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Artículos
Sexismo
E Racismo
Por Suely Carvalho
Rever e ampliar o conhecimento sobre a origem da cultura sexista e racista
tem sido praticado permanentemente em todas as interfaces da ciência
acadêmica e da ciência popular desde a existência de
um seleto grupo de sábios e sábias ancestrais que nos libertaram
da prisão da ignorância; Che Guevara, Ghandi, Jesus Cristo,
Dalai Lama, Zapata, Dandara, Zumbi, Salomão, Maria Madalena, Sócrates
e tantos outros contemporâneos e antigos.
A partir do conhecimento surge o desafio da desconstrução
de conceitos e valores respeitando a cultura étnica, facilitando
a compreensão dos diferentes papéis democratizando os direitos
de cidadania compreendendo também o respeito à livre opção
religiosa e à livre opção sexual. Democratizar a
cidadania é a ação inclusiva do estado na administração
do dinheiro público garantindo a universalidade, equidade e qualidade
das instituições públicas.
A livre opção religiosa respeita a escolha individual e
rompe com as ditaduras fundamentalistas que manipulam a emoção
e a fé. Isso que a princípio parece utopia pode ser realizado;
entretanto, é necessário passar por alguns caminhos nunca
antes caminhados; por exemplo, conscientemente compreender que é
necessário um tempo real para a verdadeira mudança de paradigma
e de comportamento.
Mudar comportamento necessita ter uma proposta estruturadora construída
coletivamente para ocupar o lugar do que foi subtraído. Que a nova
proposta facilite algumas necessidades básicas como; garantia da
vida, da prosperidade sustentável, e da transcendência.
O desenvolvimento científico institucional, tecnológico
e social traz alguns benefícios e causa alguns prejuízos,
mas também revela erros e fracassos de modelos, práticas
e paradigmas evidenciados nos estudos epidemiológicos. Nesse elenco
de erros e fracassos o sexismo é o traço mais forte e hegemônico
da cultura planetária, e o efeito são sociedades profundamente
desiguais dividindo a população em classes por aspectos
econômicos, biológicos e culturais.
Nascer do sexo masculino ou nascer do sexo feminino já significa
com papéis definidos com prevalência de um sexo em detrimento
do outro; evidentemente que as mulheres unicamente porque nasceram do
sexo feminino tem menos direitos de cidadania menos poder público
e menos liberdade.
Sabemos a partir dos permanentes estudos acima citados, que no período
civilizatório da organização da agricultura e da
pecuária e depois na idade média, o gênero feminino
sofreu profunda mudança no tecido social com perdas de direitos
e perda de qualificação humana, categorizando as mulheres
como seres inferiores.
Índios, negros, asiáticos são nativos planetários
mas estão secularmente ameaçados de perdas de territórios,
culturas e direitos em benefício de uma reduzida elite heredeira
da côrte. As palavras são a expressão da compreensão
da questão é o esclarecimento do porquê das atrocidades
cometidas por seres humanos contra seres humanos, as palavras dizem mas
o fato evidencia.
A mulher índia grávida é atendida no pré-natal
sem a devida atenção sobre suas características biológicas,
sem considerar sua cultura alimentar limitada de vitaminas e de maior
contato com parasitos. O bebê tem maior vulnerabilidade e a mulher
tem maior possibilidade de uma debilidade pós-parto.
A mulher asiática tem predisposição a transtornos
gástricos, digestivos também pela sua cultura alimentar
cuja base é o arroz quando grávida os prenatalistas geralmente
desconhecem essas características, muitas vezes a gravidez é
desconfortável por problemas digestivos e a tendência é
que o bebê tenha baixo peso e por isso enfrente desafios maiores
ao nascer e nas primeiras semanas pós-parto.
A mulher negra, sem dúvida, tem muito mais agravado contra si a
discriminação racial imbricado com o sexismo, nos índices
da mortalidade materna de qualquer país ocidental em desenvolvimento
o maior percentual está entre as mulheres negras. É desumano.
No pré-natal não é dada a devida atenção
às predisposições inerentes ao povo negro; hipertensão
arterial, diabetes, miomas uterinos, anemia falciforme, osteoporoses.
Direitos reprodutivos e sexuais é uma política ampla e mundial
elaborada pelo conjunto do movimento de mulheres de todos os continentes
aprovado e preconizado pela Organização Mundial de Saúde.
Foram as mulheres que tiveram que investigar, sistematizar, evidenciar
e apresentar aos governos as diferenças entre os gêneros
feminino e masculino, que essas diferenças não definem que
um sexo seja melhor que outro ou um mais competente que outro, se assim
fosse os masculinos estariam em desvantagem por que o cromossomo é
XX, a feminina é XY portanto universal.
Compreender essas diferenças entre os gêneros contribui com
dados epidemiológicos mais verdadeiros facilitando desta forma,
políticas públicas que atendam as demandas específicas
reprimida, respondendo aos direitos da população e construindo
saúde de qualidade com vantagens econômicas.
Quando a medicina moderna, por volta do século XVII, mudou a posição
da mulher ao dar a luz, tirando-a da posição vertical para
colocá-la na posição horizontal mudou profundamente
a vida da mulher. A posição de parir é uma questão
política. Deitada, olhando para o teto com as pernas levantadas
ela jamais terá o controle sobre seu corpo e sobre seu parto, entrega
o comando e o protagonismo e assume a condição passiva obedecendo
ordens; “faça força, respire, não grite”.
¿Porque o parto domiciliar sofre perseguições? ¿Porque
as Parteiras Tradicionais são discriminadas? ¿Porque religiões
não cristãs sofrem preconceitos? ¿Porque homossexuais
masculinos e femininas são discriminados? ¿Porque crianças
são maltratadas e violentadas? São várias as causas,
as mais difíceis de serem enfrentados são os sentimentos
surrealistas associados a mitos que ganham poder além de criarem
factóides assimilado por fiéis. Isto não é
diferente do totem, do bezerro de ouro, do cálice.
