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- FAMILIAS LÉSBICAS: IDENTIDAD, PAREJA Y MATERNIDAD
Por Florencia Herrera Oesterheld
Entrevistas
- LA FAMILIA EN DEBATE: CONCEPCIONES, TRANSFORMACIONES, IMPLICANCIAS Y DESAFÍOS
Participan Sara Barrón, Juan Carlos Ramírez, Roger Raupp y Claudia Fonseca
Desarrollo Artículos
A noção de família para o Judiciário Latino-americano
Uma reflexão sobre a influência religiosa no
enfrentamento jurídico de questões ligadas à cidadania sexual
Por Roberto Arriada Lorea
Introdução
A partir da revolução francesa, o casamento deixa de
ser um sacramento, tornando-se um contrato social, no qual as partes manifestam
sua vontade de se comprometer entre si, para uma vida a dois. Todavia, no
contexto da América Latina, em que pese a legislação já contenha os elementos
dessa transformação do casamento religioso em casamento civil, ainda há
posicionamentos no âmbito do Poder Judiciário, que contemplam a noção
sacralizada de família, o que tem retardado a implementação da cidadania
sexual, notadamente quanto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Ao insistir na idéia de que a procriação seja o
objetivo do casamento, viola-se a autonomia reprodutiva assegurada nas
Conferências do Cairo e de Beijing, documentos que passaram a integrar os
ordenamentos jurídicos latino-americanos. De resto, a grande maioria das
Constituições latino-americanas, em alguma medida, incorporou a proteção dos
direitos reprodutivos, fazendo certo que a finalidade do casamento é o
comprometimento afetivo-sexual entre as partes, independentemente da vontade
(ou possibilidade) de ter filhos.
Perceber a dimensão religiosa de uma visão do
casamento atrelado à procriação é importante para compreender a influência
religiosa no enfrentamento jurídico de questões ligadas à cidadania sexual.
Influência que viola o direito à liberdade de consciência, pois valores
religiosos não podem ser impostos pelo Poder Judiciário.
A família juridicamente naturalizada
A concepção de uma “família natural” tem sido a
principal estratégia utilizada pelo pensamento religioso no debate sobre
questões de cidadania e sexualidade, especialmente no que diz respeito à
democratização do casamento, para fins de assegurar o acesso independentemente
da orientação sexual.
Para enfrentar a proposta religiosa é preciso
compreender que argumentar em termos de “família natural”, como esclarece
Martha Nussbaum (2001), é uma forma de argumento escorregadio, posto que o
termo “natural” está longe de ser unívoco. Ao se afirmar uma relação R é
“natural”, pode-se estar recorrendo a uma, dentre quatro alternativas: 1. biologia:
R é baseada num dom inato, numa tendência; 2. tradição: R é o único modo que
nós conhecemos, as coisas sempre foram desse modo; 3. necessidade: R é o único
modo possível, as coisas não podem ser de outro modo; 4. norma: R é o certo e o
apropriado, o modo como as coisas deveriam ser.
Argumentos baseados no “natural” freqüentemente
deslizam entre essas diferentes proposições, sem qualquer argumentação. Por
certo que nenhuma dessas inferências é legítima: os costumes não estão fundados
na biologia, e nossa limitação em conceber outros modos de convivência pode
estar mais ligada à falta de imaginação do que a uma herança que justificasse a
impossibilidade de modos alternativos. Claramente, a longevidade de um costume
não demonstra que o mesmo é correto. (Nussbaum, 2001: 254).
Compreende-se, assim, que a utilização de argumentos
deterministas, cujo uso tem sido recorrente por aqueles que defendem uma
“naturalidade” da família, não resistem a uma análise adequada, revelando-se
insustentáveis enquanto obstáculo à democratização do acesso ao casamento.
Porém, a noção de família tem sido juridicamente
naturalizada, isto é, muitos juristas ainda propõem uma concepção de família
calcada na santidade do casamento, o qual estaria necessariamente atrelado à
procriação. Essa visão religiosa do compromisso assumido entre as partes,
atribuindo-se à união afetivo-sexual uma necessária finalidade reprodutiva, já
não se conforma aos ordenamentos jurídicos latino-americanos.
Quanto ao fato de que alguns Códigos Civis ainda
contenham referências à formação de prole[1],
ao tratar do instituto do casamento, é preciso deixar claro que as respectivas
Constituições (a lei maior) desses mesmos países asseguram, em maior ou menor
grau, o direito à autonomia reprodutiva, tornando inconstitucionais quaisquer
dispositivos legais que atentem contra essa liberdade.
É dizer, tanto homens e mulheres estéreis podem casar, as mulheres que chegaram
à menopausa podem casar, também podem permanecer casadas aquelas pessoas cujos
filhos já são adultos e constituíram novas famílias.
Há ainda, um outro aspecto que não pode ser esquecido
na análise da doutrina católica sobre a família. É preciso ter em mente que,
mesmo que fosse exigível a procriação como requisito para se ter o direito de
casar (constituir família), ainda assim seria equivocada a premissa do
argumento da “família natural”, porque restringiria a constituição de prole,
sem qualquer justificativa, à hipótese de filiação biológica. Como esclarece
Françoise Héritier “Não existem, até nossos dias, sociedades humanas que sejam
fundadas unicamente sobre a simples consideração da procriação biológica ou que
lhe tenham atribuído a mesma importância que a filiação socialmente definida.
Todas consagram a primazia do social – da convenção jurídica que funda o social
– sobre o biológico puro. A filiação não é, portanto, jamais um simples
derivado da procriação. É uma terceira constante” (Héritier, 2000:102).
Portanto, mesmo na hipótese de que fosse a procriação
um requisito para o casamento, esta poderia se dar através da adoção[2], o que tornaria sem sentido a exigência de
capacidade reprodutiva em termos biológicos.
