos afetivo-sexuais
dos adolescentes? Qual é o elemento para caracterizar o consentimento
e a autonomia das crianças e adolescentes?
Não tentando responder a estas questões, mas buscando pontuar alguns elementos
para a reflexão chamaria a atenção de que parte destes impasses deve-se
a inclusão na mesma categoria de crianças e adolescentes que, como já
expostos acima, são vistos como tendo uma relação bastante distinta com
a sexualidade (nas crianças a sexualidade seria involuntária e por isto
precisaria ser incitada, enquanto nos adolescentes ela seria voluntária,
procurada). Outro elemento que contribui para estes dilemas é a separação
de dois interesses distintos que estariam por de traz destes comportamentos:
o comercial, relacionado à exploração sexual e pornografia infantil e
o de obtenção de prazer, do qual estariam imbuídos a pedofilia, o estupro,
o atentado violento ao pudor, o incesto. A separação destes interesses,
bem como a alocação dos mesmos exclusivamente ao outro (o explorador,
o pedófilo, etc.), tornam-se bastante problemáticas visto que se ambas
são condenáveis legalmente, obter prazer através da sexualidade infantil
ou adolescente é ainda mais condenável moralmente. A pedofilia e o incesto
encontram-se entre as maiores perversões sexuais, sendo mesmo objeto
de definição clínica. [3]
A extensão do princípio da proteção aos adolescentes deve-se à crescente,
e recente, valorização desta fase de vida na sociedade moderna, bem como
às concepções sobre juventude e sexualidade dominantes. A juventude, ao
mesmo tempo em que é idealizada enquanto a melhor fase da vida – tanto
no sentido físico como em termos de disposição e “estado de espírito”
- é percebida como uma fase de grande risco, em particular para a saúde.
Duas esferas aparecem como palcos destes riscos, a da sociabilidade, onde
o principal risco é o da violência e a da sexualidade, onde se colocam
a iniciação sexual precoce, a Aids e a “gravidez na adolescência”. A juventude
é associada, na nossa cultura, a idéias como risco, perigo, rebeldia,
falta de juízo, ênfase no presente, irresponsabilidade, etc. Muitos destes
elementos sobre juventude são também partilhados pelos jovens.
É assim que, embora muitos deles reconheçam a importância do uso de proteção
para DSTs/Aids, quando avaliam retrospectivamente seus comportamentos
(por exemplo, quando da iniciação sexual ou de algumas relações afetivo-sexuais),
admitem que foram imprudentes, que deveriam ter se cuidado mais. Isto
também é valido para os jovens infectados pelo HIV, visto que a justificativa
para o não uso de proteção não é, em geral, a desinformação ou a falta
de acesso aos meios de prevenção, mas sim o comportamento inconseqüente
que é tido como característico desta fase de vida
[4] .
É interessante notar aqui que muito mais que a idade, trata-se mesmo da
concepção sobre “fase de vida”, pois a maturidade, a responsabilidade,
a prudência são adquiridas a partir de determinados eventos que marcam
as trajetórias dos jovens (como a união, a maternidade/paternidade, etc.),
e não apenas a partir do passar dos anos.
Por outro lado, os dados da Pesquisa GRAVAD - que contemplam a biografia
de jovens na faixa etária dos 18 aos 24 anos, residentes de três capitais
brasileiras (Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador) - permitem evidenciar
que os relacionamentos afetivo-sexuais dos jovens se realizam, em grande
medida, em um contexto bastante estruturado, particularmente no que diz
respeito às relações de gênero e a importância conferida ao relacionamento
estável (conjugalidade). Deixam entrever ainda as diferenças de gênero,
pertencimento social e regionais que atravessam esta faixa etária.
Em termos da idade adulta, as grandes mudanças devem-se a maior mobilidade
conjugal verificada nas últimas décadas, não apenas com o aumento do número
de separações, mas também com sua maior aceitação social. Este dado confere
um novo panorama aos relacionamentos afetivo-sexuais nos diferentes ciclos
de vida, uma vez que a possibilidade de “cruzamentos” de idade se amplia.
É também neste contexto que para além da faixa etária, a situação conjugal
passa a ser um elemento fundamental de controle da sexualidade, colocando
em “risco” não apenas as outras conjugalidades, mas também as outras idades.
A terceira idade é aquela que concentra talvez os maiores resultados,
tanto em termos qualitativos quanto em termos quantitativos, no que se
refere às mudanças de concepção de sexualidade e ciclo de vida. Além do
aumento da expectativa de vida, esta faixa etária, a partir da valorização
da juventude eterna, foi alvo de importantes investimentos da indústria
farmacêutica, possibilitando melhoras efetivas na qualidade de vida e,
em particular, na vida sexual.
O surgimento, no final do séc. XX de novos medicamentos para os problemas
de “disfunção erétil, como o Viagra, bem como a difusão das terapias de
reposição hormonal para as mulheres em menopausa, recolocam a atividade
sexual dentro das expectativas relacionadas à terceira idade”. Várias
questões se colocam frente a estes “ganhos”. A primeira é que a solução
de um problema tido enquanto sexual se dá através de uma pílula. A sexualidade
aparece restrita ao funcionamento dos órgãos sexuais e, portanto, como
um problema individual e não relacional. Outra questão colocada por estes
medicamentos é a eleição da atividade sexual como a fonte da felicidade
e da juventude. E aqui o medicamento representa a vitória da ciência e
da medicina contra os efeitos da natureza. O idoso, além de ter que permanecer
jovem (através da prática de atividades físicas), deve manter-se sexualmente
ativo. É interessante notar que embora este discurso tenha sido originalmente
voltado ao público masculino, já aparece uma nova versão, inclusive de
medicamentos, dirigida às mulheres. E embora já vários indicadores, como
os índices de consumo, já indiquem o sucesso desses medicamentos junto
ao público, pouco sabemos ainda sobre suas formas de apropriação e significação.
