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Artículos
- Em defesa da vida:
A questão das células-tronco embrionárias
Por Samantha Buglione
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- Y
finalmente, ¿quién decide?
Por Roxana Vásquez
- Estados Unidos
y el dominio del cuerpo sexuado
Por Timothy Frasca
Entrevistas
- “Tenemos
derecho a un buen nacimiento y una vida digna, también a una
buena muerte”
Entrevista a Susana Chávez |
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Artículos
Em defesa da
vida:
A questão das células-tronco embrionárias
Por Samantha Buglione
Ser “pró-vida” é afirmar que a vida humana é
sagrada e com isto intocável. O desafio consiste em definir o que
é vida humana e o que se entende por sacralidade, sem isto não
é possível dimensionar a “intocabilidade” da
vida como também se torna impossível resolver os conflitos
decorrentes deste debate.
O tema da vida e da morte é permeado de incertezas. O único
espaço capaz de acolher as dúvidas e dar segurança
absoluta aos conflitos decorrentes das inúmeras possibilidades
em definir vida humana é a fé. É o dogma religioso
que acolhe, promove a segurança e dilui as incertezas da ação
humana. Porém, em sociedades plurais, não totalitárias
ou teocráticas, que se caracterizam pela pluralidade de crenças,
seria o espaço da fé o mais razoável para diluir
conflitos que são públicos e comuns a todos? A questão
não é invalidar a importância da fé, mas observar
que a fé não é o espaço legítimo, em
sociedades democráticas, para definir os limites da ação
humana.
Dessa forma, voltamos à questão da incerteza como o marco
do debate sobre vida. Incerteza no sentido de ser exigido decisões
sobre um tema que não apresenta uma única resposta correta,
universal e atemporal. As explicações sobre vida humana
variam de acordo com os parâmetros morais, com a história
e com a ciência. Isso significa que as noções de vida
deste início de século poderão estar modificadas
nos próximos anos. Por um lado isso gera uma angustia na forma
de lidar com o problema, fazendo com que a precaução seja
um princípio a ser reconhecido. Porém, é preciso
observar que as decisões sobre o tema devem ser realizadas dentro
das condições técnicas e morais do momento em que
se vive.
Não é possível impor sobre gerações
futuras os preceitos morais atuais, como também não é
possível se subordinar aos preceitos das gerações
anteriores. Não se quer, com isso, dizer que a tradição
é um elemento de pouco valor, o que se quer afirmar é que
decisões da ordem da vida e da morte possuem a variável
em termos de definição, não em termos de valor. O
respeito à tradição está no reconhecimento
do valor da vida, o que também será a herança de
nosso tempo ao futuro. O que se afirma é que o “conceito”,
a “definição”, é que se alteram, principalmente
por uma combinação de fatores entre a moral, a história
e a tecnologia.
Uma vez fora da seara da fé, lugar das verdades universais, a temporalidade
do saber é o que caracteriza a ciência e as decisões
humanas. Uma verdade cientifica de hoje poderá ser refutada amanhã.
A aparente insegurança que esta temporalidade do saber pode promover
é o que caracteriza a sua cientificidade. É isso que possibilita
a continuidade de pesquisas e o incremento de novos elementos capazes
de redefinir certezas. A consciência da limitação
sobre o que é observado é o que garante a humildade necessária
para se decidir sobre a vida. A tolerância em relação
às diferentes crenças só é possível
quando se parte do pressuposto de que nenhuma crença é em
si a representação última do que é o mundo.
É no mundo das certezas que as maiores atrocidades ocorreram. Após
compreender o lugar no qual o debate sobre os limites da vida está
situado, ou seja, um espaço de mutabilidade, é que se pode
pensar o significado de ser pró-vida nos casos de células
troncos (stem cells), aborto, eutanásia entre outros temas que
envolvem vida e morte.
A vida sempre é um tema polêmico, mas não apenas por
um suposto valor em si, mas pelos dilemas que provoca, ou seja, pelos
diversos caminhos possíveis e legítimos para pensar a resolução
dos conflitos que o debate instaura. Isso significa que os atores que
integram esta discussão, muitas vezes, partem de valores ou de
“verdades” inconciliáveis.
Parte do conflito decorre do embate de diferenças princípios
e fundamentos; diferenças não estabelecidas em parâmetros
comuns, de ordem pública, mas definidas a partir das subjetividades
ou crenças morais. Mesmo que a ciência ofereça algumas
respostas, os sentidos agregados a elas irão variar conforme a
perspectiva do sujeito, dos seus paradigmas e convicções.
