Nº8 Año 2
 
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ARTICULOS &
ENTREVISTAS

Artículos 
  1. Homoparentalidade à brasileira: paternidade homossexual em contextos relacionais .
    Por Flávio Luiz Tarnovski
 
  1. Materparentalidad Lésbica
    Por Ricardo Duranti
  2. Mis papás me miman:
    Cuando los gays quieren “ser papás”, cuando los papás quieren “ser gays”, cuando los derechos reproductivos quieren “ser derechos humanos” .

    Por Paúl Flores Arroyo
  3. Hijos virtuales
    Por Pilar Rius
Entrevistas  
  1. Invitación al debate: La No maternidad ¿O resistencia a la maternidad?.
    Entrevistas virtuales a mujeres de varias nacionalidades.
 
 

Artículos 

Homoparentalidade à brasileira:
paternidade homossexual em contextos relacionais

Por Flávio Luiz Tarnovski

O presente artigo baseia-se nas reflexões de minha dissertação de mestrado em antropologia social, defendida na Universidade Federal de Santa Catarina, e na pesquisa que realizei como bolsista do Programa Interinstitucional de Treinamento em Metodologia de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Saúde Reprodutiva promovido pelo Programa de Estudos e Pesquisas em Gênero, Sexualidade e Saúde/IMS/UERJ com apoio da Fundação Ford. O universo da investigação é composto por homens que se auto-identificam como homossexuais e com filhos na região sul do Brasil. Pretendo aqui, brevemente, propor uma complexificação dos modelos de análise produzidos em países caracterizados pela predominância do marco individualista, contrastando-os com modalidades de acesso à parentalidade específicas de contextos marcados por códigos sociais relacionais.

1.      A emergência da homparentalidade como objeto de pesquisa

As pesquisas sobre famílias constituídas por gays e lésbicas no Brasil, muito embora estejam apenas iniciando, vêem progressivamente conquistando o interesse acadêmico. O momento atual é de mapeamento e constituição de modelos de análise. Nesse sentido, as realidades sociais e os referenciais teóricos norte-americanos e europeus ocupam um importante lugar como parâmetros comparativos na construção dos primeiros estudos. O meu foco de atenção se voltará para a bibliografia francesa, em função da atenção que o tema vem recebendo por parte da antropologia.

Na França, a transformação das famílias gays em objeto de estudo não pode ser pensada fora da atuação da APGL - Association des Parents et futurs parents Gays et Lesbiennes, fundada em 1986, responsável pela promoção de colóquios e debates entre representantes de vários campos disciplinares. Em 1997 a associação introduz o neologismo homoparentalité, para designar a situação familial na qual pelo menos um dos pais se assume como homossexual (Gross, 2000). Tal categoria se tornou moeda corrente entre os pesquisadores que buscam compreender essa “nova” realidade social. É necessário ressaltar que a parentalidade nunca esteve completamente ausente de trajetórias homossexuais, no entanto tais esferas eram freqüentemente percebidas como antagônicas. O caráter distintivo que o termo homoparentalidade parece assinalar é justamente a possibilidade de articulação entre as experiências da parentalidade e da homossexualidade que, pelo menos do ponto de vista dos sujeitos, deixam de ser conflitivas.

2.     
Modos de acesso à parentalidade

Anne Cadoret (2002), em sua pesquisa com os membros da APGL, identifica quatro fórmulas possíveis para caracterizar as famílias formadas por homossexuais: 1) recomposição familiar após uma união heterossexual, 2) co-parentalidade, onde a criança é gerada sem que exista um comprometimento conjugal entre o pai e a mãe, 3) adoção e 4) novas tecnologias reprodutivas, quer se trate de inseminação artificial, no caso das lésbicas, ou de barriga de aluguel, no caso dos gays. Segundo a autora, cada modo de acesso traz implicações específicas para o estabelecimento da parentalidade e para o reconhecimento das relações de parentesco. Nas duas primeiras situações há uma preocupação subjacente de que a criança tenha um pai e uma mãe identificáveis, a partir da dissociação entre casal conjugal e casal parental, ao passo que na adoção e no uso de tecnologias reprodutivas a criança ingressará numa única célula familiar e doméstica, definida como monogenrée. Anne Cadoret (2002; 1999) também destaca que, no cenário francês, a constituição das famílias homoparentais é na maioria dos casos um projeto do casal. Ao lado dessas possibilidades, recorrentemente apontadas pela literatura francesa, minhas pesquisas permitiram identificar um outro modo de ingresso na família, aquele que se convencionou chamar de “adoção à brasileira” (Tarnovski, 2002). Tal fórmula consiste no registro legal de uma criança adotiva como se fosse filha natural do adotante, freqüentemente relacionando-se com a pratica da “circulação de crianças” (Fonseca, 1995).

3.     
A adoção à brasileira

Os sujeitos que fizeram parte das duas investigações situam-se, na sua maioria, entre 30 e 50 anos, possuem nível escolar médio ou superior, exercem profissões associadas às camadas médias (empresário, advogado, professor, bancário, funcionário público, entre outras) e residem em cidades do sul do Brasil. Meu acesso até eles foi estabelecido através da inserção em diversas redes sociais, em razão da dificuldade de serem identificadas redes ou grupos de pais homossexuais.

Em minhas pesquisas encontrei basicamente dois tipos de pais, consoante o modo de estabelecimento da paternidade: de uma lado, aqueles que após uma união heterossexual e o nascimento do(a) filho(a) se separaram e se assumiram homossexuais e, de outro, aqueles que, já assumidos, foram convidados a serem pais por mulheres já grávidas. A minha discussão se voltará apenas para os últimos. Entre eles figuram Antonio, que adotou legalmente o filho da empregada; Bruno, que registrou a filha da amiga de infância, que deu a criança em adoção; Carlos, que registrou como seu o filho de uma amiga, a criança permanecendo com a mãe; Eduardo, que registrou como sua a filha da cunhada, sua sobrinha, que deu a criança em adoção. Não tive a oportunidade de conversar com as mães que compartilharam seus filhos, o que teria enriquecido substancialmente o material da análise.

A paternidade foi descrita por eles como a concretização de um desejo antigo, que, por motivos diversos, não pôde ser levado adiante. Sua realização se tornou possível por contingências que os colocaram em frente a mulheres dispostas a doar ou compartilhar seus filhos, exigindo que em questão de horas ou dias eles tomassem a decisão que mudaria o futuro de cada um. Nenhum deles teve dúvida sobre qual seria o caminho a tomar: "escolheram" ser pais. Cada qual acompanhou parte do período de gravidez, fazendo-se pai antes de a criança nascer.  Alguns sequer sabiam o sexo do bebê até o nascimento.

A motivação em ser pai pôde ser acionada no momento em que certas contingências sinalizavam para a possibilidade de sua concretização, fazendo com que agissem na capitalização das mesmas. Para compreender tais contingências, descrevo a maneira como os sujeitos localizam as mulheres que doaram ou compartilharam seus filhos. Em primeiro lugar, as mulheres em questão não agiram segundo um mesmo padrão. De acordo com Bruno, sua amiga tinha a intenção de doar a filha, independentemente de quem fossem os recebedores. A cunhada de Eduardo, no momento da gravidez, estava em vias de se separar do marido, irmão de Eduardo. Ela confidenciou-lhe que poderia abortar. Eduardo pediu-lhe que não abortasse, pois caso ela não pudesse criar a criança, ele o faria. Já nos casos de Antônio e Carlos, as mães continuaram se relacionando com os filhos.

A maneira como Antônio localiza socialmente a ex-funcionária, mãe de seu filho, dá indícios de que estaríamos diante do fenômeno descrito por Claudia Fonseca (1995) como "circulação de crianças". Pesquisando entre "classes populares" urbanas, a autora identificou padrões de transferência provisória de crianças que não podem ser avaliados segundo os ideais burgueses ou de "camadas médias" de conjugalidade e família [1] . Sobre o contexto da "circulação de crianças" a autora esclarece:

A mãe biológica quase nunca considera ter "abandonado" seus rebentos. [...] Mães que entregam os seus filhos a outros consideram que sacrificaram suas prerrogativas maternas em benefício destes; elas regalaram os pais adotivos com a graciosa presença de uma criança, assegurando ao mesmo tempo um contexto familiar decente para seus rebentos (Fonseca, 1995, p. 36).

As ações da amiga de Carlos, por sua vez, parecem indicar que o objetivo era fornecer um pai homossexual ao filho. Isto fica expresso pelo fato de que Carlos foi o segundo homem convidado a ocupar a posição, e tanto ele quanto o primeiro tinham um histórico de relações homoeróticas. E por que ela queria escolher um homem homossexual para ser o pai de seu filho? Sugiro que seria muito improvável que um homem heterossexual fosse aceitar esse tipo de convite, se levarmos em consideração que muitos homens sequer reconhecem seus filhos biológicos. O pai homossexual, por sua vez, só tem a ganhar com o reconhecimento social que a paternidade lhe confere.

As circunstâncias em que Carlos se tornou pai deixam entrever mais nitidamente certas tendências na forma contemporânea de organização das relações familiares. Como sugere Marcela Iacub (1999), é aqui que a separação entre casal conjugal e casal parental torna-se mais evidente, em razão da intencionalidade dos atores envolvidos. As indicações dadas por Carlos sobre a mãe de seu filho inscrevem-na entre os segmentos urbanos intelectualizados, que na sociedade brasileira são apresentados como concentrando tendências modernizantes e de transformação dos costumes (Velho, 1989; Salem, 1986). Levando-se em conta que tais contextos são caracterizados pela recorrência de ideologias individualistas, a separação entre casal conjugal e casal parental acaba por permitir novas possibilidades de administração das relações familiares. Tal separação acaba resultando em maior estabilidade dos lugares do "pai" e da "mãe" em relação à criança, já que a parentalidade não se encontra dependente da conjugalidade. Tal quadro não é específico dos arranjos de co-parentalidade por adoção, posto que também pode ser encontrado entre as famílias recompostas após divórcio. A diferença reside no fato de que entre os primeiros tal separação se lhes é constitutiva, ao passo que entre as últimas parte-se de uma situação inicial na qual a parentalidade resulta da conjugalidade.

4.     
A criança como uma dádiva

Na análise clássica de Lévi-Strauss (1996), o casamento, enquanto instituição social legitimadora da prole, constitui-se de relações de reciprocidade, de mutualidade e de direito/obrigação. As situações de adoção que investiguei mostram que é socialmente possível separar tais relações. A atribuição de direitos e obrigações em relação às crianças prescindiu da relação de mutualidade entre "pai" e "mãe". A relação de reciprocidade continua existindo, posto que fundamenta a co-parentalidade, mas não enquanto produtora de alianças. Como coloca Anne Cadoret (2000), na co-parentalidade a aliança é separada da filiação. Proponho que é pela lógica da dádiva, primeiramente sintetizada por Marcel Mauss (1974), que podemos compreender o tipo de adoção que venho apresentando.

Vínculos prévios já colocavam os sujeitos pesquisados em relação com as futuras doadoras, uma relação que tem sua qualidade alterada no momento em que a criança passa a vinculá-los, agora como pai e mãe. A ligação com a funcionária, com a amiga e com a cunhada forneceu o universo relacional que possibilitou o acesso à parentalidade. A criança moveu-se através de canais ativados por relações de reciprocidade, ocupando o lugar de uma dádiva, e, como tal, alterando a qualidade do vínculo. Em contrapartida, o pai "convidado" retribuiu dando o "nome" para a criança, bem precioso em muitas sociedades. Segundo Françoise Héritier, “o que assegura [à criança] a sua completa existência é a atribuição de uma identidade social reconhecida por todos, uma identidade marcada pelo nome que lhe dão” (2000, p. 103). Jacques Godbout, na sua rica discussão sobre o fenômeno da dádiva, afirma que:

Pode parecer estranho que façamos da relação com os filhos um protótipo da relação de dádiva. Mas é assim de inúmeras maneiras. Antes de mais nada, o nascimento é uma dádiva. Dádiva de si próprio por excelência, dádiva da vida, dádiva original, motivando a relação de dádiva e a inclusão de todas as pessoas no estado de dívida, dívida da qual o mercado e certos psicanalistas querem nos libertar. [...] O início da cadeia da dádiva situa-se aí, para qualquer indivíduo, numa dívida que ele não pode assumir a não ser dando a vida por sua vez, o que estabelece o caráter fundamentalmente não diádico, não simétrico da dádiva (Godbout, 1999, p. 51-2).

A dádiva da vida, dada pela mãe (e pelo pai biológico), e a dádiva do nome, dada pelo pai social, vinculam-nos à criança, e é através dela que ambos são vinculados. Na situação apresentada por Antônio, a mãe da criança foi sua ex-funcionária, a relação mais desigual dentre as quatro investigadas. Antônio distingue-se pela motivação de auxiliar financeira e materialmente a mãe do menino que veio a ser seu filho, mas, ao mesmo tempo, deixou claro que a criança era o único motivo que os punha em relação. Tal motivação não foi apresentada explicitamente como uma obrigação, mas se tomarmos o filho como dádiva recebida, os "dons" à mãe podem ser interpretados como resultando da obrigação de retribuir, ou seja, como "contra-dons". No entanto, sua maneira de conduzir o ciclo de prestações, através de sucessivos auxílios, parece querer "compensar" a ex-funcionária pela dádiva recebida, talvez para não ficar em dívida e torná-la devedora, por sua vez. Dessa forma, parece querer dizer "você já não pode mais tirá-lo de mim". Godbout diz ainda:

[...] o filho é o ser a quem devemos tudo dar. Não só lhe damos a vida, como também ele é a única pessoa por quem afirmamos espontaneamente que estamos prontos a dar a nossa vida. [...] A dádiva ao filho é talvez a forma mais específica da dádiva moderna, e a dívida contraída, a mais difícil de assumir. O filho é a única pessoa a quem a sociedade moderna permite dar sem receber. É o deus da modernidade, o rei, aquele por quem se pode tudo sacrificar. Com qualquer outra categoria de pessoas, dar demais se torna rapidamente suspeito, estranho, anormal. O filho é a única transcendência que resta (Godbout , 1999, p. 53).

Essa dimensão sacrificial assumida na relação com os filhos foi prontamente manifestada pelos sujeitos pesquisados. Mesmo que eles não tenham dado a vida (se bem que deram "vida social" às crianças), estão prontos a sacrificar a própria se preciso. Jacques Godbout chama a atenção para o valor central ocupado pela criança, processo também analisado por Philippe Ariès (1981) ao destacar os contornos e a densidade particular da família desde o século XVIII. Efetivamente, a criança passa a ser o epicentro da vida desses pais, que não se ressentem disso. Talvez pela satisfação que acompanha tal transcendência [2] .

5.     
Afeição e escolha na constituição da família contemporânea

As configurações familiares baseadas na conjugalidade homoerótica parecem concentrar certas tendências presentes em contextos marcados por processos de modernização. Seguindo a análise de Claudia Fonseca (2001), os sujeitos desta pesquisa seriam os verdadeiros representantes da família "pós-moderna", com sua ênfase na afeição e na escolha.

A "opção" enquanto valor tem sido apontada como uma marca de contextos igualitários modernos (ou pós-modernos), transformando a esfera da reprodução também em uma questão de "escolha". Se entre os casais heterossexuais é presumido que tenham filhos, a "opção" permite que não os tenham. Já para os homossexuais o sentido dessa presunção é que não tenham filhos, fazendo com que a "opção" implique numa ação positiva. Mas, se no plano discursivo é possível perceber uma forte ênfase nesses valores, os caminhos pelos quais se realizou a filiação aqui investigada permitem relativizar a imagem do indivíduo que age motivado, racional e conscientemente, por um objetivo preciso. Na mesma proporção em que os sujeitos pesquisados "optaram" pela paternidade, certos eventos permitiram e deram condições para que esse desejo fosse acionado e realizado.

Todavia, não é possível desconsiderar a força do ideário da "escolha", principalmente no que diz respeito às suas conseqüências: o lugar e a importância atribuídos ao filho(a). É a criança, erigida em personagem central da cena familiar, que constrói o sentido de "família". A "dedicação" que é possível despender ao filho(a) aparece como a medida da legitimidade da parentalidade, fazendo com que a dimensão afetiva seja valorizada como o aspecto mais importante na constituição de vínculos familiares. Assim, o "amor" surge como o denominador comum que permite nivelar os diferentes arranjos familiares, num movimento que desloca pais e mães homossexuais de um lugar de desconfiança para o de ideal normativo, de acordo com esses valores.

Por outro lado, não me parece fora de propósito relativizar mesmo esse valor alocado na criança. O desejo de descendência pode ser, também, função de um dever de descendência. É através da paternidade que deixam de ser filhos por sua vez, permitindo que se transformem em canais de transmissão (de posições sociais e valores). De certa forma, "liberam-se" do peso de uma dívida social, qual seja, aquela contraída com seus próprios pais, e o fazem oferecendo-lhes os netos. Na análise de Françoise Héritier (2000), oferecer descendentes é cumprir com o destino prescrito pela coletividade. Ao se tornarem pais, os sujeitos investigados reestabelecem a linha de continuidade e ocupam o lugar de parceiros nesse circuito de dádiva que são as relações de parentesco [3] . O dever para com a geração precedente é cumprido, situação que encontra sua contrapartida na felicidade dos agora avós.

Considerações Finais


A chamada adoção à brasileira, apesar de ser uma prática ilegal, permite que homossexuais desejosos de se tornarem pais possam realizar seus projetos de família sem precisar de autorização explícita do Estado. Igualmente, tal recurso também pode ser pensado como alternativa a ausência de um projeto coletivo que contemple as demandas de gays e lésbicas que têm ou queiram ter filhos. Tanto mais quando se verifica que, em todos os casos que encontrei, a paternidade foi um projeto individual. Mesmo quando tinham um parceiro estável, o lugar que este ocupava em relação à criança não tinha o status de uma posição de parentesco, tampouco ele assim era apresentado para a família extensa, revelando outro ponto de contraste com os contextos europeu/americano, nos quais o projeto de família é na maioria das vezes um projeto de casal (Cadoret, 2002). A comparação de meus dados com a literatura internacional, principalmente francesa, indica que no Brasil é o sistema de parentesco que atua como suporte primordial da identidade social de homossexuais com filhos, ao passo que na França, é mais acentuadamente através da afirmação de uma identidade gay / lésbica que buscam reconhecimento e acesso à família.


Notas
[1] Para uma síntese da visão de mundo e do ethos que definem as "camadas médias" como um segmento específico da sociedade brasileira urbana, ver Tania Salem (1986).
[2] Godbout não deixa de assinalar o peso da dívida que carrega a criança moderna.
[3] No entanto, tornar-se pai não foi para eles um processo auto-evidente e inequívoco, já que outras figuras masculinas surgiram como potencialmente conflituosas para o estabelecimento dessa posição. Analiso em minha dissertação o potencial desestabilizador contido nas figuras do genitor e do companheiro da mãe para o estabelecimento e reconhecimento social da paternidade.


Referências

  • ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981. 2ªed.
  • CADORET, Anne. Des parents comme les autres - homosexualité et parenté. Paris: Éditions Odile Jacob, 2002.
  • Figures d'homoparentalité. In: GROSS, Martine. Homoparentalités. État des lieux. Issy-les-Moulineaux: ESF éditeur, 2000.
  • La filiation des anthropologues face à l'homoparentalité. In: BORRILLO, Daniel; FASSIN, Eric; IACUB, Marcela (orgs). Au-delà du PACS: L'expertise familiale à l'épreuve de l'homosexualité. Paris: PUF, 1999.
  • FONSECA, Claudia. Caminhos da adoção. São Paulo: Ed. Cortez, 1995.
  • A vingança de Capitu: DNA, escolha e destino na família brasileira contemporânea. Comunicação apresentada no XXV Encontro Nacional da ANPOCS, ST Gênero, Sexualidade e Parentesco, Caxambú/MG, 2001.
  • GODBOUT, Jacques. O Espírito da Dádiva. Rio de Janeiro: Ed.FGV, 1999.
  • GROSS, Martine. Homoparentalités. État des lieux. Issy-les-Moulineaux: ESF éditeur, 2000.
  • HÉRITIER, Françoise. A coxa de Júpiter: reflexão sobre os novos modos de procriação. In: Revista Estudos Feministas, vol. 8, n.1/2000.
  • IACUB, Marcela. Homoparentalité et ordre procréatif. In: BORRILLO, Daniel; FASSIN, Eric; IACUB, Marcela (orgs). Au-delà du PACS: L'expertise familiale à l'épreuve de l'homosexualité. Paris: PUF, 1999.
  • LÉVI-STRAUSS, Claude. Antropologia Estrutural. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1996. 5ª ed.
  • MAUSS, Marcel. Ensaio sobre a dádiva. In: Sociologia e Antropologia. São Paulo: EdUsp, 1974.
  • SALEM, Tania. Famílias em Camadas médias: uma perspectiva antropológica. In: BIB, Rio de Janeiro, n.21, 1º semestre 1986.
  • TARNOVSKI, Flavio. “Pais assumidos”: adoção e paternidade homossexual no Brasil contemporâneo. Florianópolis, Dissertação de Mestrado em Antropologia Social, PPGAS/UFSC, 2002.
  • VELHO, Gilberto. Subjetividade e Sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1989. 2ªed.

Sobre el  autor
Flávio Luiz Tarnovski é mestre em antropologia social pela Universidade
Federal de Santa Catarina e pesquisador associado ao NIGS/UFSC..
e-mail: flaviolt@hotmail.com
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Materparentalidad Lésbica 

Por Ricardo Duranti
El deseo de tener hijos, por el medio que fuera, no es infrecuente entre gays y lesbianas hoy día. Parte del mito de que los homosexuales no desean o no pueden criar y/o educar hijos o hijas tiene que ver con la imagen cultural de que solo se puede ser padre o madre en el ámbito de una relación heterosexual.

Sin embargo,  al aparecer con fuerza, hoy, debido a  la constitución de familias diferentes se rompe esa idea normativa,  pues nos encontramos ante madres que crían y educan solas a sus hijos e hijas, padres que por diferentes razones deben hacer lo mismo o que exigen una mayor participación, parejas homosexuales con hijos de matrimonios previos, personas solas que adoptan, etc.

En este artículo trataré solamente acerca de las mujeres con un pasado heterosexual durante el cual se casaron, tuvieron hijos y luego se divorciaron, pero no siendo necesariamente su homosexualidad la causa de la separación.

En nuestra experiencia, las mujeres que llegan a la consulta por problemas motivados por la presencia de hijos o hijas de alguna de ellas suelen estar entre los 30 y los 40 y todas en parejas de reciente constitución -alrededor de seis meses a un año.

Excluyendo problemáticas de salud mental o adicciones la mayor parte de estos desajustes se originan en la madre biológica que  de no puede asumir su orientación sexual de una manera explícita,  como podemos ver en este ejemplo:

Sara (30) es una abogada exitosa cuyo marido conocía su bisexualidad en el momento de casarse. Tuvieron un hijo y a los tres años se divorciaron. Sara, poco tiempo después, conoce a Alicia (38), una psicóloga abiertamente asumida como lesbiana y que militaba en una organización lésbica.

Al principio todo fue bien y el ex marido de Sara delegaba en esta muchas de sus responsabilidades como padre,  aceptando sin problemas la relación de Sara y Alicia, con quien mantiene un buen vínculo.

Sin embargo,  a Sara le cuesta mucho mostrar abiertamente su vínculo con Alicia cuando su hijo está presente y cuestiona las intervenciones de Alicia en relación a su hijo. Las peleas por este tema son frecuentes y -a veces- violentas lo que lleva a la pareja a hacer una consulta.

Esta viñeta muestra,  como a veces el problema suele pensarse como intrínseco de la pareja cuando en realidad es algo no resuelto que la precede.

El no asumir la propia identidad sexual puede deberse a muchos factores de los cuales citaré solo algunos:

- La madre no termina de resolver su proceso de coming out y mucho menos visibilizarse, esto la lleva a ocultar ante los demás toda posible relación que encare y mucho menos aceptar a sus posibles parejas como parte del nuevo proceso de parentalidad que necesariamente debe desarrollarse al formarse una nueva familia (algo nada diferente a lo que ocurre cuando una pareja heterosexual al divorciarse forman nuevas familias en las cuales las nuevas parejas asumen ¿naturalmente? roles de materparentalidad con los hijos existentes).

- La madre biológica tiene clara su orientación sexual, pero no la revela a su familia de origen ni a su marido en el momento en que decide la separación de éste debido al temor a una condena moral.

- La homofobia internalizada de la madre biológica no le permite aceptar de forma plena la posibilidad de otros tipos de relaciones materparentales que no sean las establecidas socialmente, esto es la presencia de un padre y una madre para la crianza de los hijos.

- Culpas en relación a sus hijos por creerse únicas culpables a causa de su orientación sexual del fracaso de sus matrimonios.

Una pareja bien constituida y donde los roles de materparentalidad son compartidos con las diferencias lógicas no suele presentar problemas para la crianza de los hijos siendo indiferente el sexo biológico de los miembros de la pareja. En general, salvo los casos en que uno de los miembros de la pareja tiene problemas no resueltos, estas parejas suelen haber trabajado y consensuado los términos en que los hijos serán incluidos en la relación hecho que diferencia a estas parejas de las parejas heterosexuales ya que las primeras deben pensar en el problema de la homofobia social que puede generar problemas a sus hijos o hijas.

Las parejas homosexuales con hijos -provengan éstos de la separación de uno de sus miembros, de fertilización asistida o de adopción- suelen atravesar un largo y difícil proceso de decisión ya que son concientes de las dificultades que los/las esperan y porque si constituir una pareja homosexual es un decisivo factor de visibilización, una pareja homosexual con hijos suele estar sometida a un escrutinio social mucho más intenso y desgastante. La capacidad de enfrentar esas dificultades es directamente proporcional al grado en que las dos partes de la pareja hayan asumido su orientación sexual, desarrollado una identidad sexual positiva y posean una red de pertenencia que las apoye y reconozca como una familia.

Muchas madres lesbianas suelen tener temores reales acerca de la posibilidad de que sus ex maridos no puedan tolerar el nuevo vínculo y usen a los hijos como armas contra ellas o que las sometan a una visibilización forzada en momentos o lugares no adecuados. A veces una pelea por la tenencia de los hijos implica un proceso desgastante para la pareja lesbiana que se ve sometida a un escrutinio público de evaluación.

No existen normas o parámetros para la parentalidad más que las heterosexuales que todos y todas hemos incorporado de muchas maneras. Encarar una pareja homosexual que incluya hijos o hijas es transitar por un territorio poco conocido, pero no tanto. Se sabe desde hace tiempo que los hijos de las parejas homosexuales son realmente aceptados y considerados dentro de estas, no son un producto automático sino un real objeto de deseo.

Según algunos estudios -Kirkpatrick et al. 1981- los hijos criados por parejas lesbianas suelen tener una mayor estabilidad y apertura hacia el entorno, son menos prejuiciosos y más capaces de incorporar las diferencias interpersonales. Asimismo las madres lesbianas, contrariamente a los mitos circulantes, tienen una mayor preocupación porque sus hijos e hijas interactúen con varones, aún más que las madres heterosexuales.

En caso de conflictos siempre lo mejor será buscar ayuda externa no solo legal. Una psicoterapia de apoyo que permita buscar las fuentes reales de los problemas es en general la mejor solución.

Pero al encarar un proceso psicoterapéutico el o la terapeuta debe tener en cuenta los factores que particularizan toda psicoterapia con gays o lesbianas: el proceso personal de coming out de cada uno/a de los/as miembros / as de la pareja en cuestión, la homofobia internalizada, la homofobia imperante en el medio social en que se mueven y los recursos personales con que cuentan para manejarla,  así como la red social que los/las sostienen. El resto no difiere de lo habitual en una psicoterapia de pareja.

Es de vital importancia no excluir a los/las hijos/as de este proceso ya que ellos / as son, en definitiva, los que más van a sufrir los desajustes de la pareja y son los que se mueven en un medio más hostil al salir de sus casas.

Tengamos en cuenta, que no cualquier terapeuta es capaz de encarar estas cuestiones ya que deberán, él o ella, haber resuelto sus propias cuestiones con la sexualidad -propia o ajena-, evaluar sus valores en relación con la materpaternidad así como a la homoparentalidad, poder manejar las diferentes fases del proceso de coming out y tener una mínima experiencia en el tratamiento de los trastornos que produce la homofobia en las personas. Y que sean gays o lesbianas no garantiza nada...


Sobre el autor
Dr. Ricardo Duranti
Médico psiquiatra y psicoanalista , Master en psicoinmunoneuroendocrinología, director del dossier NX salud, coordinador área psicosocial de Grupo Nexo y miembro del GIGA, investigadores gays argentinos
rduranti@nexo.org
www.nxsalud.nexo.org
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Mis papás me miman:
Cuando los gays quieren “ser papás”, cuando los papás quieren “ser gays”, cuando los derechos reproductivos quieren “ser derechos humanos”. [1]

Por Paúl Flores Arroyo

Ser papá, es una interpretación elaborada y compartida socialmente como un pensamiento consensual y cotidiano. Este pensamiento que se ha erigido en el terreno de lo heterosexual normativo, ha determinado que el “ser papá” es el mandato que consolida aquel proceso de explicitación de la virilidad, que la sociedad impone a los hombres para que se validen como tales.

Para efectos de esta reflexión, estoy considerando este “ser papá” como el acto por el cual el hombre puede comprobar, a través del producto bebé (yo tengo mi “calato” [2] ) que es capaz de procrear. En ese sentido, ser fértil sería más valorado que ser proveedor, a pesar que este último rol es calificado por el sentido común, como un acto responsable.

Ahora bien, este mandato de “ser papá”, estaría transitando en los terrenos del doble discurso que reconoce la responsabilidad del padre como un acto de mayor “hombría” (padre no es el que engendra, padre es el que cría), que sirve de consuelo frente a la ausencia del “semental” cuya figura de la infertilidad es más fuerte que cualquier vínculo social con el hijo que debe proteger.

De otro lado, este proceso de explicitación, también ha recibido de la heteronormatividad el mandato de rechazar toda práctica de afecto, de erotismo y de cercanía entre varones, llegando incluso -como dice Guillermo Figueroa (2000)-, a usar el calificativo de homosexual para denotar minusvalía masculina. Esta minusvalía indudablemente está ligada a toda incapacidad de cumplir en el terreno sexual y reproductivo (aquí el afecto no eleva puntos para ser considerado como “el hombre del año”).

El discurso de la minusvalía masculina, al estar asociado a la incapacidad de satisfacer a la mujer [3] y de procrear, es relacionado estrechamente con el acto  homosexual [4] , cuya característica “contra-natura” niega la ordenanza fundamental de todo hombre: ser reproductivo. De esta manera, el imaginario colectivo relaciona inevitablemente la esterilidad y homosexualidad como significantes que aparecen imbricados en la imaginación colectiva. Tal como lo mencionan Canaparo y Frieddler, (2001) la esterilidad es una característica auxiliar adscripta socialmente a la condición homosexual.

Asistimos entonces al encuentro de un discurso hegemónico que relaciona de un lado, la procreación con la virilidad,  y de otro, el acto homosexual con la esterilidad.

De esta manera se garantiza en la sociedad un contexto que niega a los gays la posibilidad de “ser papás”, acontecimiento que, al verse cuestionado por la visibilidad de hombres gays que manifiestan cada vez más haber tenido hijos, encuentra en el rol de proveedor-protector una condición que sólo puede cumplirse en el marco de la familia.

Ahora no importa que la procreación sea más valorada, pues los gays ya cumplieron ese “requisito”. Ahora el discurso heteronormativo, que por lo general es enarbolado por las jerarquías religiosas, ha encontrado una nueva barrera: la crianza de lxs [5] hijxs como exclusividad de la familia.

La paternidad está concebida y socialmente aceptada dentro del modelo de la familia tradicional, aquella que considera como “normal” el nacimiento y crianza de hijxs dentro de la unión de un hombre y una  mujer heterosexuales. Esta conformación familiar permite al hombre demostrar de manera pública y definitiva su virilidad, lo que no sucedería si lo hace fuera de una relación conyugal que no garantiza plenamente la “autoría” del hijx.

En consecuencia, la paternidad se ve en los gays como algo fuera de lugar, ni natural ni adecuado; como si la responsabilidad y el cuidado de lxs niñxs fuera algo con lo que no tienen nada que ver.

Para continuar, creo necesario decir que sólo me atrevo a lanzar algunas reflexiones sobre las cuestiones referidas a los hombres gays, pues considero que -a pesar de tener coincidencias varias-, la maternidad lésbica merece particular reflexión. De otro lado, quiero explicitar mi agenda –nada inocente-, con relación a este tema, porque es mi intención que todo lo que escriba parezca consistente. Sin embargo, habrán muchas cosas que queden sueltas y algo incoherentes cuando hablamos de esta categoría de homopartenidad.

Así, me permito compartir algunas dudas sobre estas muchas cosas que quedarán sueltas y algo incoherentes: ¿quieren los gays ser padres?. Y si quieren serlo es porque responden a una presión social,  porque se aplica en ellos el deseo de trascender físicamente (sangre) y socialmente (apellido) como dice Norma Füller
(2001 ), porque se sienten con el derecho de serlo simplemente o es porque es un acto político para cuestionar el determinismo de la categoría familia. Y contrario a esto, si no desean serlo es porque no se asumen sujetos de paternidad, porque cuestionan este rol como algo que fortalece el heterocentrismo o porque su plan de vida simplemente no pasa por cuestionarse todo esto.

Queriendo o no, lo cierto es que la realidad nos plantea un panorama muy interesante. Muchos gays y lesbianas sí son padres y madres tal como lo demuestra el informe de la Comisión Internacional de Derechos Humanos para Gays y Lesbianas (IGLHRC por sus siglas en inglés), que en su informe “Concebir la mater/paternidad: ser madres, ser padres, y los derechos de las personas lesbianas, gays, bisexuales, trangénero, sus hijas e hijos”,  señala que sólo en EEUU existen entre 3 y 14 millones de niños y niñas viviendo en hogares conformados por gays y lesbianas, que en Francia para el año 1997 el 7% de los gays y el 11% de las lesbianas ya tenían hijxs, que según un informe del Senado de Berlín existen aproximadamente un millón de padres y madres homosexuales y que en Canadá un tercio de las lesbianas son madres y que uno de cada diez gays es padre.

Pese a que en muchos países y comunidades, donde el prejuicio y las normas tanto sociales como legales no reconocen a los gays y lesbianas como potenciales padres y madres; los datos proporcionados por la IGLHRC [6] se constituyen en un instrumento que permite visibilizar estas nuevas formas de familias.

De esta manera, se abrirían nuevas perspectivas para pensar la homopaternidad [7] como una realidad cada vez más cercana a nuestro contexto. Una realidad que permitiría a los gays de nuestra sociedad, pensar en la posibilidad –si así lo desean, al margen de los motivos-, de ser padres amparados con todo derecho en el sistema legal.

Sin embargo, el discurso de la masculinidad hegemónica, tiende a tensarse frente a la posibilidad de la homopaternidad, por considerarla un fenómeno trasgresor y subversivo que amenaza el orden social que durante muchos tiempo ha marcado el ritmo de vida de una de las instituciones tradicionalmente heterosexistas: la familia.

Así, la sociedad patriarcal en la que vivimos ha logrado desconocer a la población de gays y lesbianas [8]   como sujeta de derecho a la mater/paternidad [9] sancionando socialmente todo tipo de comportamiento homoerótico y lesboerótico que amenace de alguna manera el orden establecido por sus normas y confrontándonos  con un vacío normativo para establecer estas formas de vincularidad.

Ahora, las preguntas que aparecen a la luz de lo reflexionado hasta ahora serían: ¿qué pasa con los gays que quieren ser padres?, ¿cómo satisfacen ese deseo en el contexto adverso en el que nos encontramos?, ¿cuántos de los que son padres pueden ser gays sin temor a ser sancionados?, ¿cómo se puede hablar de homopartenidad, cuando apenas se puede hablar de paternidad?, ¿cuánto aportan estas categorías a la deconstrucción del sistema heteronormativo?.

Será que la imposibilidad de “ser papás” se constituye a menudo en una experiencia frustrante y dolorosa que enmascara la obediencia al mandato social de no mostrar esa aspiración como una de las tantas renuncias que deben asumir los gays.

En consecuencia, se puede hablar del ejercicio de la paternidad a través de una transitoriedad forzada, traducida en la adquisición de la condición de padres en el marco de una pareja heterosexual que precede o coexiste con sus relaciones homoeróticas [10] .

Los avances que, en materia de derechos sexuales y reproductivos, han logrado las organizaciones que defienden los derechos de trans, lésbicas, gays y bisexuales, demuestran la necesidad de reconocer que cada vez, son más los gays y lesbianas que desean ser padres y madres. En muchos de estos países, llegan a satisfacer este deseo mediante la adopción, o llegan a tener hijxs mediante métodos de inseminación artificial.

Estos hechos demuestran que, si bien no hay un marco legal que proteja de manera plena el libre ejercicio de la paternidad de los gays y la maternidad  de las lesbianas, existe una tendencia hacia el progresivo debilitamiento de la familia patriarcal, la deconstrucción de la idea de identidades hegemónicas de género y  los profundos cambios culturales que tienden a despatologizar la homosexualidad, lo que significa –como mencionan Canaparo y Frieddler (2001) ,  abrir nuevas perspectivas para pensar la parentalidad como un proceso  en permanente cambio.

Pensar la homopaternidad en nuestro contexto, adquiere entonces un tono de reivindicación política porque propone los gays el pleno ejercicio de su paternidad en el marco de los derechos reproductivos.

La importancia de reconocer que en muchas partes del mundo existe un significativo número de gays que ejercen su paternidad sin un marco legal que los respalde plenamente, y que en nuestra sociedad se pueda constatar la existencia de gays que sólo aspiran constituir una familia renunciando al ejercicio pleno de su identidad sexual, nos obliga a pensar los derechos reproductivos de los gays y de las lesbianas como derechos ciudadanos y derechos humanos.


NOTAS
[1]  Este artículo forma parte de las reflexiones de una tesis medio empolvadas que debo terminar. 
[2]  Calato es un término que se utiliza popularmente en Lima para referirse a un bebe recién nacido
[3] Dotar de placer al otro, es un discurso de poder que enajena la autonomía de los cuerpos, sobre todo el de las mujeres y hombres no heterosexuales.
[4] Utilizo el término HOMOSEXUAL solamente porque es de común uso en la sociedad. A pesar de ello, lo cuestiono porque bajo este término también se invisibiliza la diversidad de identidades sexuales diferentes a la heterosexual.
[5] En este documento y en los pocos que me publicarán seguramente, utilizo la “X” para no caer en el maleficio del binario masculino-femenino, que también nos gobierna en la escritura.
[6] Nótese que sólo cuento con datos de países llamados desarrollados. A pesar de saber de la existencia de muchos casos en AL, no se cuenta con datos exactos sobre ello.
[7] Cristina Canaparo  y Rasia Friedler,  en su artículo “Parejas gay: El anhelo de la parternidad”, definen a la homopaternidad como el proyecto de paternidad sin maternidad
[8] A pesar de no mencionar a las poblaciones Trans (transgénero, Travestís y Transexuales) debo reconocer que hay muchos caso de niñxs criadxs por ellxs.
[9] A pesar de no mencionar a las poblaciones Trans (transgénero, Travestís y Transexuales) debo reconocer que hay muchos casos de niñxs criadxs por ellxs.
[10] El presente artículo, utilizará el término mater/paternidad cuando deba referirse, además de los gays, a las lesbianas que aspiran a ser madre o ya lo son. Y sólo homopaternidad, para referirse exclusivamente a los gays que son padres o aspiran serlo.

Referencias

  • Canaparo y Frieddler. 2001. Parejas gay: el anhelo de ser padres. Red Informática FLEPAG.
  • Figueroa Guillermo. 2000 .  Salud Sexual: Ventajas de la responsabilidad compartida” Suplemento Letra S . México
  • Fuller Norma, 2001. En Masculinidades. Cambios y Permanencias. Lima, Perú

Sobre el autor
E. Paul Flores Arroyo.

Se autodefine como Marica activista. Integra el Colectivo ContraNaturas, miembro de la  Red Peruana TLGB. Trans, Lesbianas, Gays y Bisexuales.
e-mail: epaulflores@hotmail.com
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Hijos virtuales.*

Por Pilar Rius

Es ahora, con 75 años, cuando creo que estaría preparada para tener y educar un hijo, una hija. Ahora que ni siquiera lo podría cargar porque que yo misma no puedo con todos mis años y mi costal de kilos, ahora que no sé nada acerca de la educación de los niños, ni me importa.

Ahora es cuando estaría calificada para llevar a un niño de la mano en su entrada a la vida. Ahora que ya no ensayaría el método del Dr. Sproll para que creciera sano, ni aplicaría los conceptos de Erich Fromm para que conociera el amor y la paz interior, ni intentaría el despertar temprano de su inteligencia y creatividad para que fuera feliz; ahora que ya no haría nada de lo que recomiendan los que dicen que saben de esas cosas.

Sólo lo elemental y sólo en sus primeros años, hasta que él construyera sus propias herramientas para seguir con su vida por su cuenta; después ... silencio. Alguien dijo que las madres tendríamos que quedarnos mudas cuando el último de los hijos cumple cinco años. Para no hablar de más, para no ejercer influencias, ni malas ni buenas, para no darles la vida masticada. Para dejarlos que observen e infieran sin que nosotros les contemos la película.

Pero eso sólo se puede hacer a los 75 años; a los 20 o 30 que es cuando se tienen los hijos —cuando yo los tuve—, no.

Tener un hijo me parecía entonces un milagro, todavía me lo parece, lo que me pregunto ahora, no es si mis cuatro hijos han dejado de ser el milagro más hermoso que me ha ocurrido, porque lo siguen siendo, sino si el milagro de la vida no conlleva —para el que vive— demasiado dolor, demasiadas incongruencias, demasiada ignorancia, demasiados abusos; si vivir no es pagar un precio demasiado alto por una mercancía que tiene un lapso muy corto de caducidad y cuyo uso es de altísimo riesgo.

Tampoco sé cómo podría garantizarse, en ese corto lapso, una buena vida, y mientras no lo sepa, no me parece justo exponer a nadie a una aventura en la que el interesado no ha pedido participar y de la cual, lo único cierto es que no tiene un final feliz.

En un mundo de buenos y malos, de íntegros y perversos, de tolerantes y fanáticos, de víctimas y verdugos, los seres que vienen a él tienen que prepararse para transitar por la vida sin pasarlo muy mal. Se me ocurre, por ejemplo, que a los niños habría que enseñarles, de entrada, a no ser tan íntegros que todos les carguen la mano, porque por ahí entra el dolor; tampoco a ser perversos, porque la maldad es por sí sola un dolor.

Habría que buscar un modelo intermedio, para que la niña, el niño, creciese fuerte pero no déspota, tolerante pero decidido, y paliar un poco así, la vulnerabilidad adicional de los extremos.

Para intentarlo, yo tendría que tener claras algunas definiciones; no las tengo: de niña, era buena si obedecía y mala si no hacía lo que querían los adultos, cuando era buena no sufría, luego he sufrido por seguir ese patrón de aceptación aprendida, cuando ya no me servía para nada. De adolescente era buena si no me dejaba tocar y mala si perdía mi virginidad. También eso me trajo sufrimiento y un desperdicio irreparable de mi juventud entre prohibiciones, reglamentos y anatemas. De casada era buena si trabajaba, cuidaba a mis hijitos y a mis padres y a todos, y me dejaba manipular por mis padres, mis jefes, mis amigos, mi marido. Era mala si eludía alguno de esos sagrados deberes. No los eludí, pero desgasté buena parte de mi juventud tratando de cumplirlos todos a la vez.

Durante mucho tiempo, acaso demasiado tiempo —incluido el de mi maternidad— fui muy ingenua y por ello altamente vulnerable, aunque puede pensarse que mi misma ingenuidad acaso me preservó de males mayores y hasta me permitió tener mi parte de felicidad. Pero no querría que mi hijo fuese ingenuo; la ingenuidad es un escudo demasiado precario.

Lo que me pasó a mí, las etapas dolorosas de mi vida, no las querría para mi hijo o hija; pero para librarla de mis dolores y de mis carencias, tendría que empezar por presentarle1 unos valores que no sean los míos. O más bien, que no sean los valores de mis abuelos y que mis padres, a su vez, me han transmitido, porque yo no me acuerdo de haberme construido unos valores que hayan sido realmente míos. Creo que los valores no se construyen; alguien te los presenta,2 porque no estás preparado para construirlos en tus primeros pasos, y los necesitas pronto.

¿Existen valores congénitos a los que no podamos sustraernos? Es un hecho que nacemos con los impulsos genéticos de la especie y esos no se pueden borrar; se pueden negar o disimular, pero no se pueden desechar; están ahí.

La naturaleza se encarga de que la especie sobreviva. Nos da el hambre, el frío y el miedo para preservar nuestro cuerpo, y nos da las hormonas para que conservemos la especie. Y somos esclavos de esas pulsiones con las que vamos contendiendo, con la perspectiva de los valores y los sueños familiares, si no los hemos desechado, o con los que nos hayamos construido, si hemos sido capaces.

Y en servicio de ellas —de las pulsiones— damos la vida a otros seres, en un acto de obediencia al mandato de la naturaleza y, muy en el fondo, en la peregrina esperanza de que a nuestra muerte estaremos menos muertos que otros que no han dado la vida a nadie. Y a eso le llamamos perpetuar la especie. Y para eso parimos y todo lo que sigue. Y para eso tenemos hijas que parirán a su vez con la misma información que tuvimos nosotras para vivir, o sea, ninguna.3

Crecemos en una especie de ceguera que no nos permite ver que nuestro destino no lo planeamos nosotros; que ni siquiera viene de algún lugar misterioso, más allá de las galaxias, sino que es, por ejemplo, una consecuencia del sueño de una abuela y que los hombres y las mujeres asumimos los sueños de los abuelos y las tradiciones de nuestra cultura y ofrendamos nuestra vida en la realización de esos sueños y en la preservación de esas tradiciones.

Lo dice Malraux, en una novela, no me acuerdo cual: “diseñamos un sueño y entregamos toda la vida a su servicio”. Bueno, pues le tengo una noticia a Malraux: la mayor parte de las veces, ese sueño ni siquiera es nuestro.

¿Y a este lugar de sueños ajenos asumidos, es al que traemos a unos seres que ni siquiera saben a qué vienen, ni quién soñó tanto disparate en su beneficio? ¿saben los que nacen que vienen a servir, con sus vísceras, los sueños de otras generaciones? (a eso creo que le llaman cultura). ¿y que en esos sueños soñados por otros están comprometidas su alma y su vida?

Qué lástima que no nos llegue como una revelación —y a tiempo— la certeza de que estamos enredados en un sueño ajeno, para poderlo asumir en su debida dimensión, y, así, no estar tan empecinados en cumplirlo.

Entonces, la vida podría ser hasta divertida. Y podríamos sentarnos tranquilamente y verla pasar hasta su fin.

Pero no se nos prepara para nada de eso, no se nos enseña que en el mundo de lo real, el sueño tiene prioridad sobre el libre albedrío, y que, como Don Quijote, cuando se acaba el sueño, es tiempo de morir.

Algunos, creo que muy pocos, se percatan de la trampa de los sueños antes del final, pero ya no son capaces de construirse otro sueño, porque ya saben que hay truco. Y tampoco han aprendido a vivir sin tener un sueño que ponerse. Se los conoce porque, como ya no tienen a dónde ir, no van a ninguna parte.

Los sueños acerca del amor, la amistad, el honor, la virginidad, la maternidad, la autorrealización y otras entelequias, hacen que los hombres estén haciendo casi siempre lo que no quieren hacer; en el supuesto cumplimiento de su deber. En algún momento, la humanidad tendría que plantearse la utilidad de seguir procreando esclavos de exigencias oníricas ancestrales.

En materia de amor, proclaman los abates de las religiones de los hombres que en éste se encuentran todas las soluciones y que hay que amar a todos los seres de la creación, pero no se ponen de acuerdo a la hora de definirlo.

Tal vez amar consista en ser capaz de interpretar el papel que te asignó el amado en el sueño que le tocó. ¿Amar es transitar por esos mundos, haciendo realidades efímeras los sueños ajenos? ¿Es bueno, es ético, es conveniente para algo, para alguien, traer al mundo a seres humanos que vayan dando palos de ciego por la vida, en el cansado intento de acomodarse a los sucesivos sueños de los sucesivos (o simultáneos) sujetos de su amor?

Qué raro que los poetas que tanto le cantan al amor y a la muerte en sus poemas, nunca hayan escrito ( o yo no lo he leído) acerca del supremo acto de amor que significa la muerte; la muerte como la única expresión auténtica del amor de Dios por los hombres.

Dicen que, en el plano humano, el amor de una madre por sus hijos es el más parecido al amor de Dios por sus criaturas; bueno, pues en ese entendido, si se me volviese a plantear la opción de la maternidad, yo no quiero pensar en ofrecerle la muerte a mi hijo potencial como la máxima prueba de mi amor por él, pero sí puedo elegir no darle la vida.4
Es un hecho que, si no se nace, no es necesario ese último acto de amor: al no nacer, te ahorras todos los sueños de la creación y todo el trasiego de su interpretación y cumplimiento.

Por eso, si se me volviera a presentar la opción de vivir una nueva vida, creo que no aceptaría volver a ser madre, en las circunstancias en que lo he sido la primera vez.

Pero si esa opción se me ofreciera ahora, a los 75 años, cuando me sería más fácil persuadir a mi hijo de que la vida puede ser interesante y hasta divertida a condición de saberse acomodar a las exigencias de los sueños y al vaivén de las velas, tal vez lo pensase dos veces. Bueno, puede ser que decidiera esperar un poco más, para estar mejor preparada, no lo sé, creo que volveré a pensarlo dentro de algunos años.


Notas
1 Le presento a usted a Pepito Pérez; le presento a la bondad, la honestidad, la integridad, el honor, la tolerancia, la compasión...
2 ...mucho gusto.
3 La información que se nos da durante nuestro crecimiento, es para irla pasando por la vida, no para vivir.
4 a los que se la di, ya les pedí perdón.
* Artículo cedido para su publicación  por la Revista mexicana, Debate Feminista de abril de 2004.


Sobre el autor
Pilar Rius
pilarius@servidor.unam.mx
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Entrevistas  

Invitación al debate: 
La No maternidad ¿O resistencia a la maternidad?

En la medida que la maternidad ha pretendido y de hecho sigue siendo una marca decisiva en la  identidad de las mujeres, como status, experiencia, posicionamiento frente a la vida, hicimos una serie de entrevistas con el deseo de profundizar  en estos puntos,  es decir averiguar ¿cómo la no maternidad  ha afectado la identidad / o no  de algunas mujeres, o cómo la perciben?  y sus relaciones con el entorno  más inmediato y en otros planos de sus vidas.

Hicimos una rueda de entrevistas virtuales a mujeres de varias nacionalidades, profesiones, edades, heterosexuales y lesbianas, solas y acompañadas, jóvenes y mayores, mujeres de la academia y del activismo: Alexis, Mirtha,  Ochy,  Jules y Cecilia.  

El eje de la entrevista era el tema de la No Maternidad. Las preguntas eran solo una referencia para invitarlas al diálogo:  ¿Las mujeres deciden no ser madres?; ¿Hasta qué punto es pensable en nuestra sociedad esta decisión? ¿Si cambiaran algunas circunstancias de tu vida decidirías ser madre?; ¿El no ser madre ha afectado de alguna manera tu identidad? ¿Y tu relación con los otros/as?. Las respuestas fluyeron desde varios aspectos: experiencias y recuerdos,  testimonios de vida,  referencias y contextos  históricos,  épocas. En fin, aquí  estas sabrosas entrevistas, solo para contribuir al debate y la reflexión.

Agradecemos la participación de Ochy Curiel (República Dominicana); a Gloria Careaga de México, Jules Falquet ( franco-latinoamericana), Claudia Anzorena (Argentina) y Cecilia Olea Mauleón (Perú).

ALEXIS

He decidido no ser madre y  me hace sentir bien


CS: ¿Las mujeres deciden no ser madres?

Creo que cada día más mujeres deciden no ser madres o cuándo desean serlo.
Tradicionalmente se había visto como una función propia del ser mujer que poco a poco va dejando de serlo.

Si bien, el maternazgo abarca un conjunto amplio de comportamientos y actitudes que compartimos la mayoría de las mujeres y muchos hombres, la reproducción biológica o a través de adopción, para hacerse cargo de la crianza, el desarrollo de un sujeto se da también de diferentes maneras. A mi me ha tocado compartir la crianza de un niño, una vez, por mas de siete años, y fue una experiencia muy enriquecedora, pero eso no me llevo a la necesidad o el interés por buscar
un embarazo.

Mas tarde, hubo la interrogante sobre la posibilidad de adoptar en pareja a una criatura, ante las necesidades que veíamos enfrentaban algunas criaturas en zonas indígenas, pero nos dimos cuenta que tratar de resolver eso, implicaría adoptar a un ejercito de niñas y niños, no podíamos asumir esa responsabilidad.

Recientemente, se me ha planteado otra vez la posibilidad de criar a una criatura y me debato entre el entusiasmo y el miedo. Creo que cuando una se pone a reflexionar sobre las implicaciones, resulta una decisión sumamente compleja que involucra diferentes esferas de la vida de una, de la pareja y de
la criatura, lo que hace muy difícil la decisión.

Finalmente, podría decir que en general he decidido no ser madre y que me hace sentir bien.

CS: ¿Si cambiaran algunas circunstancias de tu vida decidirías ser madre?

Me parece difícil, además el tiempo pasa. Una tiene arreglada su vida, ya no se tiene la energía necesaria, aunque por supuesto se cuenta con muchos otros elementos, la experiencia de vida, estabilidad económica y mayor organización.

Aun así, creo que seria muy difícil asumir una criatura hoy, no imposible, pero complicado.

CS: ¿El no ser madre ha afectado de alguna manera tu identidad?

El no ser madre, por supuesto es un definición que tiene que ver con mi identidad actual. Me contrasto con otras mujeres madres y no madres e identifico las grandes diferencias que implica. Ser madre es para toda la vida y no serlo da mucho mas libertad.

Como señale antes una puede ejercer el maternazgo con las y los estudiantes, con amigas, con la pareja, es muy rico contribuir en el desarrollo de otras personas e intercambiar papeles continuamente, ya que una también se enriquece de esos procesos, pero el saber que alguien dependerá en mucho de ti por el resto de tu vida es todo un reto, mas allá de como cada quien lo enfrente.

Ahora mi compañera tiene sus hijas y yo contribuyo con lo puedo, pero todas asumimos quien es quien en la relación.

 CS:  Y tu relación con los otros / as?

La visión que se tiene muchas veces de las mujeres que no tenemos hijos es bastante extraña, se asume que una no soporta a la criaturas, que es una persona sola, no se. No obstante, las relaciones que una establece en la familia amplia, son muy cálidas y estrechas con las nuevas generaciones, incluso muchas veces las y los sobrinos nos ven con un atractivo especial, probablemente ante el sabor de libertad para relacionarse y asumir relaciones a partir de los intereses comunes.

Pero algunas veces, los adultos pares, te marginan porque consideran que los espacios con los hijos e hijas no son espacios de tu interés.

Creo que una establece relaciones diferentes y que tal vez pronto empezamos a tratarles como iguales. es decir como personas, no como pequeños.

Sería interesante conocer cuales son las ideas que hoy tienen las mujeres y los hombres jóvenes sobre la reproducción humana, sobre su propia condición. En los grupos donde he participado en los últimos tiempos, siempre encuentro quienes han decidido (al menos por ahora) no ser madres o padres. Tal vez con el tiempo cambien de posición, pero es una posición, que la gente empieza a abiertamente manifestar y me parece interesante.

OCHY

Negar la maternidad es un acto subversivoy político que contribuye a la liberación de las mujeres

CS: ¿Las mujeres deciden no ser madres?

Dependiendo del nivel de conciencia que tengan sobre la imposición de la maternidad obligatoria por la sociedad patriarcal. La decisión puede estar condicionada por un lado , por los valores sociales impuestos a las mujeres ( el de la reproducción y de ella se desprende la maternidad como normativa) y por otro lado pueden estar influenciadas por la visión feminista que sustenta y explica como la sociedad patriarcal hace reproducir a las mujeres para continuar su explotación económica dentro de la esfera familiar heterosexual y de pareja, mecanismos que usa el sistema para continuar reproduciéndose en base a la subordinación de las mujeres.

La decisión por tanto es condicionada por estos dos factores.

CS: ¿Si cambiaran algunas circunstancias de tu vida decidirías ser madre?

 
No. No quiero aportar a que el rol de las mujeres se vea en su función reproductora. Creo que para mi negar la maternidad es un acto subversivo y político que contribuye a la liberación de las mujeres.

CS: ¿El no ser madre ha afectado de alguna manera tu identidad?


En primer lugar no creo en las identidades como  esencialistas. Las identidades se van construyendo en función de cómo te define el otro, las otras y nosotras mismas como producto de los mecanismos del patriarcado.  SER MUJER no es una identidad sino una construcción social y yo quiero desconstruir el "SER MUJER" con sus roles y estereotipos asignados. En ese sentido no ser madre permite desconstruir esa identidad esencialista demostrando que se puede cambiar lo que la cultura patriarcal nos ha impuesto a las mujeres: la reproducción como una de sus funciones principales.

En mi relación con las otras es variada.

Por un lado,  es de choque total pues se espera que una sea madre esencial, ( sobre todo para la gente mas conservadora) por otro,  un reforzamiento político con las lesbianas y mujeres que no quieren y que optan no ser madres  de manera consciente .

A pesar de que a todas como mujeres nos toca la subordinación por cuestión de sexo ( no digo genero, pues es dicotómico dentro de la esfera heterosexual) como lesbiana feminista me adhiero a la frase de la francesa Monique Vittig que dice " las lesbianas no son mujeres" en tanto salen de la lógica binaria hombre-mujer y salen del modo de producción domestico donde se reproduce la familia (institución normativa de la heterosexualidad) donde cada día se reproduce la fuerza de trabajo de las mujeres y se les explota por parte de sus maridos.

MIRTHA


Las mujeres siguen sacrificando sus vidas personales
en aras de la maternidad

CS: ¿Las mujeres deciden no ser madres?

Esta pregunta me gustaría desglosarla en dos.

Primero: ¿Hay mujeres que deciden no ser madres? ¿Hasta qué punto es pensable en nuestra sociedad esta decisión?

Creo que son pocas las mujeres que deciden NO ser madres. Para la mayoría de las mujeres l@s hij@s simplemente llegan o bien es algo que deben hacer, el mandato es muy fuerte, solamente para pocas se presenta como una opción más el no ser madres.

Estamos en una sociedad donde a las mujeres constantemente se nos determina el camino de la maternidad: “cuando seas madre, tal o cual cosa”. Cuando alguna mujer dice “yo no quiero tener hij@s” inmediatamente se le marca como una percepción desacertada o se pide explicaciones, que siempre son subestimadas: “pensás así porque sos joven”, “ya vas a tener la necesidad”, “es muy feo estar sola”. Jamás escuché a nadie que de explicaciones porque SÍ quiere tener hij@s. Creo que todas estas presiones, estos mandatos, te van llevando a que la maternidad no sea una verdadera opción.

Segundo: no ser madre ¿es una decisión? 

Pienso que el NO ser madre es en gran medida una decisión, y una decisión personal que cuesta mucho sostener por las presiones constantes que mencionaba antes.  Mi percepción es que ni en las situaciones económicas o de salud más adversas la “no maternidad” es una opción posible en nuestra sociedad.

Algo que me impresionó mucho, hace dos años atrás, fue la muerte de una prima de 21 años de un amigo,  por complicación de un embarazo. Esta chica había nacido con un problema en el corazón y los médicos le dijeron muy claro que para ella quedar embarazada podía ser mortal, su corazón era débil. Ella quedó embarazada y la dejaron seguir adelante, lo que era prácticamente un suicidio. Sin embargo, según decían los familiares “ella toda la vida deseó ser madre” y perdió la vida casi como una mártir por lo valiente que había sido de seguir adelante a pesar de todo. Yo me pregunto qué destino hubiera tenido esta chica en una sociedad con más opciones tan válidas como la maternidad.

También podemos pensar que está la presión contraria de que la maternidad va a en contra del desarrollo profesional, por ejemplo. Esto haría que el “NO ser madre” deje de ser una opción y sea una imposición al igual que lo contrario, pero no creo que sea nuestra realidad en Argentina ni en Latinoamérica. Me parece que las mujeres siguen sacrificando sus vidas personales en aras de la maternidad. No digo que esté bien o que esté mal. Lo que digo es que nos ponen constantemente en situaciones contrapuestas y al final siempre terminamos llenas de angustias.

CS: ¿Si cambiaran algunas circunstancias de tu vida decidirías ser madre?


Creo que este argumento es muchas veces usado para desvalorizar una decisión “tan inconcebible” como no ser madre. No entra en el plano de las posibilidades que una mujer diga “no quiero, porque no quiero” y punto, sino que debe haber alguna razón, alguna circunstancia que nos lleve a tal pensamiento, algo que se pueda modificar y se de el gran milagro como en la película “Preludio de un beso”, donde un hombre mayor moribundo y con ganas de vivir se apropia del cuerpo de una mujer joven “sin vida” que no quiere tener hij@s porque considera el mundo un lugar cruel. Al final ella, al estar en el cuerpo del moribundo, aprende la lección y cambia de parecer.
Lo correcto es la maternidad y cualquier decisión que tomemos las mujeres en relación a limitar nuestro rol asignado, ya sea no ser madres, querer hacernos un aborto o ligarnos las trompas, son decisiones que no se nos permiten asumir, porque se consideran sometidas a situaciones especiales, que pueden modificarse, y siempre hay alguna persona o institución que cumple el papel del gran patriarca que “no nos deja equivocarnos”.

CS: ¿Qué te significa No ser madre, afecta tu identidad?

El no ser madre forma parte de mi identidad. Lo que afectaría mi identidad es que me obliguen a ser madre. Afecta a mi identidad el hecho de que no puedo ejercer mi sexualidad sin temor a que si, a pesar de todos los cuidados que he tenido toda mi vida sexualmente activa, llego a quedar embarazada voy a tener que pasar por una situación de aborto clandestino. Si estuviera en esta situación, afortunadamente tengo los medios para hacerme un aborto seguro, pero el estado, que legisla para los sectores más reaccionarios de la sociedad y para creencias religiosas y morales que no comparto (al igual que gran parte de la población) nos quita el derecho a un aborto no penado por la ley, seguro y, por qué no, gratuito o cubierto por las obras sociales. Es decir, que afecta mi identidad el hecho de no tener todos lo medios y las facilidades para sostener mi decisión de no ser madre.

Y creo que si afecta mis relaciones con l@s otr@s. Por lo que dije anteriormente que no es concebible que una mujer no desee ser madre, entonces siempre te sentís presionada, sobre todo cuando pasás los 25 años, que parece que ya es hora, y ahí el acecho es constante.

También me ha pasado de estar muy bien con algún varón y cuando sale el tema y le digo que “no sé” si quiero ser madre, han terminado la relación con el argumento de que no se pueden proyectar conmigo si no quiero tener hij@.

JULES

El día que los varones cuiden de las niñas y de los niños en serio, ese día tendré muchas hijas e hijos

¿Jules, crees que las mujeres deciden no ser madres?


 Algunas mujeres decidimos no ser madres, por razones muy variadas. Para recordar: hay lugares y épocas en las que muchas mujeres no son madres. Un caso es Europa a principio del Siglo XX, donde un 10% de las mujeres no tenían hijas ni hijos, por la simple razón que eran trabajadoras domésticas y no tenían muchas posibilidades ni para casarse, ni para ser madres. Otro caso son las mujeres negras esclavizadas, y también las mujeres indígenas rebeldes a la conquista, entre las cuales muchas decidieron no ser madres para no  traer nuevas criaturas a una vida tan difícil, y posiblemente para poder resistir ellas mejor.

No todas las mujeres queremos ser madres, y solo la sociedad patriarcal nos quiere hacer creer que mujer = madre.

Además, una cosa es la biología : concebir, embarazarse, parir. Otra cosa es lo social : volverse madre. Hay muchas maneras diferentes, según la cultura y la época, de ser madre. Hablaré de la que hoy domina y es la forma actual, occidental, patriarcal, sacrificada y dolorosa, estilo Virgen María, que todas conocemos (aunque sea de forma indirecta).

Pues yo en lo personal no quiero ser ni mujer oprimida, ni mucho menos madre oprimida y explotada.

Las niñas y los niños no me llaman la atención. Tampoco los detesto. Me son indiferentes, como a muchos hombres sin que a los hombres se les diga nada. Pues yo soy un ser humano como cualquier otro en este sentido, y en especial como cualquier varón. El día que los varones cuiden de las niñas y de los niños, en serio, pues este día tendré muchas hijas e hijos. El día en que el Estado ofrezca buenas condiciones (guarderías, apoyo económico, buenas escuelas para todo el mundo, buen sistema de salud, un mundo sano, viviendas grandes y baratas etc ), ese día tendré muchas hijas e hijos. El día que sea un hombre, seguro que las mujeres cuidarán bien de mis hijas e hijos, pues tendré un montón!

Pero por ahora, para que recaiga en mi solita, o en mi y otras mujeres de mi familia, o en mi y otras mujeres mas pobres que yo, nanas, trabajadoras domésticas, empleadas, migrantes, todo el trabajo y la responsabilidad enorme y el costo material y emocional de tener hijas e hijos, pues no. ¡No cuenten conmigo!

CS: ¿Por que dices que el no ser madre no  ha afectado tu identidad?


Es que es la condición primordial para poder vivir y trabajar plenamente (al menos que una tenga trabajadoras domésticas,  y explote el trabajo de las demás, porque por el lado del Estado y de los hombres no se ve mucho apoyo). Pues el no ser madre es lo que siempre he sido, es mi estado natural como quien diría, así nací, así crecí y así quiero seguir. Tener hijas e hijos sería cambiar este estado natural y original, saludable y feliz.

Para quienes piensan que eso es egoísmo, pues de seguro, no quiero estar en el deber ser altruista para los demás con lo que la sociedad patriarcal impone a las mujeres. Y por otro lado, egoísmo es en muchas mujeres (no todas por supuesto), quererse reproducir, como si fueran ellas lo máximo, querer tener allí unos seres para moldear a su imagen y semejanza (lo que por supuesto es imposible)... Y para que las acompañe en su incierto y muchas veces aburrido presente y que las cuiden cuando estén viejas.  En fin. El egoísmo esta en todas partes, viéndolo bien.

Lo fundamental, creo yo, es que yo no quiero ser madre, ni esposa (mucho menos!!), ni reproducir la familia patriarcal que nos han dicho a las mujeres que debe ser nuestro ideal. Y allí esta la raíz del asunto. Quiero dedicar mi vida a algo diferente del destino que espera a quienes han nacido con ovarios. Quiero luchar para una revolución muy profunda en la conciencia, y de ser posible también en lo material, luchar hasta conseguir acabar con este mundo racista, clasista, patriarcal, en el que nadie puede ser libre ni feliz... Y También quiero vivir, tomarme mi tiempo, leer y escribir, ir a pasear con mis amigas, viajar, conocer y mil cosas mas! Y esto, repito, teniendo hijas e hijos es bien difícil, al menos que tengamos guarderías, escuelas buenas, hombres responsables, etc.

Pues, eso es! Si aunque sea la mitad de las mujeres nos pusiéramos en huelga de maternidad hasta que haya un poco mas de respeto hacia las mujeres, hacia el planeta, menos racismo, menos explotación, otra cosa sería este mundo!!!
Y además, imagínense la cantidad de horas y de energía que se podrían emplear en otras cosas, como por ejemplo descubrir tratamiento contra el cáncer del seno (o eliminar una de sus mayores causas que es la contaminación), inventar nuevas músicas, hacerle su verdadero juicio a Pinochet, enseñarles de verdad a las niñas que ya están aqui, la poesía, las matemáticas, la filosofía... Y bueno, imagínense como subirían los precios en el mercado del trabajo! Con menos mano de obra, pues mejores salarios de una sola vez! Y probablemente, menos guerra, porque habría menos soldados... Bueno, ya las dejo soñar...

CECILIA


Que la maternidad deje de ser un paradigma d
e la feminidad y la masculinidad

CS: ¿Las mujeres deciden no ser madres?


Quienes iniciamos la etapa reproductiva después de los años sesenta hemos tenido la ventaja de poder acceder a métodos seguros de anticoncepción. Aunque en nuestro país la injerencia de la iglesia católica en las decisiones políticas sobre salud sexual y reproductiva siempre ha tratado de impedir el ejercicio de la sexualidad, bien sea recomendando que apenas nos despertemos rapidamente salgamos de la cama o abiertamente denunciando el uso de métodos anticonceptivos. Es así que a fines de la década del setenta se cerró el único servicio de planificación familiar público. Existía el acceso a la píldora pero sólo para quienes tenían el dinero para ir al médico en consulta privada y luego comprar en la farmacia. Era adolescente y ese no era mi caso... pero los médicos y médicas del Instituto Marcelino brindaban información y recursos. Es así que pude con algunas dificultades, no imposibles de vencer, poder ejercer mi sexualidad sin temor a la reproducción.

Trato de recordar y ser fiel a los hechos - aunque soy conciente que la memoria siempre reelabora los acontecimientos desde el presente - no recuerdo haber tenido ganas, deseos o aspiraciones de ser mamá, pero dejo está afirmación a ser reelaborada en otros artículos y en el diván. Las decisiones que una toma están explicadas por las trayectorias de vida y a la vez las trayectorias de vida están construidas de las decisiones que uno toma. Crecí en un hogar poco tradicional, casi niña milite en la izquierda y prontamente me convertí en feminista. Estuve muy segura que lo que yo quería ser era una persona dueña de su destino y la maternidad aparecía como lo tradicionalito casi lo natural, estar en la vereda y yo quería caminar por la pista e inventar nuevas rutas (aunque no se si lo hice). En mi generación de feminismo,  la maternidad fue analizada desde los impedimentos desde esa asignación de tareas que aparecían como "propias de nuestro sexo".

Prontamente nos dimos cuenta que la cosa no era tan simple y que también se podía vivir la maternidad desde otra postura, para comenzar que la maternidad no tenía que ser el mandato de la naturaleza o el mandato divino, sino que era una decisión tan humana como otras y que lo que había que cambiar era lo que estaba alrededor: la división sexual del trabajo y de los afectos y responsabilidades.

Pasados los años, ¿hoy  decidirías ser madre?


En estos momentos tampoco quiero ser madre

Me siento contenta con lo que tengo y a la vez se que todas las decisiones tienen sus gratificaciones y sus obstáculos.

Aspiro a que la maternidad deje de ser un paradigma de la feminidad y la masculinidad y más bien sea una decisión metagénero que obedezca a sentimientos no marcados por las identidades sexuales.

No tener hijos ni hijas me ha permitido lo mismo y a la vez algo diferente de quienes si tienen, en otras palabras no creo que marque mi identidad.

Lo que estoy narrando es mi historia,  la de una mujer que se formó en la izquierda que es feminista y que tuvo la oportunidad de beneficiarse con la democratización de la educación y que además es urbana y capitalina en un país terriblemente centralista.

CS: ¿Y tu relación con otras personas se ha visto afectada por tu No maternidad?


Esta decisión y trayectoria de vida creo que lejos de ser un estigma he sentido todo lo contrario. ¿Qué es todo lo contrario? Vienen a mi memoria las conversaciones con trabajadoras de la gran industria y con pobladoras de Lima cuando me trataban de "animar" a que tenga un bebe "aunque sea sola" y creo que mi practica de vida demostraba que para una mujer en este siglo a pesar de todos los prejuicios sociales la vida puede ser sin hijos tan satisfactoria como para quienes tienen hijos. Creo que la satisfacción con la vida pasa por sentir que una toma decisiones, por reconciliarse con los errores que comete en esas decisiones y con descubrir y construir afectos más allá de relaciones consanguíneas, de afinidad o de sentimientos de propiedad por ser "sangre de mi sangre".

Aunque me gusta la vida pública política no he desempeñado ningún cargo público, espacio en el cual en nuestro país una mujer solterona y sin hijos es blanco de sospecha. Confío en un mundo de maternidad deseada y no impuesta, de maternidades y paternidades libres e informadas y no compensatorias o casuales. 



NR:
Les invitamos también a leer el Foro “Ni madres”, que les brindamos por cortesía de la Revista mexicana "Debate Feminista" de abril 2004, en nuestra sección Publicaciones PDF.
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