Um outro elemento que deve ser mencionado nesta discussão sobre sexualidade
e ciclo de vida é o papel da medicina, bem como suas implicações sobre
estas novas redefinições. Este parece ser um dos grandes paradoxos da
atualidade no que se refere à sexualidade e reprodução: ao mesmo tempo
em que as novas tecnologias médicas permitem romper com o modelo tradicional
de família e seus equivalentes papem de gênero (dissociando sexo de reprodução
através dos métodos contraceptivos e tecnologias reprodutivas), subordinam
a sexualidade, os “direitos” e desejos individuais à nova ordem médica
[5] . Assim, aquilo que aparentemente representa um avanço no sentido
da quebra dos ciclos biológicos da sexualidade e do reconhecimento da
diversidade sexual e familiar e, portanto, do caráter eminentemente social
destas, é, na verdade, um fortalecimento da perspectiva e do controle
biomédico sobre a sexualidade e a reprodução.
Alguns trabalhos sobre o tema, como os de Novaes e Salem (1995) e Strathern
(1995) demonstram que a “autorização” tanto jurídica quanto médica para
o uso das novas tecnologias ainda segue os padrões tradicionais de gênero.
Assim, a possibilidade aberta por estas tecnologias de prescindir do masculino
e mesmo da sexualidade para a procriação (como no caso das mulheres virgens
que desejam engravidar), continua a ser percebida pela esfera médica e
jurídica como uma ameaça à ordem social. E, apesar de suas infinitas possibilidades,
as novas tecnologias médicas continuam a serviço da ordem social tradicional
e do capital. Não podemos esquecer que ao propagar o discurso de que a
reprodução não está mais presa aos ditames da biologia - como, por exemplo,
a idade para a primeira gravidez - a medicina, ao mesmo tempo em que estimula
as mulheres a investirem em sua carreira profissional, vende seus "produtos",
visto que as chances destas mulheres necessitarem de técnicas médicas
para engravidar aumentam também com a idade. É dessa forma que muitas
mulheres que optam por retardar seu projeto reprodutivo, pensando liberar-se
das pressões sociais e biológicas, acabam "presas" à medicina,
com um custo econômico e emocional bastante elevado.
Mas como as técnicas de reprodução assistidas, outras tecnologias médicas
(como cirurgias de mudança de sexo, de correção de genitália ambígua,
hormônios, Viagra e seus equivalentes) disponibilizada nos últimos anos,
interferem diretamente sobre a esfera da sexualidade. Em todos estes casos,
a solução para os problemas de sexualidade e mesmo de gênero, é dada através
de uma intervenção sobre o biológico. O que nos resta questionar é em
que medida todas estas possibilidades geradas pelos avanços na área médica
são capazes de influenciar e determinar o modelo de sexualidade de cada
sociedade. Pensando no caso da sociedade brasileira, esta discussão parece
restringir-se aos segmentos médios e altos. Não apenas porque o acesso
a estas tecnologias é limitado a estes grupos, mas sobretudo porque nos
segmentos populares o modelo hierárquico ou tradicional da sexualidade
é ainda aquele que prevalece. E, se fenômenos como a monoparentalidade,
separações, famílias chefiadas por mulheres, etc., são bastante freqüentes,
o modelo de família nuclear tradicional ainda permanece como o ideal a
ser buscado. Neste sentido, seria ainda possível falar nos termos de uma
“revolução do século XX”?
Por fim, gostaria de chamar a atenção para o fato de que se, apesar de
uma série de redefinições, ainda permanecem algumas concepções a respeito
da relação entre sexualidade e ciclo de vida, especialmente nos países
em desenvolvimento, o que parece ser o ponto nodal é a possibilidade de
“misturas” que todas estas modificações possibilitam. A dificuldade em
aceitar a união entre diferentes (seja em termos etários, de cor, de classe
social) ainda permanece. E é interessante notar aí um paradoxo entre,
por um lado, a ideologia igualitária da sociedade moderna que tende a
aproximar as idades dos parceiros de relacionamentos afetivos-sexuais
e, por outro, a dificuldade ainda existente nesta mesma sociedade em tolerar
os relacionamentos entre diferentes, especialmente quando estas diferenças
contrariam ao padrão esperado de gênero.
Bibliografia:
BOZON, M. Sociologie de la sexualité. Paris, Nathan Université,
2002.
FOUCAULT, M. História da Sexualidade. A vontade de saber. Rio de
Janeiro, Graal, 1985 (7 ed.).
LOYOLA, Maria Andréa. Sexualidade e medicina: a revolução sexual do século
XX Cadernos de Saúde Pública, Jul/Agosto. 2003, vol.19, no.4, p.875-884.
NOVAES,S. e SALEM,T. Recontextualizando o embrião, Estudos Feministas,
vol.3, n.1, 1995.
ROBINSON, P. A modernização do Sexo. Rio de Janeiro, Civilização
Brasileira, 1977.
STRATHERN,M. Necessidade de pais, necessidade de mães, Estudos Feministas,
vol.3, n.2, 1995.
VIANA, A.e LACERDA,P. Direitos e políticas sexuais no Brasil: o panorama
atual. Rio de Janeiro, Cepesc, 2004.
ZÁCHIA, S. e KNAUTH, D.R. A repercussão da infecção pelo HIV na gestante
adolescente. Relatório de Pesquisa (mimeo), 2001.
ZAMBRANO, E. Trocando os documentos: um estudo antropológico sobre
a cirurgia de troca de sexo. Dissertação de Mestrado defendida junto
ao Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, UFRGS, 2003.
[1] Kinsey defende que numa sociedade livre da repressão sexual “metade
da população masculina provavelmente atingiria o orgasmo por volta dos
quatro anos e a proporção chegaria quase aos cem por cento cinco anos
antes da adolescência” (Robinson, 1977:108)
[2] São exemplos de convenções
internacionais as resultantes do I Congresso Mundial conta a Exploração
Sexual Comercial de Crianças realizado em Estocolmo, 1996; a Conferência
Internacional sobre o Combate à Pornografia Infantil na Internet, Viena,
1999, entre outros.
[3] Sobre pornografia
infantil e pedofilia ver Landini, 2004.
[4] Záchia e Knauth, 2001.
[5] A este respeito ver
Loyola, 2003.