Ocorre que algo faz mais ou menos sentido na medida em que cria em maior
ou menor escala um sentimento de conforto -, que é determinante
para compreender o que está diante dos olhos. Não é
a técnica que dá sentido, mas o olhar, o lugar do observador.
Isso significa que a seara de discussão sobre os limites da vida
não ocorre no âmbito da técnica ou da ciência,
mas de crenças. O fundamentalismo que ocorre a partir disto é
que uma crença, ao contrário da técnica e da ciência,
não pode ser refutada. O ponto é que não há
diálogo quando se trata de dogmas.
Compreender e definir os limites e possibilidades das questões
sobre as células-tronco a partir do espaço das crenças
é buscar uma certeza em questões que se caracterizam pela
incerteza; além disso, é fazer com que um determinado dogma
de fé se sobreponha aos demais. Em sociedades plurais isso viola
o princípio básico da democracia e da tolerância.
Há uma diferença entre propagar uma fé e exigir que
um coletivo se submeta a ela. Quando a Igreja age na esfera do Estado
fazendo com que suas convicções sejam o parâmetro
para a ação da coletividade ela viola seus próprios
princípios: solidariedade, tolerância, livre-arbítrio,
compaixão.
O debate sobre as células-tronco está no mundo da incerteza
e da falibilidade, simplesmente porque não há uma única
definição sobre vida humana ou uma definição
consensuada. O que ocorre no caso das células-tronco é um
conflito entre supostos sentidos sobre a vida humana. Um deles é
a vida humana do embrião e outro a vida daqueles que irão
se beneficiar da tecnologia decorrente do uso das células-tronco.
Uma vez um conflito de crenças, interesses e necessidades uma escolha
deverá ser feita. Escolha está impregnada de incerteza é
vítima do seu tempo. Porém, para a tomada de qualquer decisão,
dois elementos são fundamentais: 1. conhecer e 2. eleger critérios.
Assim, cabe a pergunta: O que são células-tronco e células
tronco-embrionárias? Células-tronco é um tipo de
célula que pode se diferenciar e constituir diferentes tecidos
no organismo. As células-tronco se caracterizam, também,
pela auto-replicação, ou seja, elas podem gerar cópias
idênticas de si mesmas.
Por causa destas duas capacidades, as células-tronco poderão
funcionar como células substitutas em tecidos lesionados ou doentes,
como nos casos de Alzheimer, Parkinson e doenças neuromusculares
em geral, ou ainda no lugar de células que o organismo deixa de
produzir por alguma deficiência, como no caso de diabetes. As células-tronco
são classificadas como: a) Totipotentes ou embrionárias:
que conseguem se diferenciar em todos os 216 tecidos (inclusive a placenta
e anexos embrionários) que formam o corpo humano; b) Pluripotentes
ou multipotentes: que conseguem se diferenciar em quase todos os tecidos
humanos, menos placenta e anexos embrionários (alguns trabalhos
classificam as multipotentes como aquelas com capacidade de formar um
número menor de tecidos do que as pluripotentes, enquanto outros
acham que as duas definições são sinônimas);
c) Oligopotentes: que conseguem diferenciar-se em poucos tecidos e d)
Unipotentes: que conseguem diferenciar-se em um único tecido. O
problema está nas células totipotentes e pluripotentes (ou
multipotentes) que só são encontradas nos embriões.
As totipotentes são aquelas presentes nas primeiras fases da divisão,
quando o embrião tem até 16 - 32 células (até
três ou quatro dias de vida). As pluripotentes ou multipotentes
surgem quando o embrião atinge a fase de blastocisto (a partir
de 32 -64 células, aproximadamente a partir do 5.o dia de vida)
- as células internas do blastocisto são pluripotentes enquanto
as células da membrana externa do blastocisto destinam-se a produzir
a placenta e as membranas embrionárias.
A questão que envolve o debate sobre vida e células-tronco
centra-se no reconhecimento de proteção à vida das
células humanas quando dos primeiros cinco dias de vida e proteção
à potencialidade destas células em, no futuro, “viver
a vida” enquanto ser humano. A questão é que no conflito
entre esta proteção à vida e vida que poderá
ser salva mediante as pesquisas com células-tronco é que
reside a escolha. Qual dos dois direitos deverá ser preterido?
Qual o critério desta escolha? Do ponto de vista moral os critérios
variam; o risco é que algumas justificativas morais, por questões
de poder ou econômica, se sobreponham a outras. Assim, a melhor
forma de decidir este conflito não é através da escolha
de uma ou outra justificativa moral, mas, ao reconhecer a validade das
diversas justificativas, pensar, a partir do caso em questão, qual
alternativa será a mais razoável.