O lucro econômico sem dúvida está junto com a primeira
causa, algumas concessões são feitas todas visando lucros
e vantagens. Por exemplo, as populações de gays e lésbicas
estão bastante visibilizadas e inseridas ao convívio social
tem revistas temáticas, programas de televisão, personagens
de telenovelas afinal é um público de classe social alta,
média e média baixa formadora de opinião uma excelente
fatia do mercado consumidor então se faz a política da boa
vizinhança, entretanto, nunca é aprovada nos parlamentos
a lei sobre a união civil enquanto direito, o que separa uma coisa
da outra é o preconceito, a homofobia. Enquanto consumidores são
reconhecidos como segmento social, enquanto cidadãos e cidadãs
de direto não são reconhecidos.
O parto domiciliar é perseguido como uma prática absurda,
construíram hospitais, laboratórios, farmácias, seguros
de saúde enfim, construiu-se uma indústria com um enorme
investimento econômico e que portanto prevalece a lógica
do lucro mas, além do neoliberalismo o poder é também
pano de fundo das iniqüidades o parto domiciliar revela o poder feminino
o controle familiar sobre a vida e a espontaneidade do parir e do nascer,
dar a luz.
Além do empoderamento da mulher o parto domiciliar caracteriza
o ser e fazer feminino, mulheres ajudando mulheres, o saber popular sobre
os rituais, as plantas medicinais praticados pelas parteiras tradicionais,
xamãs, rezadeiras, raizeiros. Também configura o verdadeiro
papel da medicina acadêmica e função dos hospitais,
ou seja, prestar serviço de diagnóstico, assistência
terapêutica, cirurgia e profilaxia, compreendendo que esta ciência
não detém o saber absoluto e que, onde termina o direito
de uns começa o direito de outros. Quer dizer: “existe vida
inteligente além da medicina acadêmica e do modelo vigente
de assistência ”.
A violência sexual e doméstica é evidentemente contra
mulheres e crianças ou seja, sob a força bruta. ¿Quem
disse aos homens que eles são seres superiores às mulheres?
Eles mesmos. Enquanto as mulheres usavam os tempos conhecendo os meandros
e lugares do ser e da vida na sua forma de pensar e de ver os homens na
sua forma linear e sintética de pensar e fazer chegavam antes com
resultados sobrepondo-se aos demais resultados.
Educados numa lógica sexista, a mulher tem a casa e o homem tem
o mundo, estruturou a sociedade legislando em causa própria e elaborando
leis que legalizasse seu direito de posse e autoridade sobre mulheres
e crianças. Na idade média o homossexualismo junto com o
sexismo e o racismo promoveu o mais perverso, desumano e obscuro massacre
contra mulheres na história da civilização. O instinto
de sobrevivência é inerente à todo ser humano, na
Europa as mulheres sobreviventes da “caça às bruxas”
por medida de segurança adotaram a lógica masculina na educação
dos seus filhos, sem perder sua crença guardada em segredo, mas,
sem querer e sem saber reproduziram um comportamento que consolidou uma
cultura linear, patriarcal. Tomados desse poder equivocado alguns homens
espancam, estupram, torturam e matam mulheres por considera-las criaturas
inferiores e por considerarem-se supremos e absolutos, também algumas
mulheres só conhecem essa forma de pensar.
O fato de causarem traumas às crianças e deixarem inúmeras
órfãs de mãe, não se incluem nas considerações
ou responsabilidades desses homens, por isso, após a ocorrência
do fato a forma de contribuir para a mudança desse estado de coisas
exige, conscientemente, encaminhar aos cuidados das instituições
de segurança, saúde e justiça. Prevenir, desconstruir
essa lógica perversa é necessário que toda a sociedade,
civil e governamental, invista o máximo em educação
e garanta a universalidade e eqüidade da cidadania.
Justifico porque acentuei ou destaquei questões de sexismo e discriminação
racial a partir da gravidez, parto e nascimento e gênero. Sou Parteira
Tradicional, herdeira das tradições das minhas bisavós
e avós parteiras tradicionais, realizei em torno de 5.000 partos
em trinta anos. Fundei a Organização Não Governamental
C.A.I.S. do Parto: Centro Ativo de Integração do Ser
em Olinda, Pernambuco, Brasil, e sou mentora e coordenadora da Rede
Nacional de Parteiras Tradicionais.
Tenho aprendido muito ao longo dos anos e em companhia das minhas colegas
parteiras indígenas, quilombolas, caboclas, caiçaras, pantaneiras,
sertanejas, da floresta, das montanhas, do cerrado, dos pampas e urbanas,
esse aprendizado tem me ajudado a colaborar com a transformação
permanente da sociedade buscando intensiva e intensamente não mais
me indignar porque não mais haverá iniqüidades contra
seres humanos e a natureza universal. Considero-me privilegiada porque
no exercício do meu oficio tenho a oportunidade de aprender lições
sobre o Ser, o existir e a beleza e simplicidade do que é real
e verdadeiro.
Sobre
la autora
Suely Carvalho, Brasil. Es Parteira Tradicional. Fundadora do C.A.I.S.
do Parto
Coordenadora da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais
e-mail: c.parto@terra.com.br
; sucar@hotmail.com ;
Web: www.caisdoparto.org.br
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Nuevos
escenarios del fundamentalismo, la intolerancia y los derechos sexuales
Por Oscar Ugarteche y Jorge Bracamonte
Los vientos de la intolerancia están soplando. Al igual que en
los años treinta la xenofobia, el racismo y la homofobia de Estado
van acompañando una derechización de la política
y un fortalecimiento del integrismo religioso. Estos son vientos que soplan
en general en el globo y reflejan la inestabilidad e incertidumbre de
la economía para proveer bienestar a todos o siquiera a la mayor
parte de la población. Las leyes del mercado han puesto sobre el
tapete la lógica del más fuerte y en ese marco hay una percepción
social de que el futuro, en alguna forma, ha sido expropiado o arrebatado
por los más poderosos, dejando a la población joven desesperanzada
y a la población mayor desencantada por haber perdido lo que ganó
con tanto esfuerzo.