* Versão Preliminar. Presentada en el Seminário Regional,
Salud, Sexualidad y Diversidad en América Latina.
Sobre
la autora
Daniela Knauth es Antropóloga. Professora do Departamento de Medicina Social
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisadora do Núcleo de
Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde (NUPACS).
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Iniciando
una investigación sobre la sexualidad infantil.
Por Diana Bazán
Introducción
La sexualidad en la niñez, se convierte en un tema complejo cuando se
quiere indagar qué significados, qué simbolismos, qué interpretaciones
pueden tener los niños y las niñas sobre su sexualidad. Tema que causa
desconcierto, sospecha y temor.
Estas sospechas y temores encuentran una base en situaciones sociales
como el abuso sexual infantil. Y que son refrendadas por las continuas
apariciones mediáticas del tema.
En este artículo no pretendo resolver cuestiones únicas de una investigación
sobre la sexualidad de las niñas y los niños, mi deseo es dar pautas para
empezar a reflexionar sobre el tema de sexualidad infantil y podamos tejer
algunos hilos conductores hacia la construcción de una sociedad que incluya
a los niños y las niñas como protagonistas de sus vidas, sin prejuicios
que determinen su realidad.
Primero los derechos de los niños y las niñas
Los niños y niñas son considerados como representaciones de la alegría,
la dulzura, la inocencia, la miseria, la desesperación y más bien son
pocas las veces que los observamos como seres humanos con derechos. Cada
niño es un ser humano con derechos. El comentario va comparativamente
entre la imagen de una niña o de un niño, que puede considerarse como
representativa de una generación, al de una persona adulta, que le corresponde
la plenitud de los derechos humanos sin necesidad de ser la forma de una
imagen ideal.
Por otro lado, los adultos contribuimos a mantener mitos que muestran
a los niños como pecadores o como víctimas. Como ángeles o como demonios.
Estas imágenes están relacionadas a las diferentes experiencias culturales
y sociales. Pero sobre todo, a un adulto centrismo que define al niño
separado de él.
Existe un mecanismo internacional como la
Convención de Derechos del niño, la niña y el adolescente donde justamente
la intención es tomar en cuenta al niño y la niña como sujetos, y además
como sujetos con derechos
[1] .
Este mecanismo es una base inicial para proponer que la visión que los
adultos tenemos de los niños y las niñas debe cambiar; por lo tanto eso
implica deconstruir su imagen y obtener luego un niño y una niña real,
como sujeto, no idealizado ni pensado para él.
Sobre cómo se fue construyendo socialmente la sexualidad infantil
Para hablar sobre la sexualidad infantil tenemos que hacer referencia
al proceso histórico occidental en el cual el concepto del niño se ha
ido construyendo socialmente. Yolanda López (1999), retoma al historiador
Philippe Aries, y nos relata como la imagen del niño fue evolucionando
a través de las diferentes épocas históricas.
López, nos relata las diferentes imágenes del niño en las sociedades romana,
edad media, victoriana o sociedad burguesa hasta nuestros tiempos.
En la Roma antigua, socialmente se consideraba como parte de la vida normal
las decisiones de adopción e infanticidio en el entendimiento de la gente
[2] , el niño era la posesión, al que se le permitía vivir sólo si
un padre lo asumía como hijo. La imagen fue evolucionando y “el nuevo
aprecio del cuerpo y de la gracia del niño permitió deducir un nuevo sentimiento
de la infancia, que lo reconoció de alguna manera en sus particularidades
físicas y psicológicas frente a los adultos” (López: 1999).
Ya en la Edad Media, la separación de los cuerpos, los espacios y los
tiempos entre los adultos y los niños se ve más marcada, siendo respaldada
por un fuerte cristianismo que introduce la noción de que la información
sobre la sexualidad se tiene que ocultar a los niños.
Hay imágenes que son muy actuales en nuestra sociedad y que han quedado
prendidas de las épocas anteriores. Estas imágenes nos hacen ver al niño
predominantemente sacralizado. Estas fueron las del ángel, las del niño
Jesús, las del niño desnudo que evoca al ángel, etc.
Es decir, la representación colectiva del niño va disminuyendo sino es
careciendo de características humanas, y más bien sus deseos y sus pasiones
se van perdiendo. Construyéndose, además, un ideal al que debe exigirse
a los niños por parecer, para luego asegurar su adultez noble y la posibilidad
de su trascendencia en la vida celestial (López: 1999).
En ese tránsito la sexualidad del niño se pierde convirtiéndose en un
ser asexuado en la mentalidad de la gente. De esa forma el niño no se
ve con otra posición más que la de convertir su ser y su hacer en aquello
que sobre él es dictaminado: ser un ángel.
Con la llegada de Freud, el panorama cambia, y el psicoanálisis muestra
que la sexualidad no tiene por qué tener una relación directa con la reproducción...
“en el contexto de la mentalidad descrita a finales del siglo XIX, y comienzos
del XX, Freud osa decir que el niño inocente, no lo es tanto, que tiene
una sexualidad, que tiene un saber”. (López: 1999)
Así, López deconstruye la idea de los niños iconográfica e históricamente;
primero como objeto asimilado al adulto, pero luego como sujeto que poco
a poco se va haciendo libre, pero esto sucede porque, de acuerdo a Freud,
como humano de especie, el niño tiene la misma esencia que la de un humano
adulto y no la de un ser santificado.
No son ángeles...
Cuando pensamos de donde viene la sexualidad nos topamos con la idea de
que este es un concepto pensado por los adultos y las adultas sobre su
sexualidad. Las niñas y los niños estarían ajenos a estas ideas conceptuales.
Sin embargo, la conexión entre ambos es la socialización del niño.
Norbert Elias (1998), nos habla de la relación primaria entre los niños
y los adultos: “los niños se van haciendo adultos individualmente a lo
largo de un proceso civilizador social que varía de acuerdo con el estado
de desarrollo de los respectivos modelos sociales de civilización”.