Em outras palavras, seria razoável, em nome da proteção
à vida de um corpo de células humanas de cinco dias limitar
o estudo e a possibilidade de cura de seres humanos com uma biografia
e história? Destaca-se que o embrião humano, de cinco dias,
é, tecnicamente chamado de blastócito, que ainda não
foi totalmente implantado à parede do útero, o que somente
ocorre entre seis a oito dias após a fertilização.
Cabe perceber, que o que caracteriza este blastócito (estas células
humanas) como um ser humano, cuja vida deve ser preservada de forma absoluta,
não é a ciência, tampouco os dados da natureza, mas
a fé. O princípio da razoabilidade ou proporcionalidade
nos exige pensar, nesta situação em concreto: a de proibir
ou não as pesquisas em células-tronco embrionárias
o que deve ser compreendido como mais relevante: a proteção
à esta vida ou a pesquisa.
O que há são duas ordens de argumentos: a) àquela
que, a partir do princípio da precaução e da “ladeira
escorregadia”, nega a permissão destas pesquisas, justificando
que, com isso, toda e qualquer manipulação sobre a vida
humana será possível e b) a que, considerando a real possibilidade
de cura de seres humanos que vivem, por uma questão de razoabilidade,
a vida destes deve ter prevalência em relação ao direito
à vida destes embriões. Não se está dizendo
que a vida de um ser humano em estágio de blastócito não
tem relevância, o que se afirma é que esta relevância
não pode, com base no mesmo principio do direito à vida,
se sobrepor a relevância dos direitos das pessoas já vivas,
no caso, na possibilidade de cura de suas enfermidades. Assim, não
se busca uma definição última sobre vida humana,
mas se defende que, em situações concretas, alguns direitos
irão ter maior relevância que outros. O mesmo ocorre em situações
como legítima defesa e estado de necessidade, nas quais tirar a
vida de outro não implicará em punição.
Estas situações estão presentes em diferentes sistemas
de Direito, inclusive nos de países que proíbem o aborto.
Isso permite concluir que mesmo a vida sendo um direito, sendo sagrada,
não é um direito absoluto; uma vez que haverá situações
em que a vida de um poderá prevalecer sobre a de outro, a legitima
defesa é um destes exemplos. Nesse sentido, a pergunta final é
sobre “qual vida estamos defendendo e por quê”.
O que me incomoda é perceber que a vida de uns vale tão
pouco em relação à vida de outros, mesmo que estes
outros ainda não existam; mas a mera potencialidade de sua existência
justifica o pouco cuidado ou a total falta de comoção com
a morte de outros muitos.
Sobre la autora
Samantha Buglione, 28, Bacharel e Mestre em Direito pela PUCRS, Doutoranda
em Ciências Humanas na Universidade Federal de Santa Catarina e Professora
de Introdução ao Direito, Criminologia e Bioética na
Univali/SJ.
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Y
finalmente, ¿quién decide?
Por Roxana Vásquez
Haré referencia a un intenso debate llevado a cabo en Perú,
en torno a la decisión de la Ministra de Salud de incorporar dentro
de la oferta pública de métodos anticonceptivos la llamada
anticoncepción oral de emergencia.
Resulta curioso en este país, que los discursos hayan hecho mucho
énfasis tanto en el respeto a la Constitución y al orden
legal vigente, como en la rigurosidad científica para demostrar
la idoneidad del producto; la batería argumental ha tenido como
un centro de preocupación demostrar si la píldora es o no
es abortiva, dependiendo naturalmente de las visiones expuestas al debate.
Palabras como concepción, anidación y fecundación,
saturaron el discurso de los primeros días; largas, interesadas
y complicadas explicaciones sobre el recorrido de los espermatozoides
hasta llegar al óvulo ocuparon penosamente parte central del debate.
También, es muy importante reconocerlo, aparecieron las cifras
alarmantes de los abortos clandestinos en el Perú, reportajes a
niñas y adolescentes embarazadas, impactándonos con esta
imagen conmovedora y violenta a la vez de niñas – madres.
Se habló del doble estándard y su inaceptable sesgo discriminador:
las mujeres con recursos pueden ir a una farmacia y comprar estas píldoras,
las que no cuentan con dinero no pueden y se ven enfrentadas a abortos
clandestinos en condiciones de alto riesgo, o a tener embarazos no deseados.