Al mismo tiempo, la Iglesia Católica ha asumido una postura homofóbica
dura, mientras las organizaciones religiosas de extrema derecha asumen
mayor poder al interior del aparato eclesiástico. Es el caso del
Opus Dei pero también del grupo fundado en el Perú Sodalitium,
de Luminae Vitae y de los Catuquémenos. Finalmente está
la postura del Partido Republicano de los Estados Unidos racistas y homofóbicos
que han logrado anular los avances en derechos civiles del movimiento
GLBTT de los Estados Unidos anulando en trece Estados los avances que
existían ante la discriminación. Todos están a contracorriente
de los avances logrados en derechos civiles en los últimos cincuenta
años en Europa. La línea en común es el rechazo del
otro y la urgencia de cerrar filas dentro de la identidad que tienen.
Estados Unidos se ha convertido en la capital del conservadurismo en el
mundo y su instrumento es la revolución conservadora llamada “neoliberal”.
Desde allí se irradia un pensamiento económico fatalista,
porque “no hay alternativa”. Se trata de un pensamiento económico
excluyente y concentrador del ingreso, donde la ley del más fuerte
(que es la ley del mercado) gana siempre, y que expresa los valores más
retrógrados vigentes en esta época de restauración
neoconservadora, en palabras de Bourdieu. Es una revolución que
ha sustituido un antivalor, el dinero, por un valor, la trascendencia.
Esta revolución conservadora, dice él, apela al progreso,
la razón y la ciencia para justificar la restauración y
desplazar el pensamiento hacia el arcaísmo. La verdad se expresa
en ecuaciones y la economía pura reemplaza la realidad. Es decir,
se retrocedió a un nivel donde la razón de ser de la ciencia
económica no es el bienestar de la población sino la ganancia
pura. A toda costa. Sin gente, mejor.
De esta forma se dan de la mano dos formas de fundamentalismos, el económico
“neoliberal” y el promovido por los sectores más conservadores
de la iglesia católica, abriendo las puertas de un clima de creciente
intolerancia y de conservadurismo político, cuyas consecuencias
aún resultan insospechadas. Probablemente el hecho más revelador
de este creciente clima ha sido la aparición del terror en el corazón
del mundo desarrollado y occidental, expresado en los trágicos
sucesos del 11 de septiembre del 2003, en Nueva York; los atentados ocurridos
en las estaciones de Atocha, El Pozo y Santa Eugenia, en Madrid; y en
el reciente acto terrorista perpetrado en el sistema de transporte público
de Londres.
Mientras tanto, en nuestras sociedades en vías de desarrollo se
va perdiendo todo lo conquistado en las luchas por la jornada de las ocho
horas obtenidas en 1919. En el nombre de la flexibilización laboral
se pierden derechos laborales, se amplía la jornada de trabajo
y se desplazan los costos de la productividad empresarial sobre las espaldas
de los más pobres. La desesperanza acecha en un momento en el que
como nunca se produce mayor riqueza en el mundo.
Intolerancia, migraciones y los “nuevos bárbaros”
Las migraciones fuertes de las economías en desarrollo comenzaron
en la década de los años 70 y estuvieron vinculadas a los
problemas políticos que hubo tanto en América Latina como
en África que llevó a desplazamientos significativos de
Sudamérica y Centroamérica hacia Estados Unidos y desde
África hacia Europa. En Europa la presencia musulmana es grande,
y en algunos países como Francia es sustantiva, lo que ha sumado
a los problemas de crecimiento demográfico europeo el temor de
la “des-europeización” y “musulmanización”
de Europa. La década de los años 80 se complicó por
problemas económicos surgidos a partir de las alzas de las tasas
de interés internacionales derivadas de los problemas de los Estados
Unidos a fines de los años 70 e inicios de los 80. El resultado
fue una década perdida, como se la conoce, y una mayor migración
del sur al norte, ampliándose los puntos de llegada de Sudamérica
hacia Europa y de África hacia Estados Unidos.
La década de los años 90 llegó con la esperanza de
estabilización, y el resultado una década más tarde
fue que la migración se amplió aun más y fue preciso
construir un muro como la muralla china para defenderse de esa ”invasión”
sentida, y mantener a los extranjeros afuera con métodos de control
policial costosísimos. La resultante es que la migración
se ha diversificado a otros países vecinos que están en
mejor posición que los países más empobrecidos o
afectados dentro de una región.
El imaginario que se ha ido desarrollando en Europa y Estados Unidos sobre
las regiones sudamericanas y africanas es aquel de: “ahí
vienen los bárbaros que nos invaden”. El muro de la vergüenza,
construido de la costa del Pacífico a la costa del Golfo de México
está hecho para separar a México país vecino y compañero
del Tratado de Libre Comercio, e impedir que pase la gente, usualmente
latinoamericana. El presupuesto Federal para mantener la vigilancia policial
en este muro es de 5,500 millones de dólares al año, la
mitad del presupuesto nacional peruano, y tiene como beneficio la captura
y el retorno a México de casi un millón de personas que
quedan atrapadas anualmente intentando pasar el muro. Adicionalmente hay
soldados y mercenarios que cobran por cabeza atrapada, viva o muerta.
Es decir, que cazan espaldas mojadas del mismo modo como el Rey Leopoldo
de Bélgica cazaba negros en el Congo.
La muralla europea está basada en una legislación que impide
el trabajo de no europeos, y funciona mejor, es decir, resulta más
difícil ser un ilegal en Europa que en Estados Unidos. De todas
maneras hay protecciones policiales en las zonas que separan África
de Europa en la entrada del mediterráneo y en las zonas que son
el paso de ferrocarril del Este al Oeste.
Las dificultades migratorias al Norte han llevado a que dentro de los
espacios del Sur ocurran migraciones de los países con menos posibilidades
a países percibidos con mejores posibilidades. Y entonces se observan
los mismos problemas de racismo y xenofobia en el momento en que las castañas
se queman. Las pintas contra peruanos en Chile, contra peruanos y bolivianos
en Argentina, y claro dentro de Europa igualmente contra los Roma, son
expresiones intraregionales en el mismo sentido. El otro no tiene
que venir de lejos sino ser percibido “distinto”.
