Nº4 Año 1

 
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ARTICULOS & ENTREVISTAS

  1. Transexualismo e Cirurgia de Troca de Sexo no Brasil: diálogo entre a Medicina e o Direito.
    Por Elizabeth Zambrano.
  2. Género, feminismo y lesbianismo.
    Por Violeta Barrientos Silva
  3. Trabajo Sexual y Derechos Humanos
    Por Mirtha Grande Muyon
  4. Lenguajes corporales: Transgresión Transformista.
    Por David Aruquipa Pérez
  5. El Síndrome del Closet*
    In Memoriam Alberto Montalva
    Por Enrique Bossio

Transexualismo e Cirurgia de Troca de Sexo no Brasil: diálogo entre a Medicina e o Direito.
Por Elizabeth Zambrano

Introdução
A composição da sociedade, do ponto de vista da classificação sexual, apresenta-se, em geral, construída sobre a diferença anatômica entre os sexos. A configuração biológica homem ou mulher possibilita que, na nossa cultura, a definição de gênero tenha sido conceituada de maneira correspondente como masculino ou feminino. Porém, apesar desta relação, existem pessoas que não se identificam com os padrões sociais estabelecidos como masculinos ou femininos, adotando condutas que seriam correspondentes ao outro sexo, gerando, em função disto, preconceitos e discriminações.

Este é o caso do transexualismo que se tem apresentado na mídia como um tema atual, provocando debates por parte de jornalistas, cientistas de várias áreas e público em geral.
O interesse da mídia pela sexualidade parece funcionar como um canal que reproduz e dissemina discursos institucionais, tais como o discurso médico, o jurídico, o político, o econômico e o religioso, ao mesmo tempo que os constrói e os afirma [1] .

O sistema médico toma para si o encargo de definir o “verdadeiro transexual”, fazendo o diagnóstico diferencial com outras patologias, a fim de assegurar a correta indicação terapêutica. Oferece aos transexuais a possibilidade do uso de novas tecnologias, hormonais e cirúrgicas, para a realização da mudança de sexo. Isto nem sempre acontece sem conflitos, pois pressupõe alguns posicionamentos teóricos e ideológicos ainda não solucionados dentro da área médica como, por exemplo, se a cirurgia teria um caráter mutilador de um genital normal em favor de uma instância psíquica patológica ou reconstrutor, possibilitando a correção de um erro morfológico, em favor de uma realidade psicossocial que se impõe.

O discurso médico, com todas as suas dúvidas, se reproduz no discurso jurídico, oferecendo-lhe a base biológica sobre a qual se dão as definições atuais na nossa cultura do que significa ser um homem e uma mulher e, do mesmo modo, oferecendo-lhe a definição de transexualismo.

A relação entre estes dois discursos também se dá com conflitos, ocorrendo, às vezes, de a Medicina realizar a troca de sexo cirúrgica e o Judiciário negar a troca do estado civil, deixando o sujeito transexual em uma situação mais grave do que a anterior. Somente as cirurgias realizadas dentro dos critérios do Conselho Federal de Medicina possibilitam que a troca de nome seja aprovada pelo judiciário.

A cirurgia de troca de sexo oferece aos transexuais a oportunidade de legitimar a sensação de pertencimento a um sexo e não a outro e tornar a identidade de gênero compatível com a identidade sexual. Isto ocorre tendo como pano de fundo a nossa cultura, na qual há uma valorização do biológico para a classificação das pessoas como homens ou mulheres e se observa uma sobreposição entre o gênero e o sexo biológico [2] .

Este artigo está baseado em pesquisa a nível de mestrado, realizada em Porto Alegre, no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, chamada “Trocando os Documentos: um estudo antropológico sobre a cirurgia de troca de sexo”, sobre a cirurgia de troca de sexo em transexuais.
O trabalho visa apresentar uma abordagem antropológica sobre a transexualidade trabalhando, simultaneamente, com transexuais pré e pós-operatórios e examinando duas das principais esferas que influenciam diretamente a situação dos transexuais: a médica e a jurídica. A esfera médica tem a atribuição de definir o “verdadeiro transexual” [3] , fazendo o diagnóstico diferencial com outras “patologias”, a fim de assegurar a correta indicação para a cirurgia de troca de sexo, e a esfera jurídica tem a atribuição de reclassificar o sexo do transexual no âmbito da sociedade.

Igualmente, visamos a conhecer as abordagens médica e jurídica específicas relativas à troca de sexo. As questões de identidade social - nome, estado civil, direitos e deveres jurídicos - também precisam ser enfrentadas com a mudança de sexo, visto colocarem o transexual em confronto com uma série de conceitos e pré-conceitos culturais, expressos por decisões muitas vezes conflitantes dentro do próprio Judiciário [4]
Assim, importa investigar quais são as alternativas que a nossa sociedade, através das instituições médica e jurídica, oferece atualmente para estas
pessoas, pois a realização de uma cirurgia de troca de sexo implica um procedimento médico delicado com conseqüências muito amplas de ordem fisiológica, psíquica, social e jurídica.

Metodologia

Em relação à metodologia utilizada na pesquisa, o fato de ser o transexualismo um diagnóstico médico e de eu própria ser médica, pareceu-me facilitador em um primeiro momento e fez com que me aproximasse do campo através desta via, ou seja, busquei contato com transexuais através de grupos organizados em um hospital, cujo objetivo é preparar os transexuais para a cirurgia.

Observei, nas reuniões com os transexuais, que havia um tipo específico de discurso dirigido à equipe médica: por precisarem do aval da equipe para se submeterem à cirurgia, todo o discurso parecia ter a finalidade de convencer a equipe que eram o que diziam ser : transexuais.
Assim, o que parecia ser uma facilidade inicialmente, acabou evidenciando ser um entrave para a pesquisa pois, o fato de eu ser médica e fazer a pesquisa dentro de um hospital, vinculada à uma equipe que daria ou não a permissão para a desejada cirurgia, estabelecia com os transexuais uma relação de poder que considerei conter o risco de contaminação do campo de pesquisa. Decidi, então, entrevistar o informantes fora do hospital numa tentativa de minimizar este risco.

Entrevistei individualmente cinco transexuais e acompanhei um deles durante un ano e meio, o qual considero ter sido meu informante chave.
Participei também de duas reuniões numa ONG em Porto Alegre – Igualdade – que atua em defesa de travestis e transexuais, onde pude conversar com os participantes e comparar os discursos dos que se identificavam como travestis de outros que se identificavam como transexuais.
Entrevistei alguns operadores do Direito que me auxiliaram na compreensão das discussões atuais sobre Direitos Sexuais.
Encontrei muito pouca literatura antropológica específica sobre transexualismo. A maior parte trata de homossexualidade, travestis e prostituição, e os trabalhos antropológicos que tratam de indivíduos que vivem com uma identidade social oposta ao do seu sexo biológico, não se equivalem ao fenômeno atual do transexualismo.
Na pesquisa bibliográfica usei muito os estudos feitos no campo médico e jurídico, que é onde se encontram a maioria dos trabalhos sobre o tema.
O fato de ter treinamento como psicanalista trouxe vantagens e desvantagens para a realização da pesquisa. Posso citar como vantagem: a facilidade de abordar temas como a sexualidade sem nenhum constrangimento; fazer uma escuta empática com os informantes sem deixar de observar e analisar os significados latentes nos seus discursos; e como desvantagem: a dificuldade de fazer as entrevistas e observações fora da proteção do consultório; bem como o esforço de buscar o significado das representações sociais e não apenas individuais que apareciam nas falas dos informantes.

Foi também muito interessante observar as equivalências do processo de transformação da minha identidade profissional (de psicanalista para antropóloga) com a transformação da identidade sexual vivenciada pelos transexuais. Naquele momento éramos todos trans.