Pasaron los días y nuevos argumentos fueron llegando a los medios
de comunicación:los mecanismos de acción de la píldora
del día siguiente no están suficientemente claros: la Ministra
de Salud está presionada por la industria farmacéutica,
etc.
Resulta tanto increíble como indignante, que las mujeres casi no
aparezcamos como los sujetos principales que somos en este asunto. Pareciera
que el embarazo es un hecho abstracto, que puede verse, analizarse y sobretodo
decidirse, independientemente del cuerpo y la subjetividad de quien lo
porta. He leído y escuchado asombrada como se deshumaniza el debate
en nombre de la vida: ¿es posible defender con tanta pasión
la concepción y a la vez sentir tanto desprecio cuando no indiferencia
por esas personas de carne y hueso que somos las mujeres?
Es preciso que se entienda que sólo nosotras conocemos vivencialmente
el significado de la palabra embarazo y sus infinitas claves
tan abismalmente distintas si es deseado o si es forzado. En estos días
un señor muy conocido escribía en un medio de comunicación
una barbaridad de enorme insensibilidad, se preguntaba por qué
las mujeres no podrían dar en adopción a sus hij@s no deseados
y así lograr para ell@s un lugar confortable con parejas que no
pueden tenerl@s. Este comentario me hacía recordar a monseñor
Durand, quien tenía la misma idea así como la misma imagen
de mujer vientre al servicio de otr@s que todavía nos persigue.
Se ha llegado a un consenso científico acerca de que este anticonceptivo
no es abortivo y por tanto se encuentra dentro del orden legal, pero no
podemos obviar la realidad que se trata negar: Más de 400,000 mujeres
abortan cada año en Perú. Hay por tanto varias preguntas
que quedan haciendo eco luego de esta decisión gubernamental, y
una que para mí tiene mucha importancia es ¿quién
debe decidir la interrupción de un embarazo? O, dicho de otra manera
¿quién ó quiénes tienen la titularidad ética
para hacerlo?
Quienes se amparan en la defensa del orden constitucional, deben saber
que esta es una respuesta parcial. Los órdenes constitucionales
como todas las leyes son creaciones históricas. No son inmutables,
cambian con los tiempos y son expresión de las disputas de poder
de cada época. También deben saber que el aborto no fue
un delito sino hasta el siglo XIX. Pero además nuestro país
ha ratificado un conjunto de normas internacionales de derechos humanos
que consideran los derechos de las mujeres en una ecuación bastante
más compleja y sobre todo más humana que la que hemos escuchado
en estos días, en particular de los sectores más conservadores
y misóginos. La normatividad internacional de derechos humanos
se preocupa por derechos como la intimidad, la autonomía, la salud,
la integridad, el libre desarrollo de la personalidad, la información,
entre otros, y no se centra en la microscópica ruta de un espermatozoide
en busca de un óvulo que fecundar. Coloca a la mujer como sujeto
de derechos y no como un vientre bajo tutela, entiende que en el caso
de un conflicto de intereses y de derechos, el Estado tiene la obligación
de ponderar estos intereses en conflicto.
Quienes se amparan en la defensa de la vida deben saber que la discusión
sobre la vida no es tan elemental como pretenden. Las decisiones respecto
a cómo las sociedades definen el inicio y el fin de la vida están
basadas en razonamientos de tipo filosófico, ético y político,
y así han sido marcadas a lo largo de la historia. En una verdadera
democracia o en una sociedad que pretende ser democrática, esta
decisión crucial debería ser el resultado de un auténtico
debate público, en donde la información venza al prejuicio
y a la manipulación, la diversidad de experiencias vividas y compartidas
prevalezca sobre la imposición del pensamiento único, en
donde la reflexión y la actitud dialogante sean la opción
frente al dogma y a las posiciones y actitudes fundamentalistas. No necesitamos
extrapolar, necesitamos dialogar, intercambiar, escuchar, sentir. Nadie
tiene la verdad, ella, si es que acaso existiera en estos terrenos, todavía
está por construirse.
Quienes se amparan en Dios también deben saber que esta creencia
es tan respetable como no creer en ningún Dios o en otro distinto
(aunque la negación de las otras iglesias nos haga hablar de la
iglesia católica en mayúscula y singular). Por esta razón
un dogma de fe sólo vale para sus creyentes, no podría extenderse
bajo ningún argumento a toda la ciudadanía y menos aún
servir de base para definir una política de Estado. Ahora, pensando
en l@s católic@s, debemos recordar que esta doctrina se ancla en
el concepto del libre albedrío, ya sé que parece increíble
que así sea, en particular cuando escuchamos al cardenal Cipriani,
pero es así. Ello quiere decir que la titularidad moral está
en cada sujeto, es decir en cada conciencia, lo que significa que somos
los seres humanos los que asumimos nuestras responsabilidades y finalmente
nos hacemos cargo de nuestras decisiones. De otro lado, también
es necesario recordar como dato que el aborto no fue pecado sino hasta
el siglo XIX.