Sin embargo, la intención no es confrontar dos bandos opuestos: los adultos
vs. los niños, pero sí mostrar que hay un proceso en el cual hay actitudes
poco reflexivas de parte de los adultos hacia los niños que provocan la
internalización de determinadas ideas que son ajenas a las sensaciones,
sentimientos e incluso ideas infantiles. Michel Foucault (2000) cuando
hace el análisis sobre los fundamentos de la sociedad burguesa, nos dice
que la sexualidad está reprimida a partir del poder. Y el poder es quien
define el camino civilizatorio.
Los niños, volviendo a Elías, son un grupo que no tiene las características
de un grupo subordinado comparativamente, en una situación de igualdad,
como el poder, como el color de la piel, o la cantidad de dinero, sino
más bien se define en función al adulto por su edad; esa es la clave de
la jerarquía, por lo tanto se trata de “pequeños” seres humanos enteramente
dependientes de los mayores, que se encuentran en camino de volverse adultos.
Así en el caso de los niños se trata de un grupo de humanos cuyo comportamiento,
derechos y deberes son objeto de prescripciones sociales normativas (Elías:
1998) por lo tanto sin mucha capacidad de movimiento, decisión o participación.
Lo que puede desprenderse de estas ideas es que el encuentro entre el
adulto y el niño confluye en un espacio donde la concepción del niño es
vista solo y exclusivamente desde el punto de vista adulto.
Observando la sexualidad infantil a través del debate entre lo
esencial y lo construido
Luego de ver histórica y socialmente la construcción de la sexualidad
infantil, podemos mencionar dos grandes corrientes analíticas que analizan
la sexualidad. Se trata de dos campos conceptuales contrapuestos como
dicotomía teórica; ellos son: el esencialismo [3] y el contruccionismo
[4] .
La posición del niño en el naturalismo lo define como un ser que es antecedido
a su realidad por sus circunstancias. En el constructivismo el niño es
un hacedor de su propio conocimiento.
Este gran debate es excluyente en ambos sentidos, no pueden colisionar,
ya que el esencialismo niega las posibilidades de una voluntad del individuo
por performativizar su existencia.
El esencialismo implica la creencia de que la sexualidad es un fenómeno
completamente natural, fuera de la cultura y la sociedad, hecha de fuerzas
fijas e inherentes y que la naturaleza y estas fuerzas dictan nuestras
identidades sexuales; entonces se cree que la sexualidad es una cosa
instintiva una fuerza potencialmente sobrecogedora que ejerce una influencia
tanto en el individuo como en la cultura (Weeks: 1995). Los esencialistas
tienden a suscribirse a la creencia de que el instinto sexual ya sea correcto,
moral o no moral es controlado por lo social, por lo moral y por mecanismos
médicos: el individuo es el sujeto de investigación y de represiones necesarias
para que la sociedad sea posible.
Por otro lado, el constructivismo, afirma que la sexualidad no tiene una
esencia inherente pero debe ser comprendida como una configuración de
diferentes significados culturales que son en sí generados por una matriz
social de relaciones de poder (Harding: 2003). Las instituciones culturales
como el matrimonio y el patriarcado, las normas, las prácticas y las relaciones
se basan en relaciones que se concentran en el poder [5] y la política.
Finalmente, debe incluirse en esta visión que el niño posee curiosidad
nata que lo lleva al descubrimiento y al conocimiento significativo a
través de realizar tareas reales. Por lo tanto, un pensamiento teórico
como el constructuvismo ordena la teoría de una sexualidad infantil más
cercana a las experiencias humanas y tiene la capacidad de incluir los
diferentes componentes culturales y sociales.
A modo de conclusión
La conclusión general es que la concepción del niño ha ido adquiriendo
características que lo alejan de un ser humano completo, con derecho a
tener derechos. Esto implica, que en el proceso evolutivo de la mentalidad
humana deberíamos atravesar la línea del temor y la sospecha, y más bien
repensar el mundo con características que construyan a un verdadero niño
y una verdadera niña como seres y sujetos sexuales.
Adicionalmente, también proponemos las siguientes ideas conclusivas:
- La sexualidad infantil es un tema que necesita de
un abordaje político para lograr políticas públicas en la educación
y en la salud que estén de acuerdo a los peruanos y las peruanas.
- El tema, en si mismo es sensible a la vida de las personas,
y es importante ayudar a reflexionar sobre los temores y la culpa que
se tienen cuando se desea integrar el tema de la sexualidad infantil
en la vida cotidiana (escuela – hogar).
- Entender la sexualidad infantil, debe ser un proceso
libre de temor, vergüenza, culpas, creencias impuestas u otras formas
que inhiban, frustren o simplemente configuren la sexualidad de las
personas.
- El rechazo a la sexualidad infantil es crear una posición
anti–sexual. Esto podría traer como consecuencia que en el sistema los
hombres adultos, por ejemplo, se les siga viendo como violentos, duros,
fríos, impasibles y agresivos, difíciles de creer que tienen sentimientos
y que lloran o que pueden ser delicados e íntimos. Abriendo brechas
en las relaciones entre adultos y niños.
Bibliografía
- Butler, Judith. Cuerpos que importan, sobre los límites
materiales y discursivos del sexo. Paidos. 2002. Buenos Aires.
- Elías, Norbert. El proceso de la Civilización. Investigaciones
socio genéticas y psico genéticas. Fondo de Cultura Económica. 1994.
México
- Elías, Norbert. La civilización de los padres y otros
ensayos. Norma. 1998. Santa Fé de Bogotá
- Foucault, Michel. Historia de la Sexualidad. 1 - la voluntad de saber: I. Nosotros,
los victorianos; II. La hipótesis represiva. Siglo veintiuno editores.
2000. México
- Freud, Sigmund. Tres ensayos de la teoría sexual. En:
Obras completas / Ordenamiento, comentarios y notas de James Strachey
con la colaboración de Anna Freud, asistidos por Alix Strachey, Alan
Tyson y Angela Richards; tr. directa del alemán de José L. Etcheverry.
Amorrortu editores. 1999. Buenos Aires
- La Font, Suzanne. Constructing sexualities. Readings
in Sexualitiy, Gender and Culture. Edited by. 2003, Pretenci Hall.
United States of America.