Resultados

Os relatos dos transexuais confirmam o aparecimento, já na primeira infância, da percepção da diferença, mas tem de ser relativizados, já que as entrevistas foram feitas com transexuais adultos que fazem uma reconstrução da sua história e que estão em avaliação para ter aprovado o desejo de fazer a cirurgia.
De acordo com estes relatos, a entrada na escola é o momento onde os transexuais passam a se defrontar mais fortemente com o estigma e o preconceito, levando ao  sofrimento e isolamento. A provável conseqüência é o afastamento da escola.

Dos informantes entrevistados, nenhum havia freqüentado a universidade. Assim, além das dificuldades e sofrimentos nos anos escolares, a baixa escolaridade, o estigma e o preconceito restringem o mercado de trabalho para os transexuais, que procuram atividades profissionais relacionadas com a estética (cabelereiros, costureiros, maquiadores) onde a sua identidade sexual é bem aceita e, muitas vezes, até valorizada.

Um outro resultado interessante foi a percepção do acionamento de fronteiras identitárias com homossexuais e travestis, baseado, principalmente, em críticas morais às condutas desses últimos. A tentativa de diferenciação toma por base a idéia de “erro da natureza”, o que parece ser uma tentativa de responsabilizar a biologia por um corpo equivocado que não tem correspondência com a percepção subjetiva de si. Este permanente acionamento das diferenças parece ter a finalidade de buscar uma inserção na “normalidade”. Os transexuais buscam esta normalidade através de roupas e comportamentos discretos, e tem a pretensão de, em algum momento, passarem a ser homens e mulheres “de verdade”.
A cirurgia de troca de sexo faz parte desta busca pois, se tiverem os genitais modificados e os documentos trocados, como diz uma informante: “Ninguém vai poder dizer que eu não sou mulher de verdade”.

A necessidade da cirurgia para a troca da documentação (troca do nome e do sexo no registro civil) é uma das questões importantes que se evidenciaram durante a pesquisa. Apesar de ser um dos critérios diagnósticos para o transexualismo, a cirurgia não é desejada por vários informantes entrevistados que alegam ser transexuais e não querer a cirurgia devido ao risco e conseqüências, mas que ficam, por isto, impossibilitados de trocar os documentos, já que o Direito não pode declarar como homem alguém que não tem pênis ou mulher alguém que o tem.
Ao mesmo tempo, a Medicina ainda discute se existe, efetivamente, uma troca de sexo através da cirurgia, se a cirurgia é corretiva ou mutiladora. Esta discussão traz conseqüências importantes para o Direito, pois sendo considerada corretiva, o médico não será penalizado; porém, ao ser considerada mutiladora, o médico estará impedido de realiza-la.
Assim, as discussões da Medicina são absorvidas pelo Direito e refletidas na sociedade.
Permanecem, portanto, algumas questões:
O que muda realmente com a cirurgia?
Porque a necessidade de se submeter a um procedimento doloroso  e de resultado nem sempre positivo?
Porque a ênfase em uma mudança a cuja percepção muito poucas pessoas terão acesso e que não altera a impressão visual que se tem dos transexuais?
Os relatos falam de uma mudança “para mim mesma”, mas, sem desconsiderar as questões psíquicas que estão incluídas nesta afirmativa, fica a pergunta: se houvesse a possibilidade legal de trocar os documentos sem a cirurgia, os transexuais teriam a necessidade de trocar os “documentos” [5] ?.

Considerações finais

Para finalizar, quero chamar a atenção para o fato de que a Medicina continua a classificar os transexuais dentro de uma categoria patológica que, não só não muda com a cirurgia, como, pelo contrario, se reafirma com ela: serão sempre transexuais, jamais homens ou mulheres.
Eles próprios sabem disto, ainda que tentem manter a ilusão de que a modificação corporal daria conta do desejo de ser mulher ou homem “de verdade”.

Assim, resta ao Direito a prerrogativa de mudança efetiva para melhorar a condição social dos transexuais, facilitando a troca de documentos dos indivíduos que tem uma identidade social oposta a do seu sexo biológico.
Penso que a contribuição deste trabalho é, a partir de uma visão antropológica, dar um suporte para o dialogo entre a Medicina, o Direito e os transexuais.


Bibliografia
CHILAND, C. Cambiar de sexo. Madrid: Ed. Biblioteca Nueva, 1999.
HEILBORN, M. L. Ser ou estar homossexual: dilemas de construção de identidade social. In: PARKER, R.; BARBOSA, M. R. (orgs) Sexualidades brasileiras. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1996.
LAQUEUR, T. Inventando o sexo: corpo e gênero dos gregos a Freud. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.
MERCANDER, P. La ilusión transexual. Buenos Aires: Nueva Visión, 1997.
PARKER, R; AGGLETON, P. Estigma, discriminação e AIDS. Rio de Janeiro: Ed. ABIA, 2002.
RABINOVICH-BERKMAN, Ricardo D. Transexualidad y Cirurgía: propuesta de un texto alternativo para el art. 110 del proyecto de código civil argentino y el art. 13 nuevo código civil brasileño. Disponível em
<http://www.revistapersona.com.ar/9Rabinovich. htm>. Acesso em 09 mar. 2002
RAMSEY, G. Transexuais – perguntas e respostas. São Paulo: Summus, 1998.
STOLLER, R. J. A experiência transexual. Rio de Janeiro: Imago, 1982.
SZANIANSKY, E. Limites e possibilidades do direito de redesignação do estado sexual: estudo sobre o transexualismo: aspectos médicos e jurídicos. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1998.


Notas
[1] Nesta assertiva não há a intenção de considerar de maneira uniforme os diferentes discursos. Com certeza, dentro de cada uma das áreas, existem variações que, em alguma medida, se remetem a conceitos fundantes das próprias áreas, ainda que possam ser usadas de diferentes formas.
[2] Os trabalhos de John Money e Robert Stoller sobre transexuais introduziram na Psicanálise e na Medicina o conceito de gênero. Estes estudos, realizados através da perspectiva biomédica e psicológica, permitiram separar os conceitos de sexo e gênero e, conseqüentemente, separar também identidade sexual, identidade de gênero, orientação e práticas sexuais. A elaboração destes conceitos tornou mais claras as diferenças entre homossexuais, travestis e transexuais: os homossexuais teriam uma orientação sexual dirigida para o mesmo sexo; os travestis desejariam ser do sexo oposto, vestindo-se e comportando-se como tal; e os transexuais afirmariam ser do sexo oposto.
[3] O que chamamos de transexualismo é um conceito eminentemente médico e resulta do desenvolvimento de possibilidades tecnológicas surgidas muito recentemente. Está descrito nos manuais de doença mental (DSM-IV e CID-10) como transtorno de identidade de gênero ou de identidade sexual, caracterizado pela crença precoce de pertencer ao sexo oposto do seu sexo biológico junto com o desejo de se livrar dos caracteres sexuais do seu sexo biológico e adquirir os do outro, o que inclui a demanda pela cirurgia de troca de sexo.
[4] Um exemplo das divergências dentro do judiciário pode ser visto nas ações cíveis que tratam de pedidos de alteração de sexo e registro de nascimento por transexuais, algumas concordando e outras impedindo: apelação cívil nº 585049927, Ministério Público, Segunda Câmara Civil de Porto Alegre: recurso provido; apelação cívil nº595178963, Ministério Público, Terceira Câmara Cívil de Porto Alegre: apelação provida em parte; apelação civil nº 596103135, Ministério Público, Terceira Câmara Civil de Porto Alegre: apelação não provida, por maioria
[5] No Brasil, o senso comum utiliza a palavra “documentos” dando à ela o significado de “órgãos sexuais”.