Jurisdição Secular [vs. Eclesiástica]
Um aspecto que deve ser destacado no debate sobre o
casamento entre pessoas do mesmo sexo, diz respeito ao fato de que a doutrina
católica tem posição definida, através de documentos oficiais do Vaticano,
acerca dos projetos de reconhecimento legal de uniões entre pessoas
homossexuais.[3] Nesse
sentido, é preciso lembrar que os ordenamentos jurídicos da América Latina
asseguram o princípio da dignidade da pessoa humana, protegido pelo princípio
da não-discriminação. Portanto, não há sustentação legal para hierarquizar as
diferentes orientações sexuais, revelando-se discriminatória qualquer tentativa
nesse sentido.
Dignidade pressupõe igualdade de tratamento pelo
ordenamento jurídico como um todo. Não basta que todos sejam iguais perante a
lei, é preciso que todos sejam iguais perante o juiz. Todavia, ao tratar da
proteção legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo, retorna-se, em pleno
século XXI, à tensão vivenciada no período das Monarquias do século XIX, quando
se debatia a secularização do casamento nos países da América Latina,
confrontando-se os ideais republicanos com a doutrina da igreja católica.
No dizer de Daniel Borrillo, “Uma vez produzida a
secularização do matrimônio, a característica da consumação (como união de duas
carnes) do sacramento religioso é substituída pelo consentimento (como união de
duas vontades) própria ao direito civil. Sendo o acordo de vontades, e não a
copula carnalis o que faz a essência do matrimônio, a conditio sine qua non de
sua existência não pode continuar sendo a diferença dos sexos das partes
contratantes. Em outras palavras, para o direito secular, o que conta não é a
natureza física da instituição, mas a sua dimensão psicológica. À carne sexuada
da regra canônica, o direito moderno opõe o sujeito abstrato, livre e
consciente” (Borrillo, 2006: 03).
Contudo, ressalvadas as exceções, os membros do Poder
Judiciário latino-americano têm obstaculizado o acesso democrático ao casamento
– transformando-o em um privilégio heterossexual – através de argumentos
vazios, fazendo uma vaga referência à proteção da família, sem precisar que
riscos estariam justificando suas decisões.
Como afirma Eric Posner, os opositores do casamento
entre pessoas do mesmo sexo deixam de articular os argumentos religiosos que
estão implícitos nessa postura, limitando-se a uma vaga menção à subversão do
casamento (e da família), mas não descrevem o processo através do qual essa
subversão poderia ocorrer (Posner, 200: 84). Trata-se de adesão ao senso comum
homofóbico difundido pela doutrina católica através dos documentos oficiais do
Vaticano sobre o tema no período em que a Congregação para a doutrina da fé
esteve sob a prefeitura do Cardeal Joseph Ratzinger.[4]
Portanto, é preciso verificar se as decisões do Poder
Judiciário estão baseadas em justificativas razoáveis, passíveis de serem
verificadas à luz da razão, ou se estão informadas por dogmas religiosos.
Desde uma perspectiva laica, conforme já afirmou a
Suprema Corte de Massachusetts, em julgamento de 2003 (Sullivan, 2004: 112),
reconhecer o direito de um indivíduo se casar com uma pessoa do mesmo sexo não
irá diminuir a validade ou dignidade do casamento entre pessoas do sexo oposto.
Estender o casamento civil para casais do mesmo sexo reforça a importância do
casamento para os indivíduos e para a comunidade.
Conclusão
Como proposto, procurei demonstrar ao longo do texto
que a noção de família que tem sido empregada pelo Poder Judiciário
latino-americano, como obstáculo à implementação do casamento entre pessoas do
mesmo sexo, está alicerçada em uma doutrina religiosa específica, cuja
imposição através de um dos Poderes do Estado é violadora das liberdades
laicas.
O exame do conjunto de normas vigentes e o modo como
têm sido interpretadas, sugere que, mais do que alguma reforma legislativa é
necessária uma mudança de mentalidade dos juízes latino-americanos, para que se
dê eficácia aos direitos sexuais e reprodutivos já incorporados aos
ordenamentos jurídicos nacionais, como conseqüência da participação dos países
latino-americanos nas Conferências das Nações Unidas.
A presente análise sugere que também em outros temas
ligados à cidadania sexual, as razões de decidir dos juízes estejam
contaminadas por dogmas religiosos, revelando a necessidade de se realizarem
pesquisas para verificação dessa hipótese, através de uma leitura crítica de um
conjunto de decisões do Poder Judiciário latino-americano.
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Referencias
[1]
Alguns Códigos Civis ainda fazem referência à finalidade procriativa do
casamento, como Chile, art. 102; Colômbia, art. 113; e Nicarágua, art. 94. Por
outro lado os Códigos Civis de Brasil, art. 1.511; Bolívia, art. 44 (Código de
Família); Costa Rica, art. 11 (Código de Família); Peru, art. 234; Uruguai,
art. 83; e Venezuela, art. 44;; não fazem qualquer alusão à constituição de
prole nas suas definições do matrimonio.
[2] No Brasil, recentemente foram deferidas
as primeiras adoções de crianças por casais formados por pessoas do mesmo sexo:
sentença do juiz Marcos Danilo Edon Franco, da Comarca de Bagé (28-10-2005).
Sentença do juiz José Antônio Daltoé Cezar, da 2ª Vara da Infância e Juventude
da Comarca de Porto Alegre (03-07-2006), unanimemente confirmada pela VII
Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (caso nº 70013801592,
julgado em 05.04.2006, Relator, Des. Luiz Felipe Brasil Santos). Sobre o tema,
ver “Homoparentalidade por adoção no Direito brasileiro” (Lorea, 2005) e
“Direito à Homoparentalidade” (Zambrano, 2006).