- López, Yolanda. De la inocencia del niño a la sexualidad
Infantil. Affectio Societatis. Nº 4 Junio/99. Revista Electrónica del
Departamento de Psicoanálisis. Universidad de Antioquia.
[1] La Convención sobre los Derechos del Niño se
funda en cuatro principios generales que conforman las disposiciones marco
de la CDN y son importantes en su estructura general. En primer lugar,
la “No-Discriminación”, en la Convención es el artículo N° 2, que trata
sobre la discriminación contra la niñez en general.
El siguiente principio es el del “Interés Superior del Niño”, que en la Convención es el artículo 3, que refiere que
todas las acciones que conciernen al niño deben ser en aras de su interés
superior. Los “intereses superiores” abarcan todas las decisiones que
afectan a los niños y niñas.
El otro principio es el “Reconocimiento del derecho a la Supervivencia
y al Desarrollo” (artículo 6 de la
Convención), uno de los conceptos básicos de la
Convención de los Derechos del Niño, es que los niños y las niñas traen
consigo el potencial para su propio desarrollo. Deben tener opción, tanto
física como social, de explorar e interactuar, de pensar por sí mismos
y de obtener reconocimiento por sus opiniones.
El cuarto principio, es el de “la Participación”, es decir el derecho a involucrarse
en las decisiones que los afectan, y en esa línea el artículo N° 12 obliga
a los gobiernos a garantizar que todas las opiniones de los niños y las
niñas serán solicitadas y consideradas en todos los asuntos que afecten
sus vidas. Para poder estar en capacidad de tomar decisiones, los niños
y las niñas tienen derecho a contar con información relevante, al alcance
de su comprensión. Por eso todo aquello que implique usar enfoques participativos
y de empoderamiento, en particular en lo que se refiere a los niños, suma
en esta perspectiva de la CDN.
[2] Esta es una idea
de Philippe Aries que es cuestionada, ya que otros autores piensan que
no puede haber sido tan descarnado el tema del infanticidio. Sin embargo,
para efectos de este artículo la retomamos para narrar determinados acontecimientos.
[3] La sexualidad es
esencial (esencialista) es decir que es innata, natural, que nace con
el individuo, que es parte de la biología. Así, el deseo sexual es algo
que existe aun en la ausencia de toda interpretación cultural, como si
fuera parte de la naturaleza, inmutable y sin historia.
[4] La sexualidad es
un constructo social (constructivismo) es decir que se construye, reconstruye
y reutiliza las construcciones históricas de acuerdo a determinados intereses
del individuo.
[5] La construcción
de la sexualidad tiene el efecto de privilegiar algunas formas sexuales
y denigrar otras, sin embargo la idea sobre el poder le da contenido al
concepto de la sexualidad ya que las identidades y prácticas varían y
variarán de acuerdo a cada sociedad y a cada estructura de pensamiento.
Sobre la autora
Diana Bazán es socióloga. Tiene formación magisterial. Ha concluido su
Maestría de Género, Sexualidad y Políticas Públicas. Facultad de Ciencias
Sociales – Unidad de Postgrado. Universidad Nacional Mayor de San Marcos.
E-mail: dianabazan@amauta.rcp.net.pe
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Gravidez
na adolêscencia e pânico moral*
Por Maria Luiza Heilborn
Existe um consenso no Brasil entre profissionais de diversas formações
–médicos, psicólogos, jornalistas, líderes religiosos e políticos –de
que a gravidez na adolescencia é um mal de grandes proporções. Segundo
esse pensamento, seria irresponsabilidade “permitir” que adolescentes
se envolvam com a maternidade tão cedo. No en tanto, ao contrário do
que prega a opinião pública, nem há um quadro de caos e desordem nem tão
pouco a gravidez na adolescencia é uma grande tragedia nacional. A pesquisa
Gravidez na adolescência: estudo multicêntrico sobre jovens, sexualidade
e reprodução no Brasil (Gravad), realizada pelas universidades do
Estado do Rio de Janeiro, Federal do Rio Grande do Sul e Federal da Bahia
entrevistou 4,634 jovens de ambos os sexos, entre 18 e 24 anos, numa pesquisa
domiciliar realizada nas três capitais. Do conjunto de 2,435 mulheres,
as proporções das que estiveram grávidas uma vez antes dos 20 anos era
de 29,5%. Na maioria das vezes a jovem que engravida já saiu da escola
e fica grávida do seu primeiro parceiro, que tem cerca de cinco anos a
mais do que ela - uma característica das uniões no país. O futuro bebê
é muito bem recebido pelas famílias, e o casal tende a se manter junto,
ainda que não necessariamente por muito tempo, mas nada que seja muito
diferente do padrão geral da população no país, onde de cada três casamentos
um termina en divórcio.
Ao mesmo tempo em que a gravidez na adolescência é considerada indesejada,
indicador de pobreza e “subdesenvolvimento” são fechadas as portas de
acesso a métodos contraceptivos. A distribuição da pílula do dia seguinte
–proibida no Rio de Janeiro, por exemplo, apesar de autorizada pelo governo
federal- e a criminalização do aborto são sinais de que, embora haja na
opinião pública ampla censura contra a gravidez na adolescência, não há
o mesmo consenso em permitir o uso do método que serve para quando a mulher
imagina estar correndo o risco de engravidar por uma relação sexual desprotegida.
Num país em que a aborto é permitido em duas circunstâncias-estupro e
risco de vida para a gestante-, a gravidez quando ocorre só pode dar lugar
a duas saídas: recorrer a interrupção clandestina ou encarar o nascimento
de uma criança. Cabe ainda lembrar um fenômeno invisível no debate sobre
a gravidez na adolescência: o número não-declarado de abortos. A proporção
encontrada foi de 24,9% entre as jovens.
Na defesa do acesso da população adolescente e juvenil a métodos contraceptivos,
é relevante considerar a Pesquisa Gravad também registrou que não
há necessariamente desconhecimento sobre as formas de proteção diante
do sexo. Há uso de preservativos em 70% dos casos na primeira relação
sexual. O ideal seria haver uma taxa maior já nessa primeira ocasião.