Las megaciudades del Norte han llegado a convertirse en espacios repartidos
de lenguas, religiones y culturas de los pobladores migrantes, muchos
de origen ilegal. La convivencia creciente de culturas y religiones diferentes
a las cristianas ha dado pie a una expresión acuñada por
Samuel Huntington: choque de civilizaciones. Actualmente el tema de las
migraciones y la desesperanza económica en un marco de crisis sistémica
ha llevado al resurgimiento de la intolerancia en varios sentidos. Ya
no es sólo el racismo y xenofobia de quienes se sienten acechados
por esos “nuevos bárbaros”, y cuyo temor se expresa
con frecuencia en situaciones de violencia y criminalidad promovidas por
grupos de jóvenes neofascistas, autodenominados skinheads.
Desde las comunidades de inmigrantes también se producen formas
de resistencia violenta, incluso criminal. En Francia las comunidades
musulmanas han reaccionado contra las disposiciones de las autoridades
educativas que a fin de garantizar una formación pública
y laica han prohibido el uso de emblemas o íconos de carácter
religioso. Estos dispositivos han sido considerados por las comunidades
musulmanas como atentatorios de sus prácticas religiosas y culturales.
Del mismo modo se han producido situaciones de violencia que resultan
bastante preocupantes. Hace muy poco, a fines del mes de abril, un grupo
de jóvenes musulmanes agredió brutalmente al activista gay
Chris Crain, director del Gay Magazín Washington Blade, y a su
pareja, quienes se encontraban caminando de la mano por las calles de
Ámsterdam. Después de estos hechos, las autoridades de la
ciudad “más liberal del mundo occidental” recomendaron
a la comunidad de gays y lesbianas no exponerse innecesariamente en espacios
públicos frente a los posibles ataques de jóvenes inmigrantes.
1
Sin lugar a dudas, el factor étnico y las diferencias religiosas
y culturales empiezan a desbordar la mítica estabilidad de las
sociedades del norte desarrollado. La violencia con la que se reactiva
el racismo, la xenofobia, y también la homofobia, va configurando
un escenario de complejas tensiones que, más allá de las
posibilidades de integración económica de las miles de personas
que diariamente se desplazan del sur al norte, plantean por primera vez
las contradicciones de las relaciones de poder y violencia colonial en
el corazón mismo del mundo desarrollado.
Fundamentalismo, intolerancia y religión
La elección en abril del cardenal alemán Joseph Ratzinger
como nuevo papa de la Iglesia Católica expresa la continuidad de
la tendencia centralista y conservadora impuesta en el Vaticano durante
el papado de Juan Pablo II. Como sabemos, el cardenal Joseph Ratzinger,
ahora papa Benedicto XVI, dirigió la Congregación para la
Doctrina de la Fe, órgano que sucede a la Santa Inquisición
y se encarga de definir los principios de la religión católica.
Desde esta posición Ratzinger no sólo persiguió y
silenció a los sectores disidentes de la Iglesia Católica,
especialmente a los vinculados a la Teología de la Liberación,
sino que opuso el dogma de la fe a las necesidades de modernización
de la iglesia en temas como el de la ordenación sacerdotal de las
mujeres, el derecho al matrimonio de los sacerdotes, y los derechos sexuales
y reproductivos de las mujeres y homosexuales. Ratzinger, de quién
algunos medios refieren que participó en las filas de la juventud
fascista alemana, fue la mano derecha de las políticas conservadoras
impuestas en el Vaticano por Juan Pablo II.
Poco antes de ser ungido papa, el todavía cardenal declaro que
la "La barca de la fe de muchos cristianos ha sido agitada..., llevada
de un extremo al otro, del marxismo al liberalismo, hasta el libertinaje...”.
Y que ahora, “tener una fe clara y de acuerdo con el credo eclesiástico
se etiqueta a menudo como fundamentalismo...”. Con estos términos
reivindica la importancia de la ortodoxia frente a cualquier forma de
relativismo o modernización revisionista de la Iglesia. Argumento
que explica además el por qué del afianzamiento en el poder
de la jerarquía eclesiástica de los movimientos católicos
de derecha, como el Opus Dei, por ejemplo.
En este sentido, la apropiación del aparato político de
la iglesia católica por el Opus Dei en Roma, y la santificación
de Escrivá de Balaguer, fundador de la Obra de Dios, es una expresión
de esta ortodoxia conservadora. Escrivá era cercano al Dictador
Generalísimo Francisco Franco y fue santificado al vapor en menos
de treinta años de muerto y sin milagros que mostrar. La Obra estuvo
cercana a las dictaduras de Argentina en los años 70, Chile en
los 70 y 80, y a Fujimori en el Perú en la década del 90.
Es decir, la Obra y su santo han estado vinculados a las dictaduras anticomunistas
que han cometido atrocidades y que han sido protegidas por ellos. El discurso
del Vaticano es anticomunista y homofóbico pero también
ha escalado en su ofensiva civil al intervenir en España cuando
se aprobó el cambio legal que no discrimina entre ciudadanos de
modo que los homosexuales tienen todos los mismos derechos de los heterosexuales.
Con la reciente aprobación del matrimonio entre personas del mismo
sexo en España la Iglesia y la derecha política volvieron
a mostrar sus fauces. El Vaticano arremetió contra la recién
aprobada ley afirmando que nadie tiene derecho a cambiar la esencia e
identidad del matrimonio que por naturaleza superior corresponde exclusivamente
a la unión heterosexual entre hombre y mujer. Y en su intento por
impedir la aprobación final de la propuesta de ley, la Iglesia
convocó a una gigantesca movilización bajo el lema: “La
familia sí importa, por el derecho a una madre y a un padre, por
la libertad", en la que se invirtieron ingentes cantidades de dinero
a fin de trasladar a Madrid a la feligresía de toda España.
A esta convocatoria realizada a través del Foro Español
de la Familia, se plegó la Conferencia Episcopal, el derechista
Partido Popular, y más de veinte prelados que encabezaron la movilización.
Finalmente, ante los hechos consumados, la Iglesia ha convocado a todos
los católicos que ocupan cargos públicos ejercer la “objeción
de conciencia” con lo cual se pretende no celebrar los matrimonios
de las personas del mismo sexo, poniendo en cuestión un principio
fundamental de los estados modernos: su naturaleza laica.