[3] Convém referir que a defesa de soluções
alternativas à democratização do acesso ao casamento, não parece ser a melhor
solução para a desigualdade de tratamento em função da orientação sexual.
Especialmente com relação às propostas de parcerias civis, como o Pacto Civil
de Solidariedade (PaCS) adotado na França, sobre o qual afirma Daniel Borrillo
“Os casais homossexuais encontram-se em situação de inferioridade jurídica.
Diferentemente do casamento, o PaCS não dá direito algum relativo à filiação,
não concede automática e imediatamente um visto de permanência ao estrangeiro,
e não dá direito à transmissão de pensão em caso de morte do parceiro. (...) Os
parceiros do PaCS não têm direito aos benefícios em matéria de acidente de
trabalho, seguro velhice, férias concomitantes, e suas uniões não são
reconhecidas fora da França” (Borrillo, 2005: 8). Soluções que se desviam da
questão da democratização do instituto do casamento, abdicando de reivindicar o
acesso ao casamento, independentemente da orientação sexual, conformam-se a uma
concepção religiosa de família, reforçando a heteronormatividade e deixam de
enfrentar a questão da igualdade na liberdade de escolha do cônjuge, que é
pressuposto da dignidade da pessoa humana. (Lorea, 2005: 38; Arendt, 2004:
145).
[4] Notadamente os seguintes documentos:
“Algumas reflexões acerca da resposta a propostas legislativas sobre a
não-discriminação das pessoas homossexuais” de 1992; e Considerações sobre os
projetos de Reconhecimento legal das Uniões entre Pessoas Homossexuais” de
2003.
Sobre
el autor
Roberto Arriada Lorea: Juiz de Direito em Porto Alegre, Brasil. Doutorando em Antropologia Social na Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRGS). Diretor do Departamento de Cidadania e Direitos Humanos, da
Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS.). Professor na Escola
Superior da Magistratura (ESM/AJURIS). E-mail: lorea@tj.rs.gov.br
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Familias lésbicas: identidad, pareja y maternidad
Por Florencia Herrera Oesterheld
Introducción
El artículo aborda las formas de construir familia de
mujeres lesbianas en Santiago de Chile. Las relaciones íntimas de gays y
lesbianas están desprotegidas y el miedo al rechazo tiene una influencia
decisiva en sus vidas. No obstante, aún en contextos que les son adversos,
las lesbianas chilenas buscan caminos y construyen estrategias para establecer
vínculos familiares y dar respuesta a sus necesidades de cuidar y ser cuidadas.
Tradicionalmente los términos ‘familia’ y
‘homosexualidad’ han sido considerados opuestos o incompatibles. Se asumía que
las personas homosexuales eran expulsadas de sus familias de origen, no eran
capaces de construir relaciones de pareja estables y no podían tener hijos. En
los últimos años esto está cambiando y se ha comenzado hablar de la familia
homosexual (Weston 1991). En América Latina la cuestión gay ha tenido cada vez
más visibilidad y varios países han iniciado la discusión por la regulación
legal de las relaciones de pareja. No obstante, las relaciones íntimas de gays
y lesbianas están desprotegidas y el miedo al rechazo sigue estando muy
presente en las vidas de los homosexuales latinoamericanos.
En este artículo expongo brevemente los principales
resultados de una etnografía realizada en Santiago de Chile. La pregunta guía
de la investigación es cómo
construyen familia las mujeres que se consideran a sí mismas lesbianas. Su
objetivo es describir e interpretar las narrativas y prácticas que desarrollan
las mujeres homosexuales de estrato medio en Santiago de Chile en torno a la
familia y a sus necesidades de cuidar y ser cuidadas[1]. El artículo está estructurado en torno a
tres temas: identidad lésbica, pareja lésbica y maternidad lésbica[2].
Identidad Lésbica
Luisa, una de las participantes en la investigación,
sostiene ‘yo no opté por ser lesbiana, lo que yo elijo es si me lo vivo o no’.
Esta afirmación refleja la relación que tienen la mayoría de las entrevistadas
con su identidad sexual. La identidad lésbica no es algo que ellas escogen sino
que está ligada a su esencia. Por lo tanto, lo único que ellas pueden elegir es
si viven de acuerdo ‘a lo que realmente son’, es decir asumir su homosexualidad
y construir relaciones de pareja con otras mujeres.
El proceso de asumir una identidad lésbica suele ser
largo y doloroso. Es muy difícil hacer propia una identidad estigmatizada por
la sociedad. Las mujeres entrevistadas han seguido varios pasos antes de
considerarse a sí mismas lesbianas. Primero han debido conocer que existe la
categoría social lesbiana. Luego han debido ‘resignificarla’, es decir vaciarla
de las connotaciones negativas que le atribuye la sociedad y otorgarle
connotaciones positivas que además estén de acuerdo con la propia experiencia
(Jenness 1992). En este proceso es vital la relación con grupos de referencia,
ya sea a través de organizaciones feministas o lésbicas, la construcción de
redes a través de Internet o la asistencia a bares y discos homosexuales. Las
mujeres pueden considerarse a sí mismas lesbianas una vez que han construido
una imagen positiva y congruente con sus propias vivencias del lesbianismo.
La estigmatización y el miedo a la discriminación
llevan a la mayoría de las participantes a ocultar su identidad sexual, ya sea
a su familia de origen y/o en su lugar de trabajo. El ocultamiento es una
medida de protección que obliga a las mujeres a llevar ‘dobles vidas’. La
decisión de ‘salir del clóset’ se toma evaluando qué se puede ganar y qué se
puede perder. El miedo a quedar sin trabajo o a provocar un daño irreparable en
las relaciones familiares suele ser muy decisivo. Las conductas de las informantes en aspectos claves
de su vida están influidas por la necesidad de ocultar su lesbianismo. Esta
necesidad marca profundamente sus formas de construir y vivir sus relaciones
íntimas, ya sea con sus parejas, con sus familias de origen o con sus propios
hijos.