Contudo, quando o relacionamento entre jovens se estabiliza ocorre o abandono
da contracepção, o que certamente conduz à gravidez porque a camisinha
não é necessariamente substituída por outro método. Esse “abandono” é
indicativo de “confiança” entre parceiros diante do HIV/Aids, mas demonstra
principalmente que faltam campanhas sistemáticas de esclarecimento sobre
contracepção a ponto de possibilitar que jovens adquiram um conhecimento
consistente e sólido o suficiente para ser posto em prática em todas as
relações sexuais.
Os costumes sexuais se modificaram no Brasil nos últimos 40 anos, e hoje
a virgindade de uma mulher já não é mais um valor central. No entanto,
o cenário é paradoxal: o clima de interdição nas conversas sobre sexualidade
dentro da família é praticamente o mesmo. Há pouco debate aberto e promovedor
de reflexão sobre a sexualidade. O ambiente social de discussão também
não se modificou: faltam diálogos sem hipocrisia e sem as tentativas de
intromissão das igrejas sobre o seu conteúdo. A necessidade de uma
reflexão coletiva sobre as razões do fenômeno que gera a gravidez na adolescência
deve se pautar por argumentos de caráter objetivo e que nao adotem moralidades
particulares, mais sim universais. Por exemplo, os discursos religiosos
sempre pregam a abstinência sexual antes do matrimonio. Contudo, vale
lembrar que no Brasil aumenta entre os jovens o número dos que se declaram
sem religião (Censo, 2001). Nesse sentido, uma perspectiva religiosa
sobre o inicio da vida sexual com parceiro terá efeito pouco exepressivo
entre os jovens.
Nas escolas, não se trata abertamente o tema de contracepção e a educação
sexual ainda não é prioridade, e esse seria um importante meio de prevenir
a gravidez na adolescência. A educacão sexual deve possuir um conteudo
que vá alem da descricão do funcionamento do aparelho reprodutivo; precisa
conter uma reflexão sobre o contexto de desenvolvimento das relações amorosas
e sexuais que são tão importantes nessa etapa da vida; necessita de uma
abordagem social que ajude aos adolescentes refletirem sobre as relações
de gênero que orientam a entrada na vida sexual com parceiro e a tomar
contato sobre a assimetria de gênero entre rapazes e moças que muitas
vezes impede a negociação da proteção nas atividades sexuais. Não
discutir contracepção é permanecer cego diante do fato de que as relações
sexuais de jovens e adolescentes são legítimas e constituem um direito.
Reconhecer que o exercício da sexualidade constitui um direito não significa
dizer que as decorrências desse possivel exercício (para quem quer fazê-lo)
não devem ser aventadas e discutidas. Aceitar a idéia dos direitos
sexuais juvenis não re´presenta defesa da “promiscuidade”
e de uma erotizacão precoce. A adolescência é um período da vida em que
colegas e pares passam a ganhar mais importância, e isso faz parte do
processo de construção da autonomia dos jovens diante da família, na busca
de suas singularidades.
Pesquisas sobre comportamento sexual no Brasil assinalam uma maior aproximação
do calendário de iniciação sexual entre os sexos, o que é um bom indicador
da mudança de mentalidade acima retratada. A iniciação sexual passou
a se dar entre namorados, e só uma pequena minoria de rapazes tem suas
primeiras relações com profissionais do sexo. São transformações importantes
que dizem respeito aos costumes sexuais. O exercício da sexualidade fora
dos limites de uma união tornou-se amplamente aceitável, em que pese a
insistência das doutrinas religiosas em pregar a abstinência antes do
matrimônio. Pelo menos nos grandes centros urbanos, uma moça não é mais
estigmatizada por não ser mais virgem como algum tempo atrás. Vale lembrar
que o clima de reprovação social ignora mudanças no entendimento social
sobre a juventude. Há uma expectativa de prolongamento do tempo de estudo,
do retardamento do início da vida reprodutiva e uma aceitação do exercício
da sexualidade na adolescência.
O que parece quase natural para famílias de menor poder aquisitivo, é
estranho para classe média e alta - entre as primeiras a reprodução é
muito bem recebida, já que existe uma grande valorização da família na
sociedade brasileira, sobretudo em grupos populares. Mesmo não prevista,
a gravidez dá lugar a uma conversa entre os parceiros e não necessariamente
os rapazes fogem à responsabilidade. Nas camadas populares, é motivo
para união e conta com o apoio das famílias. O quadro, portanto, não
de anomia. Nem os números são assim tão assustadores: a Pesquisa Gravad
identificou que, entre as jovens de 18 a 24 anos, 29,5% tiveram filhos
antes dos 20 anos e 16,6% antes dos 18 anos. O percentual das que tiveram
filhos antes dos 15 anos é de apenas 1,6%. Quando se trata de homens,
os percentuais caem para 21,4% antes dos 20 anos, 8,9% antes dos 18 anos
e insignificante 0,6% antes dos 15 anos. A citação desses números
torna-se importante em razão da disseminação de un discurso neo-malthusiano
no Brasil que atribui à maternidade adolescente a condição de uma
“epidemia” (sic) Mais ainda, constrói-se um raciocínio, sobretudo nos
meios de comunicação, que essas jóvens são ao responsáveis pela proliferação
de mais individuos “carentes”; eufemismo corrente no Brasil para tratar
de possíveis delinquentes futuros. Arma-se uma argumentação em que a pobreza
no pais, fruto de uma distribução de renda extremamente desigual, é resultado
do crescimento demográfico dos pobres.
Em um país que enfrenta problemas significativos de aumento de violência
urbana, certamente também relacionada à pobreza, as adolescentes-mães
passaram a ser alvo de intensa recriminação social. Esse quadro revela
o que a sociologia tem chamado de pânico moral. Quando as condições de
vida em uma sociedade são consideradas não satisfatórias surge um clima
social que relaciona tal situação à dissolução moral, à falta de autoridade
na família, à redefinação de papéis de gênero e ao exercício da
sexualidade em novos termos. Dentro dessa lógica (de pânico moral) se
as formas tradicionais de regulação da sexualidade fossem restabelecidas,
o mundo voltaria a encontrar a “ordem”. Pânico moral é a mais visível
demonstraçao da onda conservadora e retrógada da recente contemporaneidade.