En el Perú, el cardenal Juan Luis Cipriani, vinculado al Opus Dei,
y el mismo que permanece silente ante los alarmantes hechos de corrupción
e impunidad que se promueven desde las instancias gubernamentales, y el
mismo que durante el período de violencia política declaro
que los derechos humanos eran una "cojudez" (mientras desatendía
a las victimas de las fuerzas perpetradoras en la región más
castigada por la violencia política y donde él era obispo),
se ha convertido en un vocero activo en contra de la aprobación
de iniciativas de ley que promuevan la igualdad de derechos para las personas
homosexuales. Al punto que al aprobarse la Ley de matrimonio en España
convocó a la feligresía católica para “...desenmascarar
esa campaña mundial de querer vender mercadería averiada..”,
refiriéndose a las personas homosexuales. Negando así la
condición humana de gays, lesbianas y personas trans. 2
Ciertamente el tema de los derechos humanos y de las igualdades que afecta
a las libertades es central en el discurso intolerante de la Iglesia Católica
y el Opus Dei que desde allí proponen convertir a la ley de Dios
en la ley del hombre. Así, por ejemplo, desearían eliminar
la ley de divorcio, existente país más país menos
desde 1920. Han eliminado donde han podido las políticas de salud
reproductiva y naturalmente las políticas de control y prevención
del SIDA. El conservadurismo restaurador de la Iglesia de Roma es correlativo
al de los movimientos de renovación evangélica e islámica,
dice el prólogo del texto sobre el Opus Dei de Le Monde Diplomatique.
El manejo del poder consiste en formar un grupo de personas que se dedican
a la promoción del desarrollo local. Estas personas son formadas
en escuelas de negocios de alto nivel generalmente vinculados a algún
ministro de Educación. Es decir, forman cuadros político
administrativos que se van a ocupar de gestionar los impuestos, la salud
y los recursos humanos. En el Perú la Universidad de Piura es el
centro encargado de formar los cuadros que van a ocupar cargos públicos
así como privados que mantienen los vínculos entre sí
en la forma de una contra masonería. Durante los años de
la dictadura de Fujimori, el propio Obispo fue el agente intermediario
con las fuerzas armadas al grado que el actual Capellán de la Escuela
Naval antes fue el confesor de la Universidad de Piura. El integrismo
entonces se va expandiendo a las fuerzas del orden para imponer un orden
que en realidad es el viejo orden restaurado.
Para el Opus Dei y la derecha católica romana el tema comienza
y termina en la cuestión sexual. ¿El pecado mortal de bailar
mambo no estaba, acaso, en esa lista tonta? Paradójicamente los
que muestran dificultades con los temas relacionados al sexo son ellos
mismos que afirman que se inhiben de tener vida sexual antes que reconocer
otros placeres. Dueños absolutos del discurso del poder simbólico
expresan prejuicios que están instalados entre el siglo XVI y XVII
generando sacerdotes quienes, ante la culpa, actúan a escondidas.
Lo perverso comienza en esos parajes recónditos del alma humana.
Si un cura es gay o no, es un tema de celibato en última instancia.
Si un cura abusa de su poder de confesor para seducir niños es
un tema que debería ser castigado con la pena mayor del código
penal. Al niño atribulado se le monta encima, en varios sentidos,
un adulto problematizado que dice estar ayudándolo en el nombre
de Dios. Esto es inaceptable y muy frecuente.
Difícil olvidar que en el Perú no se comenzó la campaña
de prevención de SIDA porque se trataba de “la Peste Rosa”,
y que en nombre de los prejuicios que estamos mencionando se retrasó
el inicio de la campaña nacional varios años. Del mismo
modo como ahora, con el retorno a la democracia, un par de ministros de
salud vinculados a los movimientos fundamentalistas han vuelto a frenar
la lucha contra el SIDA. Imposible olvidar la criminal campaña
de fines de los años 80. Difícil perdonarla ahora, tantos
muertos más tarde cuando otra vez, ya no con el nombre de la peste
rosa sino en el nombre de Dios se detienen las campañas.
Bush, la política exterior norteamericana y los derechos
sexuales
Este elemento es adicional a las ya conocidas intolerancias expresadas
por el Presidente de los Estados Unidos quien declara a sus adversarios
políticos como parte del imperio del mal, trasladando los conceptos
del bien y del mal a un discurso belicista, donde él se abroga
a decidir quién es el mal. Y está dispuesto a bombardearlo
todo hasta sus cimientos como lo hizo con Afganistán en busca de
Al Qaeda, o con Irak en busca de Sadam Hussein. Para Bush el mundo se
divide entre judeocristianos y musulmanes, como en la edad media. Y su
política exterior en relación a temas como el control de
la natalidad, igualdad de derechos y otras materias sexuales, es que el
eje debe de ser la reproducción y la vida. Matar en el imperio
del mal es aceptable mientras, digamos, una T de cobre que impide la fertilización
de la mujer debe ser eliminada porque atenta contra el derecho a la vida.
Esto se ha vuelto política exterior y las agencias de desarrollo
de los Estados Unidos, como USAID y CARE, se encargan hoy de expresarlo
y asegurar que las contrapartes nacionales de sus programas de asistencia
técnica cumplan con estas premisas.
La política exterior de la administración Bush se sostiene
sobre la base de una sólida alianza interna de grupos de extrema
derecha que encuentran en el Partido Republicano a su más firme
aliado y grupos religiosos conservadores, vinculados a la iglesia católica
y evangélica. En su cruzada para frenar el avance en el reconocimiento
y promoción de los derechos sexuales de las personas ha encontrado
aliados no sólo en las representaciones diplomáticas supeditadas
al poder hegemónico de los Estados Unidos sino, también,
en los países musulmanes que por razones del dogma religioso coinciden
con la política norteamericana en derechos sexuales, por supuesto
con la complaciente acción y bendición del Vaticano. Y las
armas empleadas en esta cruzada son, por un lado, la participación
activa de los Estados Unidos en todos los foros internacionales donde
se definen las agendas multilaterales en materia de derechos sexuales
y salud reproductiva, y por el otro, el manejo de sus importantes recursos
financieros que a través de la cooperación internacional
van condicionando la orientación de las agendas en estos temas.