Pareja Lésbica
Giddens
(1992) plantea que las parejas
de mujeres están a la vanguardia de los procesos de desformalización y
democratización de las relaciones íntimas. De acuerdo con la literatura especializada las parejas lésbicas suelen
ser más abiertas (no monogámicas), más igualitarias y menos institucionalizadas
que las parejas heterosexuales (Weston 1991, Weeks et al. 2001, Cadoret
2002, Careaga 2004).
Sin embargo, la
gran mayoría de las informantes ha optado por mantener relaciones monógamas. Ninguna
de las parejas participantes en la investigación ha elegido explícitamente
mantener una relación donde se permita tener sexo con otras personas. Algunas
informantes han sido infieles o han sufrido la infidelidad de su pareja, lo que
frecuentemente ha estado acompañado de mentiras y engaños, y siempre ha sido
fuente de dolor y de conflicto.
Con respecto a la suposición que las parejas lésbicas
tienen relaciones más igualitarias que las heterosexuales, la información
recogida en el trabajo de campo permite afirmar que en sus narrativas las
entrevistadas sostienen que la división de las tareas domésticas entre mujeres
es más equilibrada que entre un hombre y una mujer. No obstante, puede existir
una diferencia importante entre el discurso y la práctica. La igualdad de sexo
no necesariamente lleva a la igualdad en la relación de pareja (Carrington
1999). Esta refleja las desigualdades que existen en la sociedad, las
expectativas de género también pesan en las relaciones entre mujeres y la
domesticidad suele estar invisibilizada. Las relaciones igualitarias son el
modelo normativo y por esta razón se le invoca en los discursos. Es necesario
realizar estudios que vayan más allá del
discurso de lo normativo e identificar la diferencia entre lo que las personas
dicen que hacen y lo que realmente hacen, así como descubrir las diferentes
versiones de la domesticidad de cada uno de los miembros de la pareja.
Finalmente, la
mayoría de las participantes en la etnografía tiene una visión positiva del
matrimonio. Consideran que casarse es un derecho y muchas afirman que si se
legalizara el matrimonio homosexual se casarían. Es decir, las mujeres viven
sus relaciones fuera de los marcos legales pero desearían formalizarlas. La afirmación de Octavia: ‘creo en el
amor, creo en la relación estable, creo en formar una familia, creo en el
matrimonio’, revela el compromiso de las mujeres entrevistadas con el discurso
romántico y tradicional de la relación de pareja.
Maternidad
Lésbica
El ser madre y lesbiana supone combinar dos
identidades supuestamente contradictorias. En la madre lesbiana confluye una identidad marginada
—lesbiana— con una de las más reverenciadas —madre— (Hequembourg
y Farrell 1999). Las expectativas sociales con respecto a las madres es que
deben ser: femeninas, preocupadas y estar siempre dispuestas a sacrificarse por
sus hijos. Por otro lado, se considera que las lesbianas son infértiles y no
son aptas para ser madres. Así, a las madres lesbianas les es muy difícil alcanzar
la identidad de una ‘buena madre’.
La maternidad lésbica es un proyecto reflexivo. Las mujeres que deciden ser madres habiendo asumido su lesbianismo deben enfrentar
un sinnúmero de decisiones que para las mujeres heterosexuales se dan por
sentadas. Deben preguntarse: ¿Cómo tendré a mi hijo? ¿Quiero quedar embarazada?
¿Quiero adoptar un niño? ¿Quiero que mi hijo tenga mi sangre? ¿Quiero que se
parezca a mi pareja? ¿Cómo cuidaré y criaré a mi hijo? ¿Sola? ¿Con mi pareja?
¿Las dos seremos igualmente madres?
Estas decisiones dejan entrever los elementos que
están en juego en la maternidad y la construcción del vínculo madre hijo. La
mayoría de las entrevistadas privilegia un modelo de maternidad en pareja donde
una de ellas quede embarazada mediante una inseminación artificial. Luz y
Carmen concibieron a Miguel mediante esta técnica. Carmen quedó embarazada y
Luz gestionó y llevó a cabo la inseminación. Luz afirma: ‘el niño es hijo de
las dos, porque lo hicimos entre las dos’. Las dos se consideran a sí mismas
madres y comparten los cuidados de Miguel.
La sangre y los parecidos tienen un fuerte peso
simbólico en la constitución de los lazos de maternidad. Las entrevistadas
prefieren utilizar métodos, como la inseminación, que les permitirán a ellas o
sus parejas transmitir su información biogenética. No obstante, la madre no
biológica se valida como madre a través de la participación en el proceso del
embarazo, los afectos y los cuidados cotidianos.
Estos
proyectos de maternidad en pareja suelen evitar la existencia de un padre. La
inseminación artificial con donante ‘anónimo’ impide que el progenitor se
convierta en padre[3]. La
principal razón es el temor a que los posibles padres les arrebaten a sus hijos.
El caso de la jueza lesbiana Karen Atala a quien en
el año 2004 la Corte Suprema quitó la tutela de
sus tres hijas por convivir con su pareja mujer y le entregó la tutela al padre de las niñas, no ha hecho más que dar
una base real a este miedo[4]. De esta
forma, las madres entrevistadas
consideran su maternidad como algo frágil y vulnerable que debe ser protegido.
Conclusiones
“Nuestras
familias son tan buenas como cualquier otra”
De
acuerdo con las narrativas de las participantes el parentesco viene dado por la
sangre y la genética pero a la vez debe ser construido a través de los cuidados
y el afecto. El vínculo consanguíneo por si sólo no permite constituir un lazo
familiar (como es el caso de un donante en una inseminación) sino que debe ir
acompañado por una relación afectiva y sostenida en el tiempo (que es como se
valida la relación de la madre no biológica con su hijo). Así, familia no sólo
es algo que se es sino sobretodo algo que se hace.