Nota:
Accesar a www.clam.org.br para maiores informações a
pesquisa Gravad mencionada no texto.
Sobre
la autora
Maria Luiza Heilborn. Antropóloga, Coordenadora do Centro Latino
Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (Clam /IMS/UERJ)
*Este artigo foi publicado em versão reduzida no Jornal o Estado de
São Paulo em 15/02/05
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Disminución
del deseo sexual en la mujer de edad mediana:
¿Realidad o mito?
Por Leticia Artiles Visbal
El mito de la disminución del deseo sexual con la menopausia
El mito es una explicación de la realidad determinada por ciertas convicciones
religiosas o filosóficas, de modo que en todo mito hay, siempre junto
al elemento imaginario o fantástico, un contexto histórico objetivo. Según
Levi-Strauss (1970), un mito expresa sentimientos fundamentales, cada
sociedad expresa sus sentimientos más puros como mitos, de esta manera
la mitología se considera o interpreta como un reflejo de la estructura
social. El mito, nace con el ser humano a partir del reflejo incompleto
y distorsionado de la realidad objetiva por la ignorancia y el miedo (García
Gallo, GJ. 1978).
En nuestra sociedad existen un conjunto de mitos (Maureen M, 1990) que
revelan la condición histórica de las mujeres: el de “las dos cabezas”,
el de la “supermujer”, el de “la dependencia”, entre otros, que se expresan
bajo diferentes coberturas según etapas del ciclo de vida. En la medida
que evoluciona la sociedad, este complejo sistema de comportamientos humanos
genera una suerte de explicaciones que tienden a mantener diferencias
en el accionar de mujeres y hombres, y devienen en mitos que culturalmente
tienden a ser inamovibles encubriendo con la naturalidad lo que
corresponde a la culturalidad
[1] (Cardaci, Dora, 1990)
Dentro del ciclo de vida voy a referir un mito muy frecuente vinculado
con la mujer de edad mediana, etapa caracterizada por el tránsito de
la fase reproductiva de su ciclo biológico a la no reproductiva. El mito
al que me referiré es el de la “disminución del deseo sexual con la menopausia”.
El propósito es develar como se involucran los significantes estructurales
en la elaboración de un mito cuya base real está en la conducta cotidiana
de las mujeres en la edad de la menopausia.
Para obtener la información se realizó un estudio en 150 mujeres, de las
cuales, 30 refirieron disminución del deseo sexual y lo atribuyeron a
que se encontraban en el climaterio, es decir, a su entender "el
deseo sexual disminuía porque habían llegado a la menopausia, y la menopausia
era la responsable de tal comportamiento".
Conocido que desde lo biológico, no existe una modificación sustantiva
de los andrógenos, que son las hormonas que rigen el deseo sexual cuando
se ha llegado a la menopausia, o que la frecuencia con que se presenta
en las mujeres es baja sobre todo en la perimenopausia; en la postmenopausia
tardía [2] aparece en cierta medida pero más por la molestia
biológica de la atrofia urogenital (Palacios S, Menéndez C, 1998), y de
forma más particular en la perimenopausia, habría que suponer que éste
no debe modificarse. Cabe preguntarse ¿por qué en diferentes culturas
se construye este mito?, ¿Es una realidad biológica o un condicionamiento
cultural? Del discurso de las mujeres se identificó:
...yo no tengo deseos, pero tengo que hacerlo, para eso es el matrimonio
.. yo no lo deseo, pero lo hago para que él se sienta bien. Él no se
da cuenta de nada
.. yo no quiero que me toque, pero él me dice que tengo otro
.. no tengo deseos, pero tengo que hacerlo porque ahorita aparece otra
..tengo molestias, sequedad en mis partes, pero yo no se lo digo
.. yo finjo para que él no se de cuenta, y lo hago más bien
La lectura de estas frases, nos muestran, que tras el mito de la “disminución
del deseo sexual” existen otros subyacentes. En las declaraciones
precedentes se identifica claramente el de "la dependencia y de
la inferioridad femenina”. Estas mujeres entrevistadas tienen nivel medio
y superior de escolaridad, presentan buenas condiciones de vida y en su
mayoría son trabajadoras; incluso, en algunos casos ocupan espacios importantes
de poder en el mundo público. Sin embargo, en su relación de pareja, aún
sin desearlo, refieren la obligatoriedad del vínculo sexual, han interiorizado
la conducta del “cuerpo de otros”, y expresan la ausencia de control sobre
el recurso “cuerpo”.
Al analizar el contenido del discurso de la entrevista, detrás de estas
referencias pudimos identificar, entre otros:
- Una historia de la relación de pareja no positiva,
- Persistencia del matrimonio por costumbre, por
el cuidado y mantenimiento de los hijos y de la familia.
- Falta de decisión para dejar la pareja después
de muchos años de convivencia
- Falta de comunicación. Nunca le confiesa a su
pareja el malestar que siente y "finge" una relación placentera,
culpándose de su malestar
Otros mitos subyacentes son: el del “dragón de dos cabezas”
y el mito de la “supermujer”
En algunas de estas mujeres la disminución del deseo sexual se localiza
en el ejercicio de múltiples roles, son trabajadoras, muchas de ellas
profesionales, que tienen a su cuidado hijos, nietos, ancianos o enfermos,
y que comparten casi en igualdad de demandas y ejercicio el espacio
profesional con el doméstico, esto genera una fatiga y un cansancio,
un estado de estrés por la constante contradicción entre la "cabeza
profesional" que exige su tiempo a la "cabeza ama de casa",
a la "cabeza abuela", a la "cabeza cuidadora".
Estas propias exigencias que conviven en la misma persona, y que en
la estructura social en que se desempeña, le hace cumplir con igual
eficiencia, le generan un estado de estrés, que sí contribuye a la disminución
del deseo sexual, con mucha mayor fuerza que los ajustes hormonales
propios de esta etapa de la vida.