A diferencia de quienes se inscriben en el campo de la defensa y promoción
de los derechos sexuales, la administración Bush tiene una agenda
extensa e integral que busca desmontar los avances en el reconocimiento
de los derechos sexuales, para conducirnos a una nueva edad media. A la
administración Bush no le preocupa en particular el reconocimiento
del matrimonio para las parejas del mismo sexo, el tema del aborto, comercio
sexual, o embarazo adolescente, entre otros, sino lo que estos temas y
realidades representan, el desmentido de un modelo único de sexualidad
que intenta imponerse hegemónicamente, y que se funda en la heterosexualidad,
monogamia y reproducción obligatorias.
No podemos sorprendernos entonces cuando en la agenda de esta cruzada
se pretende promover entre los adolescentes y jóvenes la abstinencia
sexual, tirando al tacho las evidencias que indican que éstos se
inician sexualmente más bien desde temprano. La abstinencia y los
“valores” se convierten así en fundamentos de una política
educativa y de prevención conservadora que busca estigmatizar el
sexo fuera del matrimonio, presentando la sexualidad de los jóvenes
como sinónimo de peligro y exposición al embarazo temprano,
a la paternidad no deseada, a las ITS y el SIDA, etc. La sexualidad deviene
entonces en un problema y no en lo que es: un derecho fundamental de las
personas. Obviamente estas propuestas van acompañadas de los recursos
necesarios para imponer, por ejemplo, en los países en desarrollo,
la abstinencia como el medio más efectivo para la prevención
del VIH / SIDA. Como ha pasado con Uganda, país al que el gobierno
norteamericano presenta como un ejemplo de la eficacia de este tipo de
estrategia preventiva, y donde se ha llegado a niveles aparentemente absurdos,
como el hecho que algunos parlamentarios pretendan promover iniciativas
de Ley a fin de premiar con el pago de los costos de la universidad a
las jóvenes que culminen castas sus estudios en las escuelas.3
Algunos podrían pensar que esta cruzada es perfectamente coherente
con los principios religiosos y moralistas que la sostienen. Sin embargo
no dejan de llamar la atención algunos hechos que podrían
resultar contradictorios, por decirlo de algún modo. Nos referimos
a la relación que existe entre esta política exterior norteamericana
y los intereses de las grandes compañías farmacéuticas
que actúan globalmente.
Mientras se promueve un conjunto de iniciativas educativas y de prevención
que no toman en cuenta las realidades ni las necesidades de la población
sexualmente activa y se descalifica los únicos medios disponibles
de prevención del embarazo o del VIH (como ocurre por ejemplo con
la Anticoncepción Oral de Emergencia y el uso del condón),
se promueve una legislación para el VIH/SIDA o Tratados de Libre
Comercio en los que se asegura la protección de los intereses de
las grandes compañías farmacéuticas. Es decir, se
cierra un circulo vicioso en el que el dogma religioso y conservador va
de la mano con los más puros intereses mercantilistas. Se baja
la guardia en materia de prevención efectiva y se ofrece el remedio
costoso ante los hechos consumados. En realidad se trata de un circulo
perverso en el que no parece importar la vida de las poblaciones más
pobres y excluidas del planeta, como ocurriría por ejemplo con
quienes viven con el VIH y que por cuenta propia no pueden acceder a tratamientos
con antiretrovirales de ultima generación.
Del mismo modo son piezas clave de esta cruzada las políticas que
se promueven sobre familia (en singular), diversidad sexual, aborto, servicios
de salud reproductiva, y sobre el trabajo sexual. Como vemos la política
exterior norteamericana en materia de derechos sexuales es bastante amplia
e integrada, como las piezas de un mismo rompecabezas que -a diferencia
de los sectores que promueven la agenda de los derechos sexuales desde
una perspectiva más progresista- no tiene flancos débiles.
En este sentido no existen agendas inocentes. 4
De este modo la suma de la intolerancia norteamericana expresada en su
política exterior, más las intolerancias en contra y desde
los musulmanes, más las intolerancias católicas van definiendo
un escenario complicado y potencialmente conflictivo y represivo. Esto
no es ajeno a nadie y en ninguna parte estamos a salvaguarda frente a
este nuevo escenario. La interrogante sobre el por qué, y el esbozo
de respuesta, han sido materia de este texto.
A modo de conclusión
Los distintos y revitalizados fundamentalismos dan cuenta de una restauración
conservadora caracterizada por la intolerancia, el racismo y exclusión
de las poblaciones históricamente más golpeadas. En palabras
del presidente de los Estados Unidos el mundo se juega una batalla en
la que se enfrenta el bien contra el mal, justificando así cruzadas
genocidas como la invasión de Irak, o el activo desmantelamiento
de los avances en el reconocimiento y acceso a los derechos sexuales.
De esta forma los dogmas económicos, religiosos y políticos
devienen en valores de una cruzada global que se pretende “salvadora”,
y que impone hasta en el último rincón del planeta su tono
conservador e intolerante.
Frente este renovado y creciente clima de intolerancia en América
Latina se produce un preocupante silencio. En el Perú en particular,
frente a la santificación de Escrivá, el gobierno peruano
envió una delegación oficial que fue acompañada por
2,500 feligreses. El Opus Dei y el movimiento Sodalitium Christianae Vitae
cuentan ya con 8 obispos que tienen una importante influencia en la vida
pública del país, y también con un activo grupo parlamentario
que se expresa políticamente a través de la Comisión
de Salud del Congreso de la República. Y cuando mucho apremia,
el Nuncio Apostólico Monseñor Rino Passigato, representante
del Vaticano en el Perú, interviene directamente en asuntos de
interés público, como cuando recomendó al Ministro
de Relaciones Exteriores no adherir a la resolución de Brasil que
planteaba reconocer la orientación sexual como un derecho humano
durante la 60va. Sesión de la Comisión de Derechos de las
Naciones Unidas, en Ginebra. Descontando al Cardenal Juan Luis Cipriani
que aboga públicamente por los derechos de inculpados en casos
de corrupción del régimen fujimorista mientras niega la
condición humana de los y las homosexuales.