La decisión sobre la vida constituye un asunto de central importancia
en la organización de toda sociedad. Reconozcamos entonces su complejidad,
no evitemos su debate pero coloquémonos sinceramente a la altura
de las circunstancias, depongamos el miedo, el prejuicio, exploremos los
significados y las consecuencias de hablar y actuar desde una doble moral.
Discutamos desde nuestras visiones pero con los ojos en nuestra realidad,
venciendo los miedos atávicos de la diferencia, humanizándonos
e igualándonos, intentando integrar el corazón y la razón.
Recordemos que este es un asunto que le compete de manera central a la
democracia.
Lima, 24 de junio de 2004.
Sobre la autora:
Roxana Vásquez Sotelo, es peruana, feminista, abogada. Integrante
del Comité Latinoamericano y Caribeño de Defensa de derechos
de la Mujer, CLADEM. Coordinadora de la Campaña Regional que impulsa
la Convención Interamericana por los Derechos Sexuales y Derechos
Reproductivos. Integra el Comité Asesor Regional del Proyecto Sexualidades,
Salud y Derechos Humanos para América.
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Estados
Unidos y el dominio del cuerpo sexuado
Por Timothy Frasca
El autor, quien después de más de 20 años en Chile,
volvió en 2004 a Estados Unidos, su país natal, ofrece las
siguientes reflexiones como preámbulo de un intento de entender
la creciente teocratización de ese país.
Habeas corpus: ‘tenga el cuerpo’—es el derecho
de un detenido de exigir, personalmente o a través de su abogado,
comparecer ante un juez para determinar la causa de su detención.
De no haber ninguna, el habeas corpus exige que sea puesto en
libertad. Es probablemente la garantía occidental más antigua
de la integridad del ser humano y en la jurisprudencia anglosajona data
de una época muy anterior a la noción moderna de igualdad
entre seres humanos, probablemente del siglo XIII.
La garantía de habeus corpus fue tan importante para los
colonos norteamericanos rebeldes del siglo XVIII, que fue incorporada
a la constitución original de los Estados Unidos, donde no aparece
ni la libertad de expresión, ni la de privacidad, ni la de religión.
Todos éstos fueron agregados posteriormente en la Carta de Derechos.
Después de los acontecimientos del 11 de septiembre, los estadounidenses
del siglo XXI demoraron sólo días en entregar ese derecho
de siete siglos al poder político. Con el beneplácito de
sus representantes elegidos, el presidente Bush declaró que los
individuos capturados en las guerras por venir de Afganistán e
Irak, serían ‘combatientes ilícitos’, quitándoles
de un plumazo cualquier derecho como prisionero de guerra.
Mis coterráneos le dijeron a su Estado: tenga mi cuerpo. Pero
protéjamelo.
Al mismo tiempo, Bush desconoció las Convenciones de Ginebra para
normar las conductas del mundo civilizado en tiempos de guerra, consensuadas
luego de los crímenes nazis. En los diarios se empezó a
debatir cuándo y bajo cuáles condiciones se deberían
torturar a los potenciales terroristas. El debate mismo fue una señal
de permiso y acto seguido, los sospechosos fueron torturados.
La posesión del cuerpo propio es la clave de la libertad y no es
accidente que precisamente esta disputa de propiedad constituya el núcleo
de la batalla ideológica actual en el país. Bush estimula
a su ejército a conquistar nuevas tierras para ‘la libertad’,
con referencias explícitas a la voluntad de Dios, que él
conoce e interpreta. Simultáneamente, exige ejercer un singular
dominio sobre el cuerpo de sus propios súbditos, a través
de nuevas restricciones sobre las funciones sexuales y reproductivas,
sobre el nacimiento y la muerte.
Los autores de los malabarismos legalistas para justificar la tortura,
fueron ascendidos a los más altos puestos políticos, como
el actual Ministro de Justicia Alberto González (héroe de
la población hispana, por haber logrado semejante éxito),
esto a pocas semanas de las revelaciones de las torturas en Abu Graibh.
No accidentalmente, tales torturas tenían un fuerte componente
de agresión, humillación y exhibicionismo sexuales.