Esta suerte de sobrecargas asignadas y asumidas, que entre sus salidas
tiene la disminución del deseo sexual, están sustentadas
en el condicionamiento de género. El mayor problema es que estas
cargas culturales asignadas, son asumidas de tal manera que la mujer
no identifica que allí está la razón de su problema.
Ella achaca la dificultad "cómodamente" a la menopausia
y evita enfrentarse a la realidad, la que tiene que ver con el rescate
de su papel y empoderamiento para buscar una relación equitativa
dentro de los espacios de su legítima sexualidad – placer,
por encima de su sexualidad -reproducción.
Cómo se construye el mito de la disminución del deseo sexual con la
menopausia
Como es conocido la menopausia es la etapa de la vida de la mujer en
que se pierde la capacidad reproductiva. En el proceso de la sexualidad
se produce una primera asimilación, también vinculada con el modelo
biocultural de género, en que se relaciona la relación sexual como vehículo
determinante para la reproducción, es decir, el acto sexual para la
reproducción. De esta manera la mujer, cuerpo-reproducción, es el reservorio
natural para generar la nueva vida.
La menstruación es la expresión externa de que la mujer está en plena
capacidad reproductiva, por tanto el cuerpo-reproducción está en plenitud.
Hay patrones culturales en donde este es su único fin, sujeto de reproducción,
eliminando del escenario el cuerpo-placer, convirtiendo a la mujer
de sujeto en objeto de reproducción, solamente.
La menopausia representa el cese de la menstruación y consecuentemente
de la capacidad reproductiva, esto es objetivo, real, biológico. El
mito se debe haber estructurado sobre la base siguiente: si se pierde
la capacidad reproductiva, y ese es el fin por el que se mantiene la
relación sexual, con la pérdida de esta función disminuye el mismo,
por tanto, la menopausia disminuye el deseo sexual.
La formula condicional “no capacidad reproductiva = no deseo sexual”
constituye el cimiento sobre el que se estructuran una serie de comportamientos
sociales como expresión del modelo biocultural de género, y que se elaboran
en diferentes espacios culturales de similar manera. Las mujeres, en
la medida que van ocupando nuevos espacios necesitan una mayor capacidad
de respuesta física y psíquica para dar el frente a la multiplicidad
de roles asignados y por ellas asumidos, y no siempre están conscientes
de las sobrecargas generadas por la multiplicidad de funciones ni de
estructurar las estrategias que permitan una repartición consecuente
de éstos para lograr una mayor equidad, de esta manera el mito de “la
disminución del deseo sexual” deviene en tabla salvadora, por una parte,
en una suerte de estrategia de sobrevivencia; por la otra, el atribuir
a la menopausia (factor biológico) la responsabilidad de la disminución
del deseo, lo hace inmutable; si se asignara a la sobrecarga social,
habría que modificarlo por una relación mas equitativa entre los sexos,
y «de esto no se habla», porque se entrama en una lucha de poderes
en lo privado, y porque denota el insuficiente dominio del “recurso
cuerpo” en el desarrollo de la autonomía a nivel consciente de las mujeres
de edad mediana.
Se trata pues, de preparar a las mujeres para asumir este proceso en
el mundo de hoy con la capacidad de convicción de que el reparto equitativo
de funciones puede favorecer una mayor calidad de vida para todos y
todas. Contribuyen a estas capacidades: el empoderamiento, el fortalecimiento
de la autoestima, el desarrollo de la conciencia de que el tiempo de
“ellas” debe ser preservado, que son dueñas absolutas de su cuerpo y
deseos. En general se trata de favorecer una concientización para ellas,
nosotras; de sensibilización y toma de conciencia de “los otros/as”
y favorecer una nueva plataforma de diálogo mas equitativa para la sexualidad
de las mujeres de edad mediana.
Bibliografía
1 Levi Strauss Claude. Antropología Estructural. Editorial de Ciencias
Sociales. Instituto del Libro, La
Habana. 1970.
2. García Gallo, GJ. La concepción mítico mágica de las sociedades
primitivas. Sus expresiones. Surgimiento de la religión, la ciencia,
la filosofía y otras formas de la conciencia social. Curso de Filosofía.
1978
3 Maureen M. Ser mujer un viaje heroico. Un apasionante camino hacia
la totalidad. Gaia Ediciones. España. 1990
4. Cardaci, Dora. Educación nutricional: mujeres culpabilizando a mujeres.
En: Mujeres y Medicina Universidad Autónoma Metropolitana-Xochimilco.
1990
5. Palacios S, Menéndez C. Guía de la menopausia. La necesidad de cuidarse.
Ediciones Pirámide S.A. España. 1998
Notas
[1] Vale la pena
destacar, que existen aspectos biológicos de la maternidad (como gestación,
el parto y la lactancia natural) que solo pueden ser llevados a cabo
por la mujer misma. Sin embargo, existen también aquellos aspectos sociales
de la maternidad (como el cuidado y crianza de los hijos) que aunque
puede ser asumidos por otras personas (el padre, el abuelo pueden alimentar
al niños) se han delegado históricamente en la madre, usando el argumento
de la "naturalidad". Se dice así que las madres "naturalmente"
saben como tratar a sus hijos, entender sus mensajes "ocultos",
reaccionar "instintivamente" a sus demandas y se funciona
como si todas estas conductas de las mujeres no fuesen producto de un
aprendizaje sino de una predisposición "innata" que no poseen
los hombres.
[2] Postmenopausia tardía: cuando han transcurrido
más de 5 años después de la menopausia. Entendiendo la menopausia según
la Federación
Internacional de Ginecología y Obstetricia (FIGO) como el estado alcanzado
después de 12 meses de amenorrea ininterrumpida secundaria al fallo
ovárico.
Sobre la autora
Dra. Cs. Leticia Artiles Visbal. Cubana, Licenciada en Ciencias
Biológicas, especialista en Antropología Física. Master en Antropología.
Doctora en Ciencias de la Salud, es Coordinadora de la Red Latinoamericana
de Género y Salud Colectiva ALAMES.
E-mail: leticia@infomed.sld.cu
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