Las
relaciones íntimas de las mujeres lesbianas combinan elementos transgresores y
elementos tradicionales. La construcción de familias basadas en parejas del
mismo sexo, la anulación del padre en los proyectos de maternidad y la creación
de relaciones de parentesco fundamentadas en el afecto y el cuidado constituyen
factores innovadores. El peso simbólico de la sangre y el embarazo en la
constitución de lazos maternales y la reproducción de la ficción de la familia
nuclear (dos personas que viven bajo un mismo techo producen una tercera)
constituyen elementos convencionales.
Las
participantes no tienen un discurso de crítica a la familia y tampoco
reivindican el reconocimiento de las formas alternativas de familia que
representan las conformadas por parejas lésbicas. Más que el rechazo de los
modelos de familia existentes o un énfasis en la diferenciación, hay una
exigencia de legitimación legal y social de las familias que ellas forman. Lo
que buscan es la total inserción social de sus familias, que, a sus ojos, no se
diferencian en lo medular de las formas tradicionales de hacer familia.
Bibliografía
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Referencias
[1] El trabajo de campo consistió en entrevistas
en profundidad y observación. Esta investigación constituye mi tesis doctoral en
Antropología Social y Cultural presentada a la Universidad de Barcelona. Agradezco,
por su confianza y hospitalidad, a las mujeres
que generosamente participaron en este estudio y me recibieron en sus casas. Así mismo, agradezco el
apoyo del Proyecto ‘Sexualidades,
Salud y Derechos Humanos en América Latina’ de la Universidad Peruana Cayetano Heredia y a la Fundación Ford .
[2] Las experiencias de las mujeres
entrevistadas y de las mujeres lesbianas en general son diversas. Por la brevedad
de este artículo se exponen las principales tendencias identificadas en la
investigación. Sin embargo, se deben tener presentes los peligros de
generalizar e imponer una homogeneidad donde existe gran variedad.
[3] Carmen y Luz realizaron varias
inseminaciones artesanales en casa con distintos donantes. Los donantes no
debían conocer a Carmen ni debían saber si su donación había dado paso a un
embarazo. De esta forma, Carmen y Luz querían limitar la participación de los
hombres en su proyecto de maternidad.
[4] En enero de 2003 el ex marido de la
magistrada y padre de las niñas solicitó la tutela de
éstas, pues a su juicio el ambiente otorgado por la
madre no era el más propicio debido a que la jueza convivía con su pareja
mujer. El caso llegó hasta la Corte Suprema donde se consideró que el interés
superior del niño implicaba separar a las hijas de su madre ya que las menores
estaban expuestas a una situación de riesgo al vivir con una madre lesbiana. El caso de la Jueza Karen Atala marcó un antes y un después para las madres lesbianas chilenas. A partir de
la resolución de este caso adquirieron conciencia que sus hijos les podían ser
arrebatados si reconocían públicamente su orientación homosexual.
Sobre
la autora
Florencia Herrera Oesterheld. Socióloga, Pontificia Universidad Católica de Chile.
Doctora © en Antropología Social y Cultural en la Universidad de Barcelona. E-mail: floherrera@gmail.com
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Desarrollo Entrevistas
LA FAMILIA EN DEBATE: CONCEPCIONES, TRANSFORMACIONES, IMPLICANCIAS Y DESAFÍOS
Participan Sara Barrón, Juan Carlos Ramírez, Roger Raupp y Claudia Fonseca
El impulso que se viene dando a importantes cambios
en las leyes que rigen la vida familiar desde su conformación -como por ejemplo
la reciente aprobación de la Ley de Convivencia en México - pone en debate no
solo las concepciones hegemónicas sobre la familia (nuclear, heterosexual,
legalmente establecida). También genera discusiones sobre identidad y poder.
Ciudadanía Sexual propicia un debate inicial entre
especialistas y activistas Sara Barrón,
española residente en Argentina; Juan Carlos Ramírez de México; Roger Raupp y Claudia Fonseca de Brasil, participan
de este debate con sus agudas opiniones y perspectivas antropológicas, legales
y sociológicas, dejando más que conclusiones, algunas opiniones y conceptos que
provocan más respuestas y reflexiones en un tema central: la familia.
Les dejamos con las preguntas y respuestas de
nuestros/as invitados/as. Les recordamos además que el debate queda abierto.
1. Ciudadanía Sexual: ¿Cuáles
serían los principales elementos que influyen en el cuestionamiento del modelo
tradicional de familia?, ¿Podemos hablar de un nuevo modelo de familia o nuevos
modelos de familia?, ¿Qué características tendrían?
Para Sara Barrón López, la diversidad familiar es un
fenómeno de larga data. Muchas veces lo que apreciamos como "nuevo"
no es sino la mirada contemporánea que empieza a ver y/o a reconocer que
existen formas de convivencia que se alejan del patrón normativamente
establecido, que en la mayor parte de las sociedades occidentales se trata de
la familia biparental, conyugal, neolocal y heterosexual. La diversidad
familiar ha ido variando en su morfología a lo largo del devenir histórico,
destacando en la contemporaneidad formas encabezadas por mujeres (familias
monoparentales de mujeres separadas/divorciadas y solteras) y familias
homoparentales.
Señala Barrón que no es ajeno a estas modalidades, la
erosión de un esquema rígido y (hetero)sexista de los géneros, el ímpetu del
individualismo que reivindica mayor autonomía en las trayectorias personales y
familiares de los sujetos y valores que cuestionan formas románticas “del para
siempre” y “como siempre” en cuestiones de la pareja y la afectividad.