Hoy en los Estados Unidos, no hay habeas corpus para los enemigos
internos ni externos. Se ha instalado el primer requisito para cualquier
sistema dictatorial. Con el apoyo más bien entusiasta del pueblo,
Bush se ha investido de mayores poderes sobre el cuerpo humano que los
monarcas de la Edad Media, en nombre de la libertad.
A mi entender, esta paradójica situación tiene algo importante
que decirnos sobre el momento histórico que estamos viviendo.
+++
¿Acaso los iraquíes no tienen el derecho de vivir en ‘libertad’?
pregunta el presidente con estudiada inocencia. La palabra resurge en
su retórica una y otra vez. Los atentados diarios son atribuidos
al enemigo que obra sin mayor lógica que su ‘odio a la libertad’.
En el campo de batalla interna, la libertad se manifiesta también
como una lucha sobre la posesión del cuerpo. El caso de Terry Schiavo
es el más emblemático: una mujer joven de Florida estuvo
en coma con muerte cerebral desde hace más de una década.
Su marido la quiso desconectar mientras los padres de la víctima,
avivados por fundamentalistas y políticos de ultraderecha, resistían
con todo posible argumento legal. El poder judicial no vio razón
alguna para mantenerla artificialmente viva y dio al marido autorización
para proceder.
De repente, el caso irrumpe como foco de la intensa cruzada evangélica:
¡salvemos la vida de Terry! Hijos de fanáticos hacían
guardia fuera del hospital, tratando de llevar vasos con agua a la señora,
mientras creyentes se congregaron en rondas de oraciones públicas
para exigir que el cuerpo vegetativo de la mujer fuera reanimado y alimentado
por máquina hasta que se manifestara la voluntad de Dios.
Jeb Bush, gobernador y hermano del presidente, amenazaba con desconocer
los fallos y tomar posesión del cuerpo a través de la policía
estatal. El congreso federal legisló nuevas oportunidades judiciales
para los padres, pasando por encima de dos siglos de precedentes republicanos.
Cada vez más, Bush actúa con base en una visión teocrática
del Estado, con el movimiento fundamentalista/evangélico clamando
cada vez mayor conformidad con sus postulados. Uno de los dirigentes principales
de los religiosos, James Dobson del Focus on the Family, llama a restaurar
la pena de muerte para los abortistas y los sodomitas, sin despertar comentarios
irónicos sobre su parecido con Osama Bin Laden. Tampoco está
bromeando.
Para los que dominan la política estadounidense actual, el cuerpo
pertenece a Dios, cuya voluntad es conocida por la religión y el
Estado. Abogan abiertamente por llevar esta libertad de sumisión
al Medio Oriente a punta de bayonetas, para que los musulmanes puedan
adoptar el cristianismo. Si termina en una guerra apocalíptica
mundial, será signo de que hemos llegado a los últimos tiempos
y que esté por llegar el Mesías. Pues, tanto mejor.
Juro que no estoy exagerando.
¿Qué conclusiones podemos sacar de este insólito
cuadro de oscurantismo, espejo fiel del fundamentalismo islámico?
No pretendo entender bien los fenómenos aquí descritos;
sólo ofrezco observaciones iniciales:
Las campañas de la ultraderecha religiosa-fascistoide, no apuntan
al bienestar del ser humano ni se preocupan por éste. Tales argumentos
no tendrán eco alguno en ella.
No les interesa si sus enfoques y políticas producen más
sufrimiento, porque su fin no es de mejorar la vida en la tierra sino
exaltar a Dios, cuya voluntad incluye premios y castigos. Si hay más
enfermedad, muerte, discriminación y estigma, así sea. Los
que obedecen estarán a salvo.
Su estalinismo sexual refleja graves y profundas inquietudes sobre el
cuerpo sexuado propio, que se resuelven con el acto de rendir toda responsabilidad
al grupo y refugiarse en cuadros pre-establecidos de conducta, sentimiento
y creencia.
La transacción—la idea de ceder en alguna cosa y ganar en
otra como modalidad de la política—no entra en su diccionario.
Dios no hace las cosas a medias; ellos tampoco. El procedimiento de Bush
refleja esta postura: declarar lo correcto y perseguir, sin retroceder
jamás. No preocuparse de que haya una muralla por delante porque
la fe mueve montañas.
Dios nos salve.
Tim Frasca
Sobre el autor
Periodista estadounidense residente en Chile desde hace 20 años.