Pero en el Perú la intolerancia no sólo viste de sotana.
El Informe Final de la Comisión de la Verdad y Reconciliación
dio cuenta de dos asesinatos colectivos donde las victimas fueron travestis
y gays, cometidos por Sendero Luminoso (en Aucayacu, 1986, y Pucallpa,
1988), y uno cometido por el MRTA (Tarapoto, 1989). Ambas fuerzas, autoproclamadas
revolucionarias, asumían que la homosexualidad era uno de los síntomas
de la descomposición del sistema capitalista, y que por lo mismo
debía desaparecer del nuevo orden revolucionario. Fue así
como la guerra se extendió a campañas de persecución
y exterminio de homosexuales, prostitutas, usuarios de drogas y delincuentes.
Del mismo modo, Antauro Humala, líder del Movimiento Etno-Cacerista
(y probable candidato presidencial por el Movimiento de Nueva Izquierda
- MNI), ha referido en más de una oportunidad a que, en caso de
llegar al poder, se encargaría de eliminar la corrupción,
la drogadicción y la homosexualidad. Para no mencionar a Rafael
Rey, José Barba, Héctor Chávez Chuchón, Fabiola
Morales, y otros congresistas de Unidad Nacional que se oponen sistemáticamente
al reconocimiento de los derechos sexuales. Preocupa pues que estas diversas
expresiones de la política peruana, sin distingo ideológico,
se opongan al principio de la igualdad al mismo tiempo de incitar a la
discriminación y el odio por homofobia.
Como vemos, la restauración conservadora liderada globalmente por
la administración Bush y El Vaticano encuentra localmente insospechados
aliados. Frente a estos hechos hay un silencio cómplice no obstante
que violan la constitución peruana que dice que todos y todas somos
iguales. Más grave aún cuando desde nuestro lado el silencio
se traduce en la comodidad del financiamiento amordazado, en los logros
alcanzados, o en las rencillas menudas de capillas siempre iluminadas.
La marcha atrás en las conquistas de derechos sexuales y las restricciones
crecientes a las libertades ciudadanas que se expresan en el fortalecimiento
de los integrismos son rasgos que nos acompañan y contra los que
debemos luchar. Recuperemos nuestra capacidad de indignación y
nuestro derecho a soñar. Levantemos nuestras voces contra el silencio.
Notas
(1) Recuérdese el asesinato en Ámsterdam,
en noviembre del 2004, del cineasta Theo van Gogh, quien había
producido una película en la que se criticaba al Islam por permitir
la violencia sobre las mujeres. Durante el juicio el asesino, un fanático
musulmán, asistió vestido con una túnica negra y
el Corán entre manos, y al declararse culpable, señalo:
“Quiero que sepáis que actué por convicción
y que no lo maté porque él fuera holandés o yo marroquí...”.
Igualmente debemos indicar que este asesinato desató un conjunto
de ataques sobre los inmigrantes musulmanes, sus mezquitas y símbolos
religiosos, planteando un conjunto de interrogantes sobre la integración
de los inmigrantes en un país tradicionalmente caracterizado por
su tolerancia.
(2) El término trans refiere a las personas travestis,
transexuales y transgénero.
(3) Información difundida por la agencia Reuters,
y publicada en el diario Perú 21, del jueves 21 de julio del 2005.
(4) Ocurre en el movimiento feminista frente al tema
del aborto o en el caso de los movimientos LGBT frente al tema de los
matrimonios de las personas del mismo sexo, por ejemplo. Muchas veces
estas diferencias o tensiones, que debilitan las posibilidades de respuestas
más eficaces desde una perspectiva critica, son alimentadas a través
de mecanismos previstos en el diseño de la política exterior
norteamericana, por ejemplo con la “Ley de la mordaza” que
condiciona la independencia de los organismos no gubernamentales que perciben
ayuda de las agencias del gobierno norteamericano.
Sobre
los autores
Oscar Ugarteche, economista y escritor. Actualmente profesor
asociado de la Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM).
Y Jorge Bracamonte, historiador. Actual Director Ejecutivo
de la Red para el Desarrollo de las Ciencias Sociales, y miembro de la asamblea
de asociados del Movimiento Homosexual de Lima (Mhol).
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Desejo
e Poder:
Racismo e Violência Estrutural em Comunidades Homossexuais
Por Osmundo Pinho
Neste ensaio 1, gostaria
de abordar alguns aspectos da construção de diferentes “mundos”
homossexuais interseccionados por variáveis de cor/raça
e classe, no sentido de considerar alguns cenários possíveis
para a instalação da violência como elemento estruturante
das comunidades homossexuais, tanto em suas dimensões internas,
quanto nas relações com outros setores e agentes sociais.
Na esfera das homossexualidades, tal consideração deveria
ser fortemente informada pelas contradições que as comunidades
homossexuais experimentam em torno das diferenças de raça
e classe, de modo a que sujeitos homossexuais pudessem reconhecer e explorar
determinadas diferenças, interseccionalizadas com outras experiências
de identidade e subjetividade: brancos com educação superior
de meia-idade; jovens negros trabalhadores manuais; "bichas-pintosas"
2 moradoras da periferia
e assim por adiante.
Cada variação dessa pode representar uma plataforma de identidade
e representação de si, que está ancorada nas estruturas
sociais que, em outros lugares e contextos, operam em determinado sentido
e que ganham nas comunidades homossexuais significados específicos.
Desse modo, as observações aqui desenvolvidas não
pressupõem identidades sociais já prontas, depositadas em
sujeitos autocoerentes. Inversamente, procuro reconhecer o caráter
produzido, e mesmo artificioso, das identidades e subjetividades sociais,
desenvolvidas em contextos político/culturais complexos, materializados
como o teatro de operações para disputas em torno da representação,
do reconhecimento e da realização do desejo em ambientes
estruturados.
Seria preciso, dessa forma, introduzir uma compreensão sobre as
comunidades homossexuais que leve em conta a complexidade e a diversidade
dos cenários, performances e representações possíveis
em torno, de um lado, dos estilos de vida gays, e de outro, dos expedientes
para realização do desejo homossexual que, ao fim e ao cabo,
é a ultima ratio para estruturação dessas comunidades.