Sobre la autora:
Elizabeth Zambrano é médica psicanalista, mestre em Antropologia Social pela UFRGS, membro do NUPACS.
e-mail: elizamb@terra.com.br
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Género, feminismo y lesbianismo.
Por Violeta Barrientos Silva

Una diferencia ancestral... Durante mucho tiempo la sexualidad de las mujeres ha pasado prácticamente desapercibida. Históricamente, los cuerpos femeninos fueron más controlados que los masculinos en razón de la reproducción. El disfrute de la sexualidad no fue sino objeto de ocultamiento o de represión social y así interiorizado por las mujeres.
En la actualidad, las luchas feministas además de otras circunstancias han replanteado la situación social, económica y política de la mujer, llegándose a producir también notorios cambios en las definiciones de lo “masculino” y de lo  “femenino”. El contexto ha flexibilizado sus controles sociales a favor de las mujeres sobre todo en países occidentales y ricos. Circunstancias como las crisis económicas, el ingreso de la mujer al mercado de trabajo, el control de la reproducción, el crecimiento de la población urbana a despecho de la rural y la conquista de la ciudadanía política por las mujeres, no sólo han contribuido a liberalizar a la mujer sino que han rediseñado el rol de lo masculino.

Sin embargo, el mundo de lo social privado es el más resistente a los cambios, dado que sus relaciones no dependen de una ley o decreto, sino de un conjunto de condiciones que van de lo objetivo a lo subjetivo y cuya evolución contiene avances y retrocesos.

La regulación de la sexualidad, la materia más secreta de lo privado, su núcleo profundo y latente, será por lo tanto, uno de los retos más difíciles a conseguir, teniendo en cuenta que subyace sellada por diferentes discursos: familiar, científico, moral, religioso y educativo. De allí que sea previsible una fuerte resistencia a los cambios en cuanto a los roles de género en lo relativo a la sexualidad y que sus disidentes nos horroricen.

De otro lado, la falta de renovación de instituciones como el matrimonio o la familia, así como la herencia histórica de siglos de construcción del conocimiento y relaciones de poder –libertad, propiedad y ciudadanía- desde una perspectiva masculina, dejan sentir aún sus efectos en el proceso de cambio de conductas, como para decir que las mujeres han llegado a alcanzar un óptimo desarrollo o que las actitudes discriminatorias o violentas hacia ellas han desaparecido. Hasta hoy en día, la “virilidad” es resaltada y el “afeminamiento” degradado.
...que persiste en el mundo de lo no heterosexualLa relación dispar, asimétrica entre hombres y mujeres, y la represión sobre éstas, no se supera per se en el mundo homosexual. Las diferencias entre estos grupos saltan a la vista:

“Gays y lesbianas son discriminados por razones similares, pero difieren entre sí en un amplio conjunto de características. Entre este conjunto de características los espacios de encuentro ocupan un lugar importante por ser el elemento básico de cualquier interacción.

La mayoría de los locales de ambiente lésbico carecen, tanto por la decoración como por la conducta manifiesta de quienes acuden a ellos, del carácter marcadamente erótico de los locales gays. Los lésbicos, en reproducción de la condición de género, son sexualmente bastante más discretos” [1]

De esta primera afirmación se desprende la conclusión de que hombres y mujeres ostentan una “cicatriz de género” que sigue marcando sus conductas sexuales aún del otro lado de la frontera.

“Los hombres gays son mucho más notorios y ellos exteriorizan mucho más sus orientaciones y gustos en público, son más extrovertidos, son mucho más desinhibidos que las mujeres; esto tiene que ver con el hecho de la sexualidad de las mujeres que siempre ha estado más reprimida. A la mujer nunca se le ha percibido como un sujeto que piense, nunca ha importado lo que ella desee, lo que importaba era tenerla como objeto deseado. El deseo, la sexualidad que está en el ambiente es masculino.” [2]

Esta última opinión expresa una oposición entre femenino/ invisible y masculino/ visible y el condicionamiento social de que así sea. La expectativa social aguarda que lo masculino se muestre y que lo femenino se mantenga en reserva. Esta expectativa llega también a asimilarse como conducta por los actores. El deseo femenino se invisibiliza y termina por inhibirse. Llama la atención que en el mundo no heterosexual, homosexuales o transexuales (originariamente hombres) muestren músculos bien trabajados o se exhiban bajo atributos “femeninos”, mientras que muchas lesbianas cubren su cuerpo bajo pantalones o rehuyen ser tocadas.  Estas claves se manifiestan a la inversa en el mundo heterosexual, siempre bajo la batuta masculina: orden de “no mostrarse”, para el varón, a fin de asegurar su dominio, y de “mostrarse toda”, ante el varón, para la mujer.

Este binarismo de lo masculino y femenino persiste aún en un mundo aparentemente sin fronteras como el de la disidencia heterosexual. 
La opinión común no suele identificar así a quienes escapan al debido comportamiento según el rol de género que corresponde a su sexo. Respecto al mundo homosexual se llega al simplismo de atribuir instantáneamente a los varones, características femeninas (“afeminados” o “locas”), como a las mujeres, características masculinas (“ahombradas o machonas”).
Sin embargo, esta identificación también es asimilada en el caso de lo travesti: “aquello que siendo varón ha devenido mujer, amenaza con feminizar a quien se le preste” (Alejandro Modarelli). Según esta definición, es un varón el que se apropia de lo que considera femenino, pese a que en la mayor parte de casos dicho modelo femenino ha sido ya sobrepasado por las propias mujeres, hoy en busca de independencia, movilidad y fuerza [3]

Se trata de asumir en este caso una imagen fantasma, en el sentido de ya abandonada en la realidad, y en el sentido de “fantasmática”, es decir, creada por el propio sujeto y proyectada por el deseo de otros sujetos sin guardar relación con la realidad de las mujeres.
Mi pregunta es, qué repercusiones tienen las prácticas sexuales sobre la dinámica (pues se hayan en constante evolución) de los géneros?
Cómo vivir en una comunidad diversa: derechos y límites. Dicho todo esto, considero que la referencia académica o militante a la sexualidad no debe soslayar la cuestión de género que la atraviesa.

Las reivindicaciones feministas han conseguido avanzar hacia la generación de derechos sexuales y reproductivos. Hoy en día, éstos son también demandados por los grupos no heterosexuales preocupados por la libertad de expresión sexual o por la reproducción asistida. 

La libertad, igualdad y no discriminación se reclaman como principios básicos a regir la vida en sociedad. Estos principios no son nuevos y sin embargo, cada vez parecieran alcanzar una nueva dimensión. Recordemos que al ser declarados los “derechos del Hombre” en el siglo XVIII, éstos no beneficiaban al conjunto total de los seres humanos, entre ellos, las mujeres.
Hemos hablado de la relación dispar que sobrevive entre hombres y mujeres, de qué manera influirían en ella estas nuevas solicitudes de libertad, igualdad y no discriminación al tratarse de los derechos sexuales y reproductivos?

La evolución de los derechos humanos ha ido también de lo público a lo privado: nació como la demanda de protección del individuo frente al Estado. Hoy en día se manifiesta como una demanda frente otro individuo. El reto es mucho más grande hoy, época de la atomización social y de la regulación de relaciones no sólo entre- comunidades sino intra-comunidades.  De qué manera evitar las desigualdades aún dentro de los grupos que parecen reclamar los mismos derechos?
Reclamamos libertad, pero es que toda práctica sexual respeta los derechos de otras identidades o puede también reforzar antiguos códigos de dominación? Dejo a ustedes las respuestas.


Notas
[1] Careaga, Gloria. “Relaciones entre mujeres” En: Primera reunión regional: sexualidades, salud y derechos humanos en América Latina.
[2] Opiniones de integrantes femeninas del Movimiento Homosexual de Lima (MHOL) y del Grupo de Lesbianas Feministas (GALF) en la Mesa Redonda “Mitos y realidades de las lesbianas en el Perú”, UNMSM, diciembre 2002.
[3] Las imágenes del cine muestran cómo ha ido cambiando la percepción de la mujer, de una sexy vamp creada por el star system a una heroína andrógina.


Sobre la autora:
Violeta Barrientos Silva (Lima, 1963). Doctora en Estudios hispánicos y latinoamericanos, París VIII. Abogada y escritora. Dirige el Centro Latinoamericano de Sexualidad y Derechos Humanos.
E-mail: violeta@flora.org.pe

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Trabajo Sexual  y Derechos Humanos
Por Mirtha Grande Muyon

Antes de conocer el mundo de la prostitución, yo compartía  en gran parte la misma opinion  de muchas personas, frente a la ”prostitucion” , opinion alimentada por los medios de comunicacion y las posturas conservadoras. Hoy reconozco que mi opinion en aquel entonces era inexacta y falta de comprensión. Esta opinión se fue modificando con el transcurso de los años, analizando y comprendiendo de cerca cuando tuve la oportunidad de comenzar a trabajar  y tener un contacto mas personal con mujeres y hombres trabajadores/as  sexuales y conocer cada historia de vida y comprobar que en la mayoria  de ellas/os la elección de esta actividad no era coactiva, ni forzada, pero si movida por una serie de circunstancias como la economía sumergida y la pobreza,  y donde las personas se ven presionadas a ganar cantidades de dinero (Melissa Ditmore).  Esta experiencia derrumbó muchos mitos en mi y estas mujeres y hombres me abrieron la posibilidad de revisar y cuestionar mi ideologia feminista tanto de la prostitución como otros temas relacionados.
La discusión sobre el trabajo sexual  es un tema espinoso dentro del movimiento de mujeres y divide en forma especial al grupo de mujeres feministas. Planteando posiciones desde el abolicionismo, prohibicionismo, despenalización y reglamentación. Situacion que debemos considerar cada vez mas de forma relevante y prioritaria en la agenda del movimiento internacional  por la implicancia  que el asunto tiene en la vida,  no solo de  muchas mujeres sino también de hombres.
El presente documento  no va a considerar el grupo heterogéneo que existe dentro del comercio  sexual,  de difícil clasificación que incluye a hombres, mujeres, travestis/transexuales, inmigrantes, jóvenes o usuarios /as  de drogas que  entran a la industria del sexo en diversos contextos y que hace necesario considerar para ello  las peculiaridades de cada subgrupo  con particularidades, culturas y necesidades diferentes.  Tampoco se tocará la existencia de modalidades dentro de la gran industria del sexo.  Mucho menos me centraré en las actuaciones preventivas de VIH/SIDA, ITS, porque esto último profundiza la estigmatización y discriminación de las mujeres y hombres que ejercen este trabajo, además de conocer que el sexo comercial ha sido poco relevante para la transmisión del VIH a la población general (Allan Brant) con excepción del grupo de travestis /transexuales dedicadas al comercio sexual.
El eje transversal de este texto será el de los derechos como seres humanos sujetos/as, marco que puede regir para otro tipo de actuaciones, tanto de  intervenciones políticas, sociales y legales y que ayudarían a mejorar las condiciones de vida de muchas personas, que carecen a menudo, de  la protección de sus derechos humanos más esenciales como el derecho a la autonomía, a la elección ocupacional,  a la autodeterminación sexual, a la integridad, frente a  la violencia y explotación  de los actores dentro de la industria del sexo. Además, de otros derechos que todos y todas conocemos como el  derecho a la salud, a la información, educación  y a un trabajo digno y seguro.
La Real Academia Española define la prostitución como  la  “actividad a la que se dedica la persona que mantiene relaciones sexuales con otros, a cambio de dinero” . Esta definición de prostitución, trae consigo llamar a las personas que lo ejercen como prostitutas/ prostitutos o de otra forma estigmatizante como “putas”. 
Frente a esto, es necesario aclarar la concepción con respecto al trabajo sexual,   ya que existen múltiples términos para hablar de la venta de servicios sexuales. Desde hace algunos años se utiliza, en forma sistemática, la palabra trabajo sexual para referirse a la actividad y nombrar a las personas que lo ejercen, como trabajadoras/es sexuales. Esto sirve para contrarrestar de alguna forma la conceptualización de la “prostitución” como una lacra social, “un mal necesario” o la expresión máxima de una sociedad patriarcal, que ha culpabilizado en especial a las mujeres mas que a los hombres que están en ella, de ser malas en todo sentido o por el contrario, a victimizarlas/os, privándolas/os de sentirse trabajadoras/es en su campo. Asimismo, el usar la palabra prostitución puede impedirnos el entendimiento de que hay un mercado del sexo, distraernos de la demanda, de las personas que requieren servicios sexuales (Laura Agustín).
Por lo tanto, definiremos como trabajadoras/es sexuales a todas las mujeres adultas y hombres, transexuales/ travestis, etc. que reciben dinero u otro tipo de pago a cambio de servicios sexuales y que definen esto, conscientemente, como una actividad de tiempo completo o parcial, para obtener  ingresos.
Las/los trabajadoras/es sexuales son parte integrante de la sociedad y como cualquier otra persona tratan de encontrar trabajo donde pueden y cuando pueden. Algunas/os eligen el trabajo sexual como mejor opción y para otras las opciones son más limitadas y el trabajo sexual es la única alternativa real para sobrevivir y tener a la vez una mayor independencia económica que la que alcanzaría en otros sectores laborales. Independientemente de su motivo, ellas/os deben ser reconocidas/os como trabajadoras/es.
Otra variable a analizar es el estigma, que juega un papel esencial en la producción y reproducción de relaciones de poder y de control en todos los sistemas sociales y originando la desigualdad social. (Richard Parker). Por esta razón se usa el término trabajadoras/es sexuales, por el respeto a las/os involucradas/os, ya que ellas/os mismas/os se consideran trabajadoras/es (fue este gremio que en otras partes del mundo creó el término trabajo sexual) así mediante este término se recalca la importancia del enfoque laboral. La palabra trabajador/a sexual es menos estigmatizante que prostituto/a; porque las/os enfoca como trabajadoras/es y las/os desliga de la delincuencia, ya que el término “prostitución” está popularmente asociado con “el bajo mundo”, el licor, las drogas y otras acciones ilícitas y no como una forma de ganar ingresos.  Mención aparte es el caso de las/os niñas/os y adolescentes, donde en este caso la prostitución seria una forma de explotación y de ejercicio de violencia, las cuales son también obvias en todos los tipos de prostitución forzada y trata de mujeres.
Utilizando y trabajando desde el concepto “trabajo sexual” se pretende promover un cambio de actitud y mentalidad de la sociedad, para que las /os trabajadoras/es sexuales sean consideradas como tales y merecedoras/es de la tutela estatal que garantice sus derechos humanos y laborales. Sin embargo, no basta con un cambio de palabras, sino un cambio de concepción y un enfrentamiento con nuestras propias valoraciones y estereotipos.
Por otro lado, dentro de mi perspectiva, la visión de género constituye un aspecto fundamental. Esto en una primera lectura aparenta ser una contradicción en relación a este discurso, ya que tradicionalmente desde dicha perspectiva la prostitución, como he mencionado, es interpretada como una de las más fuertes instituciones patriarcales que controlan el cuerpo y la sexualidad femenina, al igual que en el matrimonio (Paola Tabet). Así, de una manera muy general nosotras las mujeres somos tratadas como objetos sexuales para el placer de otros; una de las formas de dominación de los hombres.   En este sentido, y desde las perspectivas feministas más ortodoxas se ha victimizado a las/os trabajadoras/es sexuales y en casos extremos han sido tratadas/os como símbolos de opresión, sin haber tomado en cuenta sus opiniones, sus necesidades y sus experiencias. Aunque por otra parte existe conciencia sobre la necesidad de solidaridad entre las mujeres en la lucha contra la violencia y la discriminación, se ha caído muchas veces asumiendo como reales las diferencias entre las buenas y las malas (Gail Pheterson). 
Algunos de los derechos que debemos de reconocer como importantes son:

Derecho a la autonomía económica
Este consiste en que la independencia o autonomía económica implica los medios para ganar dinero y la libertad para cuando se necesita o desea. Uno de los resultados del sistema patriarcal ha sido la dependencia económica en la mayoría de los casos de las mujeres. El tener buenos ingresos, incluso mayores que algunos hombres, en muchos casos todavía es mal visto. En el caso de las/os trabajadoras/es sexuales, algunas personas consideran su trabajo socialmente aceptable si se trata de una estrategia de sobreviviencia, y es criticado cuando se trata de independencia económica. Con la autonomía económica, nos referimos al derecho que tenemos las mujeres y  los hombres a la iniciativa económica y a los beneficios económicos, incluyendo el derecho a comercializar el servicio sexual y a utilizar nuestros ingresos de acuerdo a nuestras necesidades.

Derecho a la elección ocupacional
Para nadie es un secreto que existe una falta de oportunidades educativas y de empleo para las mujeres y que además se les paga menos por el mismo trabajo que a los hombres.  La realidad nos muestra que tenemos poco acceso a puestos altos y/o con remuneraciones justas. En relación al trabajo sexual, para muchas personas es imposible imaginar una satisfacción laboral, y hay trabajadoras/es sexuales que se sienten bien con el trabajo que realizan y aprenden a cuidarse y a determinar las características del servicio que desean ofrecer.
Es sabido que cada mujer -incluso hombres-  tratará de encontrar su mejor opción de acuerdo a sus experiencias de vida, sus condiciones y sus alternativas y en el caso de las/os trabajadoras/es sexuales, algunas/os deciden de manera consciente esta labor entre otras, así como otras mujeres  la encuentran como única alternativa de sobrevivencia. Es importante reconocer que todas las mujeres y hombres debemos tener derecho a un amplio espectro de alternativas de educación y ocupacionales y el debido respeto y compensación a toda labor, incluyendo el trabajo sexual.

Derecho a la autodeterminación sexual
El derecho a la autodeterminación sexual incluye la potestad de establecer los términos de su propia sexualidad, abarcando la elección de pareja(s), conductas y resultados (tales como embarazo, placer, beneficio comercial), siempre que las decisiones de las personas involucradas sean respetadas con equidad. La mayoría de las mujeres estamos de acuerdo en que la sociedad patriarcal nos ha privado y negado la vivencia plena de nuestra sexualidad y nuestro cuerpo. En este sentido, la lucha se ha dirigido al control de la natalidad, aborto, la homo y bisexualidad etc.
Sin embargo, en esta lucha para la libertad sexual, no se ha tomado en cuenta aún el trabajo sexual como una opción, ya que se ha creído que la comercialización del cuerpo nunca podría ser voluntaria porque ésta representa una forma explícita de la dominación del  hombre sobre las mujeres. Creo que esto es una subestimación de las/os trabajadoras/es sexuales, excluyendo su visión. Partimos de que todas/os debemos tener el derecho a determinar nuestra propia conducta sexual, sin estigmatización ni castigo.

Derecho a la integridad
La violencia refleja las relaciones de poder que se establecen de manera injusta entre hombres y mujeres. Todas las mujeres lidiamos, de alguna manera, diariamente con la violencia; en nuestras casas, trabajo o en lugares públicos. A pesar de que existen leyes en cuanto a la violencia dentro de relaciones personales, éstas son frecuentemente aplicadas con discriminación y/o arbitrariamente cuando se trata de las/os trabajadoras/es sexuales. Que las /os trabajadoras/es sexuales estén disponibles para el comercio sexual no significa que estén disponibles para el acoso sexual o la violación. Todas las mujeres tenemos derecho a la integridad física y emocional.  Las mujeres hemos sido divididas en categorías sociales a partir de, entre otras, la ocupación y/o su identidad sexual. Desde nuestra perspectiva, es importante hacer alianza entre diversos grupos de mujeres para construir entre nosotras y en la sociedad en general relaciones más sanas, generosas y tolerantes frente a las diferencias. Esto también se extrapola para los hombres en la misma situación y en general para toda persona.

Derecho a la salud / salud sexual y reproductiva.
El contexto social de la “prostitucion” tan diverso ha originado que exista una relación directa entre la situación social de las/os trabajadoras/es sexuales y su capacidad para mantenerse en buen estado de salud y en especial acerca de su salud sexual y reproductiva. Esto varia de acuerdo al grupo de personas de las que hablamos. Según, el caso, cuanto mayor sea la inestabilidad económica, marginación social , prácticas clandestinas o relaciones de dependencia de una persona, mas difícil le resultará adoptar conductas saludables no solo en el trabajo, sino lo que es peor en su vida personal, cotidiana.  Además, la inseguridad laboral ha hecho que el objetivo de recibir una buena asistencia socio sanitaria no sea ya una prioridad afectando su salud y sus derechos como  mujeres y hombres sujetos. 
El complejo campo de las negociaciones,  culturales  y de género de las personas en el comercio sexual debería conllevar a tener prácticas sexuales seguras para ejercer una salud sexual y reproductiva. Dentro de esta diversidad merecen una mención aparte las trabajadoras sexuales migrantes que presentan formas de exclusión por ser mujeres, migrantes y trabajadoras sexuales, esta realidad  obliga a cambiar las estrategias de actuación, dirigiendo los objetivos no sólo a la prevención de enfermedades, sino también a atender otras necesidades  sociales (Cristina Virseda).
Las personas que defendemos los derechos de las mujeres, incluso de los hombres y su diversidad, debemos realizar también esta defensa a las mujeres trabajadoras sexuales. Identificar todos los aspectos que giran en torno al trabajo sexual y reconocer que las personas que ejercen esta actividad, con excepciones, son personas con capacidad de decisión y no criminalizarlas y/o victimizarlas que origina a la larga el aumento del estigma, la exclusión y/o la marginación social. Finalmente, debemos reflexionar las/os técnicas/os acerca de las/los trabajadoras/es sexuales y  reformular nuestra actuación con ellos/as dejándoles un espacio para el empoderamiento, de tal forma que se sientan sujetos de su propia vida y ciudadanas/os con derecho a mejorar sus condiciones de vida y trabajo.
Una buena iniciativa,  sería partir de la Plataforma de los derechos humanos y con la participación de las/os propias/os involucradas/os en el proceso  de  discriminalizar la prostitución y reglamentarla, con la finalidad de que sean reconocidos no solo  sus derechos humanos, sino también sus derechos sociales y laborales.


Bibliografía
Agustín, Laura, Trabajar en la industria del Sexo.  www.nodo50.org/mujeresred/laura_agustin-1.html
Brandt, Allan. 1985. “No  Magic Bullet: A social history of Venereal Disease in the United States since 1880” New York: Oxford University Press.
Ditmore, Melissa. 2002. “Influencia de la condición de inmigrante a la salud de las trabajadoras sexuales y su vulnerabilidad a los abusos: Comparación entre dos países”. Research Sex Work 5 – Junio.
Pheterson Gail. 1989  “Nosotras, las putas”. Talasa Ed. Madrid.
Parker, Richard y Aggleton Peter. 2002. (Tomado del suplemento Letra S. Diciembre 5 .Texto editado del estudio HIV and AIDS-Related Stigma and Discrimination: A Conceptual Framework and Implications for Action. Con la traducción de Carlos Bonfil).
Tabet, Paola. 1989. “I’m the Meat, I’m the Knife: Sexual Service, Migration and Repression in Some African Societies”. En A Vindication of the Rights of Whores G. Pheterson ed.  Seattle WN: Seal Press. [edición española: Nosotras las putas]
 Virseda Cristina. 2002. Documentos de trabajo sobre  el Programa de Reducción de Daños: “Prostitución en Madrid”. Médicos del Mundo, sede territorial de Madrid.


Sobre la autora:
Mirtha Grande Muyón. Obstetriz, con estudios en Género y Salud Internacional. Experiencia de trabajo en Salud Sexual y Reproductiva. Integra la Red de Salud de las Mujeres Latinoamericanas y del Caribe.
Email: mirtha_grande@hotmail.com
Email: mirthagrande@yahoo.com
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Lenguajes corporales: Transgresión Transformista*
Por David Aruquipa Pérez

¿Escenarios robados o apropiados? ¿Quiénes son Las Galán? Responderé a estas preguntas con reflexiones personales que parten de mis apariciones en espacios públicos como Danna Galán, una actuación de género en la cual se entremezclan belleza, locura, transgresión y fascinación. La experiencia del transformismo se convierte en un juego teórico y de interpelación a los roles tradicionales de género “masculino” y “femenino”, que en el imaginario colectivo se limitan a simples extensiones de un sexo biológico. El discurso que me anima a seguir actuando con placer es aquel que rompe con el mito de “buscar ser” aquel por quién l@s otr@s siempre esperaron.  “Podríamos decir que los cuerpos generizados son como actores/as en una obra de teatro sin guión, tratando desesperadamente de imitar una vida que nadie jamás haya llevado.” [1]

Discusiones como éstas motivan mi presencia y mi complicidad con la Familia Galán, especialmente con París Galán con quien nos propusimos entender la relación entre el discurso teórico y las actuaciones escénicas del transformismo. Iniciamos el viaje en el festival de Ciudadanía Sexual “Placer en la Plaza”, organizado en el año 2000 por la ONG boliviana CISTAC con el colectivo de activistas MASQUE V. Fuimos invitad@s al festival como artistas Drag Queen, que para nosotr@s significa un transformismo  creativo y exagerado de actuaciones de género. Como Drag Queens dejamos volar la imaginación, convertimos el cuerpo en un personaje con vida propia, acentuamos el maquillaje acompañado de indumentarias y posturas para perturbar a la concurrencia. Nuestra apariencia la llevamos al extremo, dándole una connotación lúdica.

Acepte encantado la invitación con un cierto miedo disfrazado de deseo. Para mí era la primera vez que me transformaba al aire libre y en un horario donde la luz del día está en su esplendor. Hasta ese entonces mis apariciones como Danna habían sido clandestinas, escondidas por las luces tenues y lúgubres de discotecas nocturnas, y vistas sólo por gente conocida.

Cuando subí al escenario de la Plaza Avaroa, mi corazón latía más rápido y mis piernas temblaban de miedo y de emoción, una contradicción placentera. Con esta primera experiencia de exteriorizar lo que más deseaba se inició mi proceso de reflexión, mi autocuestionamiento: ¿Quién estaba actuando ese momento? ¿Era “sólo” actuación o la expresión de una identidad? Detrás de ese maquillaje y ropa colorida, ¿se pretendía esconder algo?, ¿Era un disfraz sin sentido o un acto político? Estas preguntas provocaron una deconstrucción de lo que hasta ese momento había vivido.

Identidad como sistema de opresión
Iniciando el rollo teórico, veo como la identidad ha jugado un papel fundamental en la formación de las personas y también de los movimientos sociales contemporáneos, sobre todo los movimientos feministas, contra el racismo, de indígenas, gays, lesbianas, travestis, etcétera [2] . Se parte de una necesidad de sentirse diferente al otro, a partir de la diferencia socialmente atribuida o asignada, y por la cual se justifica su exclusión. Esta búsqueda desesperada de identificarse como perteneciente a un grupo con el que se comparte la opresión y la segregación, (Yuderkys Espinosa, 1999)  de alguna manera permite la constitución y el desarrollo de sujetos unidos por una identidad excluida o privilegiada.

La adopción de una identidad puede verse en términos de la necesidad de etiquetarse para perseguir una “causa común”. La identidad es un concepto clave para la consolidación de movimientos sociales y luchas emancipatorias: una búsqueda de ser, y a partir de ese ser actuar. La identidad también puede entenderse como un sistema de regulación y control de las subjetividades, de manera que las y los individuos respondan a los patrones de poder preestablecidos (Foucault 1990). [3]

Yuderkys Espinosa, me motiva a preguntarme cuando yo digo “Soy gay, soy mestizo, soy transformista, o soy las tres cosas”, ¿a qué sistema de autorepresentación estoy apelando? ¿Qué significado tiene para quien me escucha el “ser gay”? ¿Hay como tal un ser gay, una esencia gay? ¿Podemos en Bolivia hablar de una identidad gay?

Estas preguntas siguen siendo objeto de preocupaciones ontológicas. La noción de identidad del o de la "sujeto" presupone una definición a priori construida dentro de una lógica binaria de oposición, donde yo soy en la medida en que no soy lo otro. Como dice Judith Butler (1990) con respecto a la identidad de género, la disposición psíquica de un género o identidad cultural se considera un logro. Este logro requiere del polo contrario: una individua/o es su propio género puesto que no es el otro género.(Yuderkys Espinosa, 1999).
Danna Galan

Las subordinaciones han producido sistemas estáticos y estereotipos de identidad asignadas a las/los individuos de acuerdo a determinadas características -regularmente físicas- que comparte con un grupo determinado (Yuderkys Espinosa, 1999).

Si eres de un sexo determinado, se presupone que deberás tener un género determinado. Si tienes un determinado color de piel y determinadas facciones, se te asigna una raza. De acuerdo a estas identidades, se presupone que deberás tener una forma particular de comportarte, de relacionarte con los demás, de vivir, de amar, etcétera. Esto tiene que ver con una historia común de opresión más que con una naturaleza compartida. (Yuderkys Espinosa, 1999).

Espinosa (1999) plantea que “el sistema de construcción binaria de identidades ha cohesionado las opciones de las personas”, éstas son las bases cuestionadoras que la Familia Galán asume para su estrategia de subversión a los patrones establecidos de opresión, regulación y sujeción de los sujetos. En este marco la identidad no se considera como un fin a lo que “se debe llegar”, sino más bien como un principio de la auto-reflexión [4] , para deconstruirla.

Danna Galan en la plaza Central de Sucre Bolivia, en la noche. Foto: k-os Galán

 

Actuaciones de Género
 “El problema del género”, o la disputa del género [5] como plantea Butler, parte de la postura de que el género es performativo. Intenta mostrar que lo que consideramos una esencia interna del género se fabrica mediante un conjunto de actos, por medio de la estilización del cuerpo.

Los personajes transformistas como Paris, K-os, Diana, Jolie, Satine, Macarena, Malena, Irán, Calipso, Kris-is, Trauma y otros - somos aproximadamente 25 miembros/as en la Familia Galán - elegimos los nombres a partir de los deseos personales reflejados en el narcisismo. Iniciamos el proceso performativo como una primera subversión al género establecido, con el afán de construir otro género, o simplemente de adquirir rasgos típicamente “femeninos”. Se trata de un ritual de proceso que pasa por los signos exteriores: ropa, vestido, maquillaje, transformación del cuerpo con elementos añadidos. [6]

En esta interacción, asumo el transformismo del cuerpo como una estrategia subversiva. Al cuerpo se le atribuye una materialidad significante que porta significados “orientados” desde sutiles dialécticas, detrás de las cuales se juegan alternativas e inflexiones del poder. [7] El cuerpo sirve como superficie y escenario de configuración cultural. Se exhibe “un cuerpo totalmente grabado por la historia”, [8] una historia de dominación, de creación de valores y significados. En un espacio de sumisión, se construye un cuerpo con género a través de una serie de exclusiones y negaciones.

Para subvertir este orden, el cuerpo sumiso debe ser destruido para que se configure el cuerpo que uno desea visualizar. De este modo, las actuaciones de género que realizamos no están relacionadas con nuestro sexo o sexualidad: cualquier persona puede hacerlo. Esto lleva a dilucidar que los gestos y actuaciones son performativos [9] y en este sentido, la esencia o identidad están en cuestionamiento. Se muestran simplemente como inventos fabricados por una historia de dominación.

La historia que ya prefiguró una identidad de género se reformula como una historia personal y cultural de significados aceptados, sujetos a una serie de prácticas imitativas. La parodia del género revela que la identidad original sobre la que se modela el género es una imitación sin origen. 

La Familia Galán cuestiona las identidades de género esencialistas o naturales, dejando abiertas las posibilidades de nuevas construcciones de géneros y sexualidades.

Escenarios: Cuerpos y Política
Nuestras acciones de subversión hacen que la Familia Galán tenga en su haber experiencias de performances callejeros en varias ciudades del país y del exterior. Hemos participado en importantes eventos de la comunidad gay, lésbica, travesti y transformista: salidas callejeras, marchas reivindicativas, manifestaciones contra la penalización del aborto, Marchas del Orgullo, ferias en solidaridad con las personas viviendo con vih y sida, y otras causas que asumimos y apoyamos.

Utilizamos el discurso acompañado del transformismo como estrategia política. Aparecemos públicamente como drag animals, andróginos, drag queens, travestis, trasformistas, “femeninas” y otras actuaciones para ponerlas en escena en espacios “oficiales” e institucionales como el Palacio de Gobierno, el Congreso Nacional, iglesias, calles, hasta los mercados y discotecas de nuestra ciudad.

No contamos con institucionalidad y tampoco la queremos. Somos una familia por que así lo dispusimos. Tenemos peleas, rencores, amores, envidia. No pretendemos ser los/las buenos/as y damos mucha controversia.

Somos un movimiento porque generamos cambios y tenemos una propuesta. Hace poco realizamos una actividad de encuentro con el público en un centro cultural - el Espacio Simón I. Patiño en la ciudad de La Paz - sobre nuestro recorrido por el país, nuestra forma de expresión artística, política y social. A la vez se lanzó una exposición de setenta fotografías revelando los gestos de actores y actoras que al interactuar con nosotros/as, transmiten temor, rabia, odio, fascinación, curiosidad, cuestionamiento, deseo y placer. Cada fotografía es un texto para ser leído al lente de quién la ve. 

Es en el cuerpo donde hacemos visible el discurso de la política. No me refiero a la política como meramente partidaria, como lucha de proyectos sociales representados por partidos o instituciones del poder estatal. Se trata más bien de la política mencionada por Diamela Eltit (2000): “Espacio de goce estético y social, el sitio Político, el espacio aquel donde se arma y proyecta más allá de sí misma, sobre un horizonte de posibilidad, utópico pero indispensable, cierto y gratificador, liberador, enriquecedor, un espacio de “verdad” no domiciliada aún en la historia, sólo deseada, solo objeto de una “hambre” que se postula, y que para abrirse camino y hacerse una realidad o realidades, exige modificar lo que hay, lo establecido, lo conocido, por lo que en definitiva es subversivo. No puede hacerse historia su verdad sino cambiando el orden que la excluye y la convierte en ausencia es un sitio de subversión.” [10]

Nuestros cuerpos de convierten en esos sitios de subversión al orden, a la racionalidad, a la institucionalidad y a los intentos de imponer lo “políticamente correcto”. La transformación de nuestros cuerpos es un lenguaje que cuestiona y transgrede al sistema.

Familia Galán
 

Hotel Plaza, de la ciudad de La Paz, Arriba de izqu. a derecha: Danna, Imperio, k-os, paris. Abajo de izquierda a derecha Satine, Diana, Cindy y Macarena. Foto: k-os Galán


Notas
[1] Diane Elam, 1994. Feminism and Deconstruction. Ms. en Abyme, p. 50. Londres y Nueva York: Routledge
[2] Yuderkys Espinosa, 1999.  ¿Para que nos sirven las identidades?. Revista Aportes para el Debate No. 7. Nov. ALAI, Ecuador. Versión ampliada del artículo en  www.creatividadfeminista.com
[3] Foucault, Michel, 1990. Historia de la Sexualidad. Vol. 1: La Voluntad de Saber. Siglo XXI, Buenos Aires, Argentina.
[4] Yuderkys Espinosa,  Ibid.
[5] Judith Butler, 1990. El género en disputa. El feminismo y la subversión de la identidad, pp. 12-16. México D.F. Edit. Paidos
[6] Josefina Fernández 2000. Tesis: El travestismo ¿Ruptura de las identidades sexuales, reforzamiento de los procesos de generización o identidad paradójica?, p. 52. Buenos Aires Argentina.
[7] Diamela Eltit 2000. Emergencias. Escritos sobre literatura, arte y política, p. 13. Editorial Planeta Chilena S.A
[8] Judith Butler 1990. El género en disputa. El feminismo y la subversión de la identidad, p. 161. México D.F. Edit. Paidós
[9] Judith Butler ibid. p. 167
[10] Diamela Eltit 2000. Emergencias – Escritos sobre literatura, arte y política, p. 14. Editorial Planeta Chilena S.A.
Texto editado  por:  K-os Galán
*El autor ha incorporado citas y bibliografía, el 27 de agosto de 2003.


Sobre el autor
David Aruquipa Pérez, transformista, reside en La Paz, Bolivia. Es miembro de la Familia Galán y activista por los derechos sexuales y los derechos de géneros.
E-mail: davidctor@yahoo.com
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El Síndrome del Closet
In Memoriam Alberto Montalva
Por Enrique Bossio

La oportunidad de conocer a Alberto (Beto) Montalva se me presentó en noviembre de 1984. Junto a un par de compañeros de la Universidad Católica de Lima, fuimos a ver "Baal" (una de las primeras obras de Bertolt Brecht), puesta en escena por el grupo Teatro del Sol, del cual Beto formaba parte. Ya un año antes, cuando empezaba a procesar mi identidad homosexual, había visto "El Beso de la Mujer Araña" de Puig con los "del Sol".

Al terminar la obra sentí una enorme ansiedad por la inminente caminata que yo y mis amigos haríamos hacia algún bar del centro de Lima, y los consabidos comentarios sobre las numerosas alusiones a relaciones homosexuales entre los personajes de la obra. De cualquier manera, ellos se las arreglaron para despedirse inopinadamente de quienes habíamos quedado rezagados para felicitar a los actores.

A la distancia, creo que mis amigos sabían que estaba tratando de encontrarme conmigo mismo y me dejaron a mi aire. Aunque tal encuentro no tendría lugar esa noche, sí ocurrió otro que lo anunció, pues entre un grupo de gente a quienes conocía de vista, fui invitado a tomar un trago a casa de alguien, y así trabé amistad con Beto y su grupo de amigos. Fue la primera vez que tuve la oportunidad de compartir con un grupo de personas abiertamente homosexuales y que llevaban existencias alegres, creativas, generosas. Tal encuentro me dio la respuesta que había buscado infructuosamente hasta entonces: sí podía permitirme ser quien era y a la vez llevar adelante una vida positiva.

Estoy harto de quienes, queriendo colocar la homosexualidad más allá de las fronteras de sus respetables territorios, etiquetan como homosexuales a la gente de teatro y artistas en general. Pero si bien los homosexuales estamos en todas partes, no es menos cierto que, desde muy temprano y por temor a identificarnos con una condición socialmente indeseable, hombres y mujeres homosexuales aprendemos a mentir, a actuar.

Ser indígena, mujer, pobre u homosexual son, en el Perú, condiciones desgraciadas. Pero mientras la discriminación asociada al origen racial o el sexo sólo puede evadirse aislándonos del mundo, con un poco de talento y make up es posible sobrevivir con las otras dos "maldiciones". Yo lo hice así durante los primeros veinte años de mi vida, porque estaba convencido de que no llegaría muy lejos sin ese conveniente encubrimiento. El problema no es, sin embargo, qué tan lejos llegue uno, sino dónde termina.

De modo que "mentir" es un talento que los homosexuales desarrollamos por instinto de supervivencia. Aunque naturalmente somos buenos para ello, obviamente no somos los únicos: cuando "salí del closet" ante mi entorno, lo único que hice fue develar algo que todos sabíamos de antemano. En mi caso, todos hemos mentido. La diferencia es, quizá, que yo sabía por qué lo hacía. Como un niño, mentía para evitar el castigo (es decir, el aislamiento). Pero, ¿por qué mienten los otros? ¿qué temen ellos?

En el mejor de los casos, quienes se niegan a aceptar la homosexualidad de otros a su alrededor lo hacen por temor a que éstos sacrifiquen su felicidad. La homosexualidad ha sido con frecuencia retratada como una de las condiciones más viciosas e infelices a que está expuesto el ser humano. Siendo así, no son de culpar parientes y amigos que buscan ahorrarle a uno este "pozo de desdicha".

Pero no debemos concederle a todos tan generosa dispensa. Hay también quienes están genuinamente interesados en que todos los homosexuales nos pudramos en el infierno, cuanto antes mejor. Ellos insisten en que debemos ser curados, encerrados, acallados, excluidos. Quien no quiera enfrentárseles deberá vivir una mentira.

El desarrollo de una expresión sublimada del propio yo puede haber sido el inicio de una carrera artística para muchos homosexuales, probablemente incluyendo a Beto. Cuando lo conocí, sin embargo, lo que más me impresionó fue su capacidad de ser honesto consigo mismo y con los demás. Si alguna vez había vivido una mentira, hacía tiempo que la había relegado a las tablas, para fortuna de quienes disfrutamos del buen teatro.

Aunque descolló en el intento, Beto no fue el primero en llevar al arte la temática homosexual desde una perspectiva cuestionadora de mitos y prejuicios que caracterizan a la sociedad peruana. Se resistió, sin embargo, a ser encasillado como un actor panfletario. Lo que lo caracterizaba, más bien, era la fuerza y honestidad con que asumía su condición íntegra de homosexual, actor y hombre público, ganándose el respeto de los demás y animando a otros –como hizo conmigo— a tomar el mismo camino.

Ser el más joven entre los nueve fundadores del Movimiento Homosexual de Lima (MHOL) del cual Beto fue primer presidente, y trabajar después con él en Querelle, el pequeño bar gay que abrió en el distrito limeño de Miraflores, me permitieron ciertamente una continua intimidad con este hombre durante años.

Recuerdo especialmente una anécdota del bar: era el verano del '87, y habíamos organizado un concurso de afiches alusivos a la prevención del SIDA. El mejor afiche ganaría un premio económico al que contribuían los clientes en una alcancía colocada al lado del eterno plato con condones sobre la barra.

Cuando faltaban dos semanas para la premiación, hubo una redada policial en el bar. A pesar de contar con todas las licencias, el jefe del operativo insistió prepotentemente en llevarse detenidas a varias personas "vestidas de manera escandalosa" y cogió el plato con condones como "prueba" de que el bar estaba "promoviendo el sexo".

Beto montó en furia. Subimos al auto y fuimos a la comisaría del sector, exigiendo hablar con el comandante. Éste nos recibió serísimo y Beto se le fue encima defendiendo la idea de nuestra campaña, y le dijo que no tenía derecho a detener a personas documentadas que querían tomarse un trago y divertirse en un local con licencia vigente.

"Estamos dispuestos a colaborar con la policía", le dijo Beto, "pero no vamos a permitir que se maltrate a nuestros clientes por el solo hecho de ser homosexuales. Yo soy homosexual, las personas que trabajan conmigo también lo son, y no tenemos ningún problema en reconocerlo. Pero otros sí temen verse expuestos, y muchas veces la policía aprovecha esta situación para extorsionarlos. Eso no va a ocurrir en mi bar". El comandante pidió disculpas, soltaron a los dos únicos clientes que no se habían quedado por el camino tras darle una "propina" a los uniformados, y santas pascuas. Nunca más tuvimos problemas con ellos.

Así era Beto: brillante, osado, tenaz. Aunque siempre lo tengo presente, la actual campaña por la inclusión de la diversidad en los terrenos legal, social, político y cultural, organizada por una serie de grupos homosexuales peruanos, me indujo a recapitular mis memorias. No voy a afirmar "Beto hubiera hecho esto o aquello". Lo que sí sé es que él no precisó de ley alguna para atreverse a vivir como lo hizo, para ejemplo de muchos.

No nos engañemos. Hombres y mujeres homosexuales estamos en todas partes: en el servicio diplomático, en los partidos políticos, en las organizaciones barriales, en las fuerzas armadas, en la iglesia, en la cárcel y probablemente también entre los militantes reciclados del movimiento subversivo Sendero Luminoso. Como reza un viejo refrán limeño: "En toda familia hay un hijo maricón y una tía chuchumeca (prostituta)".

Sin embargo, pese a ser tantos, somos invisibles porque nadie dice "esta boca es mía". Y así le negamos a nuestra comunidad, a nuestros hermanos y hermanas homosexuales la respetabilidad y "normalidad" de que disfrutamos al fingirnos heterosexuales. Pero la perdemos para nosotros, también.

No quiero ser injusto con nadie, y tampoco me hago ilusiones. Cada quien tiene sus motivos para permanecer en el closet. Yo les digo: "El closet no los protege". Digo más: "El closet los expone a mayores riesgos". Hay más probabilidades de salir airoso e incluso fortalecido de una auto-revelación dolorosa, pero sincera, que cuando lo sacan a uno del closet a la fuerza. Vivir con miedo es vivir a medias.

Cuando niño, me dejaba perplejo el cuento del rey que, enfermo de nostalgia, esperaba poder curarse al ponerse la camisa del hombre feliz. Sus emisarios, al encontrar al hombre feliz y descubrir que éste no tenía camisa, volvían compungidos a palacio. Sin embargo, no se me hubiera ocurrido entonces –como sí se me ocurrió después de conocer a Beto— que el hombre feliz no tuviese camisa porque, quizá, no tenía un closet donde ponerla.


Sobre el autor
Enrique Bossio M. Fundador del Movimiento Homosexual de Lima, MHOL (1985). Estudios de Humanidades (P.U. Católica, 1981-84), Antropología (U.N.M. San Marcos, 1985-87) y Comunicaciones (U. de Lima, 1988-92). Candidato a la Maestría en Manejo de Organizaciones de Desarrollo Internacional (School for International Training, Vermont, U.S.A., 1993-94). Director de Cross-Cultural Solutions, agencia de voluntarios estadounidenses que opera en Lima, Perú.
E-mail: youcanfindkique@yahoo.com
*Este artículo motivador, está colocado en nuestro Foro de discusión. El autor propone cuatro temas a reflexionar y discutir.
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