Ha participado en la fundación de la Corporación Chilena
de Prevención del Sida, el primer grupo GLBT vinculado al VIH/SIDA
a fines de los años 80 y fue su director ejecutivo durante siete
años. En 2001 fundó CIPRESS para responder a la creciente
epidemia de VIH/SIDA entre mujeres en Chile y construir vínculos
entre la reivindicación GLBT y la promoción de los derechos
reproductivos y sexuales. Estudia actualmente un Magister en Salud Publica
en la Universidad de Columbia (Nueva York).
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“Tenemos
derecho a un buen nacimiento y una vida digna, también a una buena
muerte”
ENTREVISTA
Ciudadanía Sexual, entrevistó a Susana Chávez, peruana,
activista feminista. Es Obsteriz con Magíster en Salud Pública.
Directora del Centro de Defensa y Promoción de los Derechos Sexuales
y Reproductivos -PROMSEX. Integra la Mesa de Vigilancia Ciudadana por
los Derechos Sexuales y reproductivos.
A partir de sus reflexiones y subjetividades, al decir de ella misma,
aborda temas referidos a la Eutanasia, la vida digna y la muerte digna.
Respecto a la eutanasia reconoce la necesidad de agotar todos los mecanismos
antes de llegar al último recurso. Señala que una vez superados
todos estos medios y la muerte cerebral es inevitable o está demostrada,
entonces por lo menos, se debe permitir una muerte digna.
Al abordar el caso de Terry Schiavo, en Estados Unidos, Chávez
califica lo sucedido como resultado de una campaña “pro vida”,
una tragedia personal y familiar manipulada al extremo para obligar a
autoridades y a la opinión pública a asumir una postura
de defensa de la vida como un valor absoluto. Dice que, afortunadamente
desde el punto de vista legal, este camino fue cerrado, para dar paso,
a un concepto de vida digna que incluye no sólo la supervivencia,
sino la integridad psico-física, vinculada a la viabilidad y dignidad.
Estas son sus respuestas.
Ciudadanía Sexual: ¿Cómo definiría la
eutanasia y cómo la diferenciaría de otros procesos?
Quisiera, en primer lugar, señalar en que no soy una experta en
el tema y que mi punto de partida, son mis propias reflexiones y subjetividades.
Considero que abordar temas tan vinculados a nuestra existencia, trae
también consigo nuestros propios conflictos. Soy de las que celebran
la llegada de un hijo/a deseado/a o, finalmente aceptado, ocurra esta,
de manera espontánea, asistida con tecnología reproductiva
o a través de una; pero soy también de las que se estremecen
frente a la muerte y de las que se aterran de un cuerpo inerte (confieso
que emplee todas las triquiñuelas que una estudiante puede usar,
para eludir mis prácticas de medicina legal en la morgue). Con
estas limitaciones, considero que al igual que tenemos derecho a un buen
nacimiento y una vida digna, también tenemos derecho a una buena
muerte y en lo posible, a elegir el momento, sobre todo cuando se trata
de dar término a un sufrimiento que ya no se quiere soportar.
Para mi, la muerte voluntaria, sea con los propios medios o con la ayuda
piadosa de otros/as, como último recurso, no debería ser
negada y debería brindarnos la posibilidad de mantener la esencia
de nuestra propia dignidad. No creo en el concepto absoluto de la vida
ni que el control deba estar en otros. Tampoco creo en la extensión
artificial de la vida a toda costa, sobre todo cuando no hay probabilidades,
de recuperar la conciencia. Igualmente, considero que después de
un diagnóstico de muerte cerebral, podrían haber algunos
casos de recuperación que suelen ser visto como “milagros”
(lo cual asocio más a una limitación diagnóstica
inicial, que a una reversión) que pueden reforzar la idea de mantener
funciones vitales a toda costa, pero ello no debe hacernos perder la perspectiva
de que incluso en el “milagro”, debe haber una base de razonamiento
para no extender la vida en base a tecnología, deshumanizando más
aún el propio sentido de la agonía, tanto para quien está
directamente involucrado, como para los suyos.
Esto no niega la necesidad de agotar todos los mecanismos antes de llegar
al último recurso y pasa seguramente por hacer uso de los métodos
diagnósticos más precisos y de los tratamientos más
avanzados para la recuperación. Si superados todos estos medios,
la muerte cerebral es inminente, entonces por lo menos se debe permitir
una muerte digna.
¿Qué tipo de consideraciones consideras pertinentes
al analizar la eutanasia?
El concepto de vida y de persona. Ambos aspectos desde mi punto de vista
están muy vinculados. La vida puede evidenciarse no sólo
en el cuerpo, sino en cada uno de los órganos e incluso las células
y como tal; su potencial reproductivo está presente (con la clonación
muchas cosas se han hecho posible). Sin embargo, esta no es la única
razón para la supervivencia, se requiere además que esta
vida sea una vida con dignidad; es decir, es una persona consciente, autónoma
y decidida a sobrevivir, frente a cualquier situación adversa.