Ora, essas diferentes configurações de territorialidade,
modos de vida, costumes, vernáculos múltiplos e multiplamente
informados por tradições da cultura sexual nacional e por
midiascapes diversas, ganham coerência provisória na forma
de mundos homossexuais, como horizontes de sentido negociados. Esses mundos
não são, todavia, monâdas estanques, mas intercomunicáveis
e na verdade justamente definidos em suas relações cambiantes.
Cenários, como trechos na praia, boates, parques de pegação
(cruising), concursos de beleza gay (transformistas) ou do boy 3
mais bem dotado, configuram vetores de identificação, ambientes
de identidade e subjetividade. O meu argumento principal para esse aspecto
é de que estes mundos são estruturados tanto internamente,
como em sua relação com a sociedade global, por estruturas
de subordinação e empoderamento, que operando diferentemente
em outros contextos, produzem nesses cenários situações
e performances específicas.
Raça, classe e gênero (gays e lésbicas) são
profundamente operativos tanto da constituição dos cenários,
como são relevantes para a realização do desejo e
a construção de condições de segurança,
ou vulnerabilidade, para a violência e a opressão. Por um
lado, podemos ver como os recursos disponíveis a homens gays de
classe média para construírem seus próprios mundos
homossexuais são favorecidos, não por sua condição
homossexual, mas pelo seu lugar determinado nas estruturas das classes
ou no “espectro” racial. Ora, apesar de retirarem privilégios
desse posicionamento na estrutura social ampliada, na experiência
da homossexualidade essas prerrogativas se manifestam de modo particular
e determinado. Tanto para fora, preservando-se em certo sentido da violência
estrutural exterior, como para dentro, fazendo valer prerrogativas de
raça e classe, hegemonizando nesse sentido, e em seus próprios
termos, as comunidades homossexuais.
A cena homossexual parecerá a alguns mais tolerante ou aberta em
termos de raça ou classe, um aspecto freqüentemente explicado
pelas dimensões das comunidades homossexuais ou por características
peculiares a realização do desejo homossexual. Entretanto,
a convivência de homens gays de classes, raças, posições
sociais e mesmo estilos de vida diferentes, significa igualdade ou simetria?
Não podemos recair aqui no erro já superado pela sociologia
das relações raciais, que a princípio não
entendia que proximidade e mesmo intimidade não significava ausência
de dominação e violência, pelo contrário a
constituía.
Os modos de organização das comunidades homossexuais parecem
combinar justamente uma atração entre os desiguais como
uma estratégia onde diferentes handicaps parecem se compensar numa
busca frenética pela maximização do gozo. Em ambientes
mais modernos, a monetarização das relações
parece mais evidente e despudorada. O avanço do capital dissolve
todos os véus e o que em contextos tradicionais parece encoberto
pela etiqueta do costume ou das convenções de hierarquia
e deferência, na modernidade bárbara em que nos afogamos
surge como uma transação límpida e cristalina. No
altar do desejo e do poder todos os idealismos devem ser, assim, sacrificados.
De modo que a desigualdade, como uma forma de violência estrutural,
cria as condições de existência para as comunidades
homossexuais e para a interação entre os diversos mundos
homossexuais. Espaços de convivência entre iguais também
são criados - plenos de rituais de renovação dessas
igualdades - e se mantém, mas são constantemente interseccionados
por outros mundos de desigualdade e opressão. Esta violência
estrutural está realizada tanto como um constrangimento externo,
sintetizado na norma heterossexista e na homofobia, como num movimento
interno, presente nos abusos recorrentes de poder econômico ou simbólico.
De modo que, para fora o racismo e a homofobia elegem homens gays - brancos
e negros de modos diferenciados - como vítimas legitimas da violência.
Para dentro, esses sistemas discriminatórios operam vulnerabilizando
diferentes setores das comunidades e criando uma “solidariedade”
na desigualdade, que enfraquece politicamente a comunidade, desempoderando
os setores subalternizados interiores a ela e criando condições
para reprodução, sob as condições específicas
ao meio, das desigualdades, da opressão e da subordinação.
Notas
(1) O pano de fundo para o desenvolvimento de algumas
questões exploratórias aqui colocadas se refere a uma experiência
desenvolvida no curso do ano de 2003. Ganhei no início desse ano
uma bolsa do Programa Gênero, Reprodução, Ação
e Liderança (GRAL) da Fundação Carlos Chagas/John
D. and Catherine T. MacArthur Foundation com um projeto de intervenção
social, que foi na verdade uma iniciativa prospectiva que me permitiu,
junto a outras pessoas e grupos, colocar e discutir aspectos determinados
da problemática política e teórica das masculinidades.
O projeto chamou-se "Homem com h: Articulando Subalternidades Masculinas"
e propôs-se justamente como um procedimento articulado, voltado
para a construção de espaços de interlocução
e reflexão crítica em torno das possibilidades de articulação
de experiências distintas de masculinidades, consideradas subalternas
ou subalternizadas. Quais sejam aquelas de homens afrodescendentes, homens
jovens de comunidades populares e homens gays. Além disso, minha
experiência de trabalho, coordenado programa de prevenção
a HIV/AIDS entre homens que fazem sexo com homens (HSH) em Salvador foi
fundamental.
(2) Consideradas excessivamente efeminadas ou afetadas.
(3) Go-go Boy e, usualmente, Escort Boy.
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Sobre
eu autor:
Osmundo Pinho, es antropólogo. Doutor em Ciências
Sociais (UNICAMP). Coordenou, no final dos anos 90, o Programa Homo-Bissexuais
do Grupo de Apoio à Prevenção a AIDS da Bahia (GAPA-BA)
realizado em Salvador. Foi bolsista no ano de 2003 do Programa Gênero,
Reprodução, Ação e Liderança (GRAL)
da Fundação Carlos Chagas/John D. and Catherine T. MacArthur
Foundation. Ex-Diretor do Centro de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade
Candido Mendes no Rio de Janeiro. Atualmente é coordenador do Programa
Políticas da Cor na Universidade Brasileira, do Laboratório
de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro.
E-mail: osmundo@politicasdacor.net.

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