El brasileño Roger Raupp Ríos, explica: A
multiplicidade das configurações familiares contemporâneas, decorrente do
dinamismo da vida social e política verificada nas últimas décadas do século
passado, é um fato que cada vez mais se impõe a todos, sejam pesquisadores,
formuladores de políticas públicas, educadores ou juristas. Dentre os fatores
que colaboraram para tanto, devem ser destacados a emergência dos movimentos
feministas e homossexuais, bem como os impactos das transformações econômicas.
De fato, mais e mais cresce o número de família monoparentais chefiadas por
mulheres, por exemplo. Neste contexto, parece-me adequado falar da convivência
de novos modelos de famílias com a concepção hegemônica sobre a família, que
aqui denominarei de "família pequeno-burguesa". Quanto à
identificação de determinadas características, de elementos que unifiquem estas
novas famílias, creio que tal empreitada não se mostra bastante difícil, dado,
precisamente, a dinâmica e a variabilidade destas configurações. De todo modo,
pode ser apontadas características como supremacia da realidade sobre
formalismos técnicos ou jurídicos, abertura para novos desenvolvimentos,
recolocação/superação dos papéis tradicionais de gênero, especialmente quanto à
direção do grupo familiar.
Mientras que Juan Carlos
Ramírez, señala que existe una diversidad amplia de formas de convivencia que
son ordinarias en la vida cotidiana y que no se limitan a la estructura
padre-madre-hij@s. La idea de familia como estructura social es sumamente
dinámica y cambiante, por lo que las normas jurídicas siempre están atrás de
los fenómenos y formas de organización social como el de las familias. Muchos
elementos intervienen en estos procesos de
transformación: modificaciones en los mercados de trabajo, participación de las
mujeres en el espacio laboral remunerado; incremento de la escolaridad, costo
de la vida, desempleo o subempleo de varones, construcciones de las
prestaciones sociales, modificaciones en la visibilidad del ejercicio de la
sexualidad y de las preferencias erótico-afectivas, la apertura de las
industrias culturales a tratar estos y otros temas relacionados con la vida
íntima de las familias y los individuos.
El mexicano Ramírez dice además que podrían hacerse
tipologías de familias en función de los elementos antes mencionados. Desde mi
punto de vista sería una tarea insuficiente porque considero que el acento
debería ponerse en aspectos como el aporte de los individuos como conjunto
(familia) o de manera individual a la sociedad, de manera que pudieran
expresarse todo el potencial humano, que sería una tarea, una función
primordial de “la familia” independientemente de la configuración que esta
pudiera tener.
A
la consulta de Ciudadanía Sexual la brasileña Claudia Fonseca responde:
É bom lembrar que a. a evolução da família não é
necessariamente linear. No Brasil, durante a época colonial, o “modelo
hegemonico” não atingia mais de um terço da população. Podemos dizer que durante
os anos 50 (1950), a família nuclear estava no auge (em termos ideológicos e
numéricos) nas democracias ocidentais. Durante os anos 60, a famosa “revolução
social” trouxe para as camadas médias da Europa e da América do Norte novas
possibilidades de ver o comportamento sexual. Certamente havi a a ver com
novas tecnologias contraceptivas (pílula), maior mobilidade geográfica, o
movimento social de liberação das mulheres, e a diminuição do poder político da
Igreja.
Fonseca dice que Kate Weston, nos Estados Unidos,
escreveu já faz 20 anos o livro, The Families We Choose onde, naquele
contexto (camadas médias norte-americanas), o novo valor hegemônico é a família
de escolha (e não escolhida), unida pelo amor. Assim,
configurações não-consanguineas (adoção), e não procriativas (parcerias
homosexuais) podem dividir o palco com as formas mais tradicionais de família.
Judith Stacey também escreveu há vinte anos sobre famílias pos-modernos no
mesmo contexto. De certa forma, elas anunciam os contornos de uma nova
concepção de família que vai “falar” para certos setores da sociedade.
2. ¿Qué implicancias tienen
estas transformaciones en las familias sobre los aspectos sociales y económicos
de las políticas nacionales sobre salud sexual y reproductiva? ¿Y qué ocurre a
nivel internacional?
Sara Barrón da una mirada
a la región latinoamericana donde especialmente
el Estado empieza a intervenir en cuestiones que tradicionalmente se han
delimitado en el terreno de lo “privado”. El caso de la sexualidad y cuestiones
en materia de salud reproductiva son ejemplos significativos al respecto. Y
continúa “No obstante, el contexto predominante de esta intervención sigue
siendo de carácter asistencialista, abordando la sexualidad desde un enfoque
predominantemente biomédico con objetivos claros de contracepción en sectores
populares, cuando la salud sexual abarca dimensiones más amplias como el deseo,
el cuerpo y un sólido conocimiento sobre opciones y condiciones “saludables” de
experimentar y pensar lo sexual”.
Juan Carlos Ramírez, considera que las modificaciones
en las formas de convivencia íntima, cuestionan la normalidad social, su regulación; evidencian
el temor de mirar aquello que existe y que prefiere no mirarse. Sin lugar a
duda la apertura demanda modificaciones
sustantivas en la manera como se elaboran las políticas públicas, el acceso a
servicios, seguridad social, formas de convivencia, espacios de expresión,
acceso a la educación, etc. Ello requiere espacios de expresión plural que
vayan más allá de los esquemas normativos tradicionales de “familias” y la manera en que son elaboradas las políticas
públicas que tienen una perspectiva vertical, bajo el esquema y el
reconocimiento de diversidad en las formas de convivencia,
se requiere que dicha diversidad este representada en los órganos que elaboran
tales políticas y en la supervisión de las mismas.
Desde la perspectiva legal,
responde Claudia Fonseca: “É importante mais uma vez se dar conta da
variabilidade de respostas legais nos diferentes paises as novas
configurações. Até para novas tecnologias reprodutivas, as leis variam de um
pais para outro. Assim, se antigamente as pessoas atravessavam fronteiras
nacionais para fazer um aborto, hoje atravessam fronteiras para procurar
esperma de doador, etc. Dentro da Europa, há uma variabilidade muito grande de
leis, assim como nos paises da América. No Brasil, certamente a lei do divorcio
(1977) é consequencia das novas configurações, assim como dispositivos na
Constituinte que conferem igualdade de herança a todos os filhos do lado
paterno e materno (que os pais fossem casados ou não). De forma interessante,
no Brasil como na maior parte da América Latina, o aborto ainda não foi
liberado – o que representa uma anomalia no panorama mundial.
De otro lado, Roger Raupp opina que: As
políticas públicas relativas à saúde sexual e reprodutiva, pelo menos no que
respeita às repercussões jurídicas destas transformações, apontam para uma
revisão/superação dos papéis de gênero, cada vez mais se reconhecendo o
protagonismo feminino, atuando em nome e pela comunidade familiar, junto aos
serviços públicos de saúde. Já quando se pensa nas chamadas "famílias
homossexuais", há repercussões direta tanto na dimensão social quanto na
dimensão do acesso aos serviços médicos. Com relação ao primeiro, basta lembrar
o surgimento de demandas judiciais envolvendo a adoção de crianças por
homossexuais, na qualidade de indivíduos ou de "casal" de pessoas do
mesmo sexo. Com relação à repercussão relativa ao acesso aos serviços de saúde,
percebe-se a reivindicação, quando não a procura concreta, por técnicas
contemporâneas relacionadas à tecnologia reprodutiva.
Também é importante marcar, do ponto de vista social, que o surgimento e o
reconhecimento de múltiplas formas de vida familiar têm repercussão de modo
mais amplo, no que respeita ao valor da diversidade em nossas sociedades. A emergência destas novas realidades traz
consigo a reivindicação por uma sociedade, tanto do ponto de vista
político-institucional, quanto do ponto de vista das relações sociais, de se
levar a sério a diversidade como um princípio de convívio democrático.
3. Uno de los puntos
centrales del activismo religioso, especialmente el católico, es la defensa de
un modelo único de familia, el tradicional conformado por mamá, papá e
hijos. ¿Cuáles serían las contradicciones en sus argumentos? ¿Cuáles
serían los problemas de los activistas liberales o progresistas para
enfrentar dichos argumentos?
Al respecto Sara Barrón dice: La doctrina religiosa
católica arguye con frecuencia el argumento falaz de la “naturalidad” para
justificar su defensa del modelo nuclear biparental heterosexual. Sin embargo,
cabe objetar varias cuestiones en torno al argumento naturalista: a) el idioma
del parentesco es un idioma cultural que prescribe formas específicas de
alianza y afinidad y que precisamente por su naturaleza histórico-social varía
en sus contenidos y manifestaciones a lo largo de las sociedades y culturas.
Precisamente su base cultural impide entenderlo
desde supuestos esencialistas y “naturalizantes”, aunque por la fuerza de la
socialización, nos resulte un sistema “natural”; b) “lo natural” no
necesariamente “es lo mejor” o lo que conviene a las personas en una sociedad.
La mayor parte de lo que entendemos por “avances
biomédicos” y “tecnológicos” son “manipulaciones” del ser humano que han
permitido una mejor calidad de vida a las sociedades: desde unas lentes de
contacto hasta aparatos de diálisis; c) finalmente, los activistas religiosos
católicos han tendido no sólo a defender modelos familiares específicos (con prescripciones
normativas asociadas a los mismos) sino que tratan y siguen tratando de impedir
que otras personas adopten las formas de convivencia familiar que desean (y que
existen de facto). No hay principio de “naturalidad” posible que pueda
justificar el coartar la libertad, máxime cuando los marcos legales nada dicen acerca
de que el cuidado parento-filial y la responsabilidad familiar tengan que
ajustarse a una morfología y dinámica específicas.
Por su parte, Juan Carlos Ramírez explica que en
dichas familias es donde está presente la diversidad que se quiere acotar, y se
presentan de manera desgarradora problemas con profundas consecuencias como la
exclusión, la estigmatización, la violencia, la violación, el sexismo, la
homofobia, entre otras, que contravienen los postulados espirituales básicos de los elementos “religiosos” normativos y
los dispositivos de comportamiento reproductivo-sexual.
Roger Raupp desarrolla
ampliamente la consulta enfatizando en los criterios de estado laico. Esta pergunta é muito interessante e sua formulação, em
si mesma, revela a pertinência do tema. Não se pode negar a influência das
concepções e das práticas religiosas para muitos, senão para a quase totalidade
de nossos concidadãos. Daí a pertinência deste questionamento, acerca da
consistência e da coerência dos discursos dos ativistas religiosos, sejam estes
católicos ou não. Todavia, o que me parece mais importante é assinalar o
quanto é necessário superarmos a influência desta ordem de argumentos, de
fundo religioso, no discurso sobre as políticas públicas, levadas a efeito pelo
Estado, no contexto de Estados laicos e democráticos. Não se trata de
enfraquecer o direito de liberdade religiosa constitucionalmente reconhecido em
nossas democracias. O que se reclama, é este é um ponto muito importante para o
fortalecimento da democracia entre nós, é demarcar a laicidade na atuação
estatal, que deve se pautar, simultaneamente, pela neutralidade diante das
convicções religiosas, pela racionalidade na tomada de decisões sobre as
políticas públicas e pela afirmação dos direitos humanos e constitucionais de
todos os cidadãos.
Contemporaneamente, isto significa fazer valer os
direitos civis e políticos de todos e de cada um dos cidadãos, independente do
que maiorias ou minorias considerem acertado ou aceitável segundo suas crenças
religiosas. Talvez este seja o ponto mais sensível neste debate. Mais do que
apontar coerências ou contradições internas a este ou aquele discurso religioso,
importa, isto sim, demarcar esferas de debate político e de atuação estatl que
se mantenham distantes desta ordem de considerações. Neste contexto, enquanto a laicidade não for levada a
sério em nossas democracias, um dos problemas mais agudos dos ativistas
liberais/progressistas, aqui entendidos como defensores da democracia laica e
do respeito aos direitos humanos e constitucionais, é precisamente esta
confusão, esta falta de clareza sobre a pertinência de discussões religiosas no
debate público democrático.
4. ¿Qué desafíos tienen que
abordar hoy la familias GLBT, en relación con aspectos legales,
culturales, sociales y económicos?
Numerosos estudios científicos han demostrado que las
familias GLTB son tan capaces (o incapaces) como las familias heterosexuales
(mono y biparentales) de criar y educar a menores dependientes, señala Sara
Barrón. No se trata de patologizar modelos familiares a priori desde la
presunción prejuiciosa hacia la diversidad familiar, sino entender las adversas
condiciones sociales en que las familias homoparentales desarrollan su vida
cotidiana. Los hijos e hijas que pertenecen a estas familias cuentan con
mayores problemas de aceptabilidad social e integración institucional que los
hijos de familias heterosexuales, teniendo que lidiar además con su
invisibilidad en manuales de texto, documentación oficial y marcos
legislativos.
A ello se suma, el desamparo en términos de
protección y bienestar patrimonial y afectivo que conlleva la frecuente e indebida representación legal de
uno/a de sus dos progenitores pues no son reconocidos como co-padres o
co-madres. Es el futuro y la estabilidad psico-social de las personas y de
familias que ya existen, lo que está en juego. Este tipo de familias
lleva enfrentando desafíos desde los propios inicios de su conformación:
cuestionando con su sola existencia y en un marco de oprobio social que son tan
capaces de brindar estabilidad y afectividad como las demás familias. Es el
momento de que otros agentes, ineludiblemente entre ellos el Estado, tomen
conciencia de la existencia de estas familias y de que se les ofrezcan iguales garantías
constitucionales a los menores que en ellas se albergan, finaliza Barrón.
Para
Juan Carlos Ramírez, la tarea no solo es de los movimientos GLBT
sino también de quienes vivimos en la heteronormatividad, es construir
un nuevo orden de representación social y simbólica. Que sea nombrable aquello
que se manifiesta como periférico y estigmatizado, para pasar a una
resignificación, esto es, modificar las creencias que tiene trastocado el
sentido, la función y la manera de organización de lo que hoy se concibe como
familia, como relaciones de convivencia, como los espacios y relaciones
íntimas, enfatiza Ramírez.
”Evidentemente, um dos desafios maiores
é o direito de adotar crianças... outro é o direito a previdência social (saúde, aposentadoria) e herança,
em razão da parceria duradoura” recalca la brasileña Claudia Fonseca.
Mientras
Roger Raupp aborda cuestiones legales de esta pregunta.
Acho que esta última pergunta
pode se conectar com a primeira. Numa tentativa de elencar as principais
características destes novos modelos de família, mencionei a abertura à
pluralidade e ao dinamismo das diversas formas de vida, dos diversos grupos
familiares que vão se inventando e se moldando conforme as transformações que
experimentamos desde o final do século passado. Um exemplo destas novas
configurações familiares é a comunidade formada por pessoas de mesmo sexo, por
alguns denominadas "famílias homossexuais", por outros "famílias
GLBT". Tendo presente estes elementos, creio que um primeiro desafio é
exatamente não procurar modelos pré-definidos culturalmente, realizando
adaptações da família pequeno-burguesa. Este é um risco sério e presente, uma
vez que o reconhecimento legislativo ou pelos tribunais destas novas
configurações familiares passa, muitas vezes, por uma lógica claramente
assimilacionista. Parece-me que, do ponto de vista cultural e social, este é um
grande e decisivo desafio, se queremos levar a sério estas possíveis
transformações.
Com relação ao aspecto legal, percebe-se o avanço paulatino de decisões que
rejeitam discriminações por orientação sexual. México, Peru, Colômbia e Brasil,
dentre outros, têm produzido precedentes jurisprudenciais neste sentido. A par
desta tendência, também começa a se produzir na América Latina legislação,
fruto da luta parlamentar e do debate público, que caminha na mesma direção.
Nesta trajetória, a proibição de discriminação foi se expandindo. Da proteção
da orientação sexual como aspecto da vida privada, ela foi requerendo proteções
e reconhecimento estatais mais explícitos, alcançando o reconhecimento, por
parte do Estado, das formas de vida comunitárias familiares, em que envolvidas
pessoas do mesmo sexo. Esta me parece ser uma trajetória de avanço, ainda que
com resistência e, por vezes, ameaças de retrocessos. Aqui também creio que o
maior desafio é não reproduzir, pura e simplesmente, a regulação familiar
pequeno-burguesa, fazendo, todavia, a concessão para a identidade de sexos e
suprimindo o tradicional requisito da diferença sexual entre os cônjuges. É
preciso caminhar para modelos mais abertos, onde a formatação das relações
conjugais e familiares seja menos estatutária, menos pré-definida, e mais
aberta para os diversos arranjos que os envolvidos possam criar.
Sobre
nuestras/os entrevistadas/os
Claudia Fonseca, antropóloga (NACI/Univrsidad Federal de Rio Grande do Sul); Roger Raupp Rios (Juez Federal/RS); Juan Carlos Ramírez (PIEGE/Universidad de Guadalajara); Sara Barrón, especialista en familia, española residente en Argentina.floherrera@gmail.com

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