¿Qué argumentos levantarías para defenderla u
oponerte?
Hay sectores que consideran que la vida no nos pertenece (y yo creo que
es nuestro bien mas preciado) y que no tenemos derecho a decidir sobre
ella, sino instancias supremas (Dios o el propio destino). Considero que
esta es una respuesta válida para un grupo de personas, lo cual
debe ser plenamente respetado. Sin embargo, ello no puede ser razón
para extenderla al común de las personas y mucho menos para sancionarlas
por no cumplir este precepto. Si se reconoce a la autonomía como
un principio básico de los derechos humanos, entonces también
se tendría que aceptar nuestro derecho de dar término a
nuestra propia vida, cuando vivir prolonga sufrimiento sin posibilidad
de que éste termine.
Considero que tanto la eutanasia, como el aborto, no son decisiones sencillas
ni mucho menos son salidas de primera línea, muy por el contrario,
son procesos que llevan intrínsecas, profundas decisiones éticas
que tienen que ver con el bienestar propio y de los demás, aunque
con ello se cause también dolor y pena. Por lo tanto, decisiones
de este tipo, tienen que ser acompañadas y asesoradas por profesionales
especializados, capaces de mostrar con profunda honestidad, todas las
alternativas posibles, pero para que esto sea posible, se necesita que
estén consideradas en las legislaciones. Negarse a ello, no sólo
es dejar en el más profundo abandono y soledad a quienes consideran
esta salida, sino también, negarles la información de la
alternativa de seguir viviendo, incluso, a costa de su sufrimiento.
¿Qué temas consideras que no tienen cabida en esta discusión?
Desde mi punto de vista, no tiene cabida la imposición del poder
médico, con todas las implicancias que están asociadas,
tales como: acceso a recursos tecnológicos en base a la capacidad
de pago de las personas afectadas, el uso de experimentación médica
en pacientes terminales u otros intereses ajenos a las personas directamente
involucradas, como por ejemplo, la necesidad de órganos para donación.
También considero que no deben incluirse los casos de depresión,
que conllevan a deseos de suicidio, pues en último caso, esto se
trata más bien de una enfermedad y como tal debe ser tratada.
¿Podríamos decir que ésta es una batalla política?
¿Por qué?
Absolutamente, considero que detrás de esta discusión, se
encuentra una más de fondo y es el hecho de reconocer o no si las
personas tienen el derecho de tomar el control de sus vidas o si esta
debe estar bajo designios externos, que se traducen en normas sociales,
roles, imágenes, estereotipos, prejuicios y que abarcan distintas
dimensiones de la vida, especialmente las sexuales y reproductivas.
Quienes ven la vida como absoluto pretenden plantearnos a los demás,
estemos o no de acuerdo, una noción de obediencia y sujeción
y se pretende presentar al dolor, sufrimiento y sacrificio personal, como
valores supremos, negándose a si mismos toda dimensión de
placer y bienestar.
En el caso de quienes impulsan activamente posturas autodenominadas “pro-vida”,
el desarrollo de la autonomía y de la capacidad de decidir, es
finalmente la amenaza de fondo de un proyecto político que se nos
pretende vender como él único que incluye valores, negando
a su vez, el valor de la dignidad y respeto a las decisiones autónomas.
¿Cuál es tu reflexión final sobre el caso de
Terry Schiavo?
Pienso que ha sido una tragedia personal y familiar manipulada al extremo
sólo para obligar a autoridades y a la opinión pública
general a asumir una postura extrema de defensa de la vida como un valor
absoluto, sin tomar en cuenta, principios básicos de dignidad y
de ética médica. De haber prosperado esta campaña
“pro-vida”, se hubiese consolidado legalmente la prohibición
de interrumpir el embarazo de los fetos anencefálicos, cuyo estado
vegetativo, es similar al que tuvo el cuerpo de Terry Schiavo. Ello a
su vez, hubiese ampliado otras conexiones, como la prohibición
del aborto e incluso la de los anticonceptivos. Afortunadamente desde
el punto de vista legal, este camino fue cerrado, para dar paso, finalmente
a un concepto de vida digna que incluye no sólo la supervivencia,
sino la integridad psico-física, vinculada a la viabilidad y dignidad,
que son finalmente principios básicos que están detrás
de la demanda por una maternidad voluntaria y